“É uma ideia antiga de juntar os tambores da Amazônia com os instrumentos de samba e, aliado a isso, juntar os metais e a sonoridade das guitarras, para dar um toque de latinidade a essa fusão inusitada”. É assim que o líder do coletivo CaBloco Muderno, Marco André, define o grupo.
O primeiro disco do coletivo musical tem lançamento esta semana, na quinta-feira (10) e sexta-feira (11).
A primeira apresentação é na Estação das Docas, com entrada franca. “Na quinta-feira, a bateria do CaBloco vai sair do Forte São Pedro Nolasco, na Estação das Docas. A concentração vai ser às 8h da noite e vamos fazer um mini cortejo, anunciando que vai ter show logo em seguida no Teatro Maria Sílvia Nunes. Acabou o cortejo começa o show”, explica Marco André.
No dia seguinte, o CaBloco segue com outra programação. “Para o dia 11, sexta-feira, nós fizemos uma parceria com a Escola de Teatro da UFPA. Vamos participar do Auto do Círio e, após isso, vamos fazer o desfile oficial do CaBloco para o Círio de Nazaré. Acabou o Auto a gente vai desfilar pelas ruas da Cidade Velha”, detalha Marco André. “Nós vamos participar do último número do Auto do Círio. A concentração vai ser em frente à Assembleia Legislativa do Estado até a frente da Fumbel, às 22h”, completa.
O projeto foi selecionado pelo primeiro edital do programa Natura Musical dedicado exclusivamente à cena paraense. “O CaBloco Muderno nos surpreendeu com sua rica conexão entre a tradição regional e uma sonoridade contemporânea e universal. O disco expressa o lado alegre e festivo que são característicos da cultura popular brasileira com toda a qualidade musical que é fruto dessa mistura”, afirma Fernanda Paiva, gerente de marketing institucional da Natura.
Como surgiu
Criado em 2012, nas festividades do Círio de Nazaré, o CaBloco realizou shows com a presença de Pepeu Gomes, Paulinho Moska e Pedro Luís, que também participam do álbum de estreia. O repertório do disco homônimo reúne composições de Dona Onete, Marco André, Trio Manari, Titãs, Guilherme Arantes, MG Calibre, Mestre Laurentino, Dona Bebel, Monarco e Ratinho, Igor Capela e Marcio Macedo.
Além da bateria, o grupo possui uma banda de 12 músicos, formada por importantes artistas paraenses como o cantor e compositor Marco André, que faz direção musical, atua nos vocais, guitarra e guitanjo (mistura de banjo com guitarra), os percussionistas Marcio Jardim, Nazaco Gomes e Kleber Benigno (Trio Manari), Douglas Dias, Mestre Paulo Black (mestre de bateria da Escola de Samba Quem São Eles) e André Alcântara (mestre de bateria do Bole Bole), o guitarrista Igor Campelo e o baixista Rafael Azevedo. Os sopros têm arranjo do carioca, Humberto Araújo, líder da Orquestra Criôla, e o naipe é formado por Harley Bichara (sax), Jó Ribeiro (trombone) e Johab Quadros (trompete), músicos oriundos da Amazônia Jazz Band.
Um encontro para todas as tribos
O coletivo paraense tem como objetivo promover o encontro entre todas as tribos musicais atuantes no estado, presentes em seu repertório, incluindo sucessos nacionais arranjados de forma inusitada, tais como ‘Sonífera Ilha’ (Titãs), que soa como um brega típico das periferias de Belém, ‘Vai Vadiar’, do repertório de Zeca Pagodinho, pulsando entre o samba e o carimbó, e ‘Lindo Balão Azul’, que se vestiu de tambores do banguê e guitarras latinas, com direito a acompanhamento e poderoso solo de Pepeu Gomes.
O grupo convidou todos os artistas que participaram da gravação do CD e amigos artistas paraenses a participarem de seu primeiro clipe promocional. Dira Paes, Fafá de Belém, Pinduca, Lia Sophia, Dona Onete, Mestre Laurentino, Felipe e Manoel Cordeiro, Pepeu Gomes, Paulinho Moska, Pedro Luís, Nana Reis, Juliana Sinimbu, Gaby Amarantos, Arthur Espíndola, Pedrinho Callado, Almirzinho Gabriel, Natália Mattos, Camila Honda, MG Calibre, Félix Robatto, Yasmin Friaça entre outros, participaram das gravações realizadas entre Belém e Rio de Janeiro.
Além dos shows e desfiles de rua, a banda realiza também projetos de sustentabilidade e responsabilidade social, oferecendo oficinas gratuitas de percussão. A bateria presente nos desfiles é formada pelos participantes das oficinas, que acontecem no bairro da Pedreira, Belém. O comprometimento com o desenvolvimento sustentável se traduz na confecção de seus instrumentos percussivos a partir de materiais reciclados, como madeiras velhas sem uso e jogadas na rua, garrafões de água mineral sem utilidades, tonéis de aço descartados e bacias de alumínio, por exemplo.
Escute
Todas as faixas do disco estão disponíveis no endereço: https://soundcloud.com/cablocomuderno, com download legal e gratuito das faixas “Ê Caboco” e “Guitarrada do CaBloco”. Mais informações: www.cablocomuderno.com.br
(Diário do Pará com informações de assessoria)
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