A Concha Acústica localizada na Praia do Cruzeiro, serviu de palco para os artistas que participaram do “Circuito Literário Banco da Amazônia”, na noite de quarta-feira (9), em homenagem aos 144 anos do distrito de Icoaraci, pertencente ao município de Belém. O Circuito, que reuniu escritores e artistas paraenses, é uma realização da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, com patrocínio do Banco da Amazônia.
A programação incluiu um sarau literário, com a participação de escritores como Rui do Carmo, Eduardo Santos e Antônio Eutálio Corrêa, e de artistas que residem em Icoaraci, como Hugo Chagas, Baby Carvalho e Professor Samura. Também se apresentaram os grupos musicais Castiçais e Capitão Verde, e a companhia de danças folclóricas Iaçá, com a coreografia da lenda do Boto.
Um das atrações foi a interação de poetas experientes com novos nomes da literatura paraense, como a jovem Ariel Carvalho, que morou no distrito por quase cinco anos, durante a infância. "Eu tenho uma paixão imensa por Icoaraci. Apresentar meu trabalho aqui foi um momento ímpar. Tive o prazer de dividir o palco com alguns dos meus poetas preferidos, como o Hugo Chagas e o Rui do Carmo. Aqui temos bons poetas e escritores. Se formos atrás desses talentos nas escolas, com certeza teremos muito para mostrar ao mundo", declarou a escritora.
Orla poética - O poeta Hugo Chagas também mostrou uma paixão de quase 40 anos pelo distrito, onde reside. "Tudo que você possa imaginar de beleza natural, Icoaraci tem a oferecer para quem é poeta. Essa orla já é uma poesia. Temos um povo acolhedor, temos as comidas típicas. Temos tudo para fazer esse lugar sorrir sempre que for necessário", disse ele.
Para o escritor, um dos recintos mais importantes da vila, principalmente para a juventude, é a Biblioteca Municipal Avertano Rocha. Hugo Chagas também promove oficinas poéticas e declamações de sua obra em escolas de Icoaraci. “É preciso levar a poesia às escolas, com o intuito de fazer com que a poesia fortaleça a nossa educação e embeleze o ego da nossa juventude, porque ela precisa de amor e carinho, e contato com a cultura", acrescentou o poeta.
“Aos 69 anos, eu nunca tinha visto o que vi hoje. Um circuito poético em Icoaraci, inclusive com muita gente nova. Se for bem explorado, o talento da juventude daqui tem muito a oferecer. Hoje, o índice de criminalidade é grande. Então, tem que haver mais captação dos jovens para a literatura. E vamos encontrar muita gente com talento”, ressaltou o morador Antônio Pereira. Ele lembrou que Icoaraci é um dos berços do artesanato em cerâmica no Pará.
Este ano, o projeto “Circuito Literário Banco da Amazônia” ainda levará autores e promoverá oficinas e workshops nos municípios de Santarém, Óbidos, Altamira e Marabá.
(Agência Pará)
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