Amostra Coleção Itaú de Fotografia Brasileira, que está em circulação desde 2012, está à disposição do público na Casa das Onze Janelas, em Belém, com obras não exibidas nos recortes anteriores. A exposição fica em cartaz para o público até o dia 15 de dezembro. Com curadoria de Eder Chiodetto, a mostra apresenta 63 obras do final da década de 1940 até hoje, estabelecendo um espelhamento lúdico entre obras modernistas e contemporâneas, com foco na representação fotográfica experimental.
Para Belém, o curador selecionou obras de artistas paraenses como as imagens feitas em filme infravermelho Caraparú e Fé em Deus, ambas da série Nightvisions, de Luiz Braga, e o vídeo em looping Partida, de Alberto Bitar. Entre as novidades, ainda há cinco obras inéditas: Piscina, do paulista Carlos Fajardo; Sem Título (Série Fábula), do baiano Caetano Dias; Herhanhus Anmes (Sun Flower), Hydranges Macrophylla (Flora Maistrallis) e Seashore Casica (Penwshon Flower), do paulista radicado em Nova York, Vik Muniz.
“O processo curatorial tem como essência pesquisar a ressonância da fotografia modernista experimental, praticada com ênfase entre os anos de 1940 a 1960, na fotografia contemporânea brasileira”, observa Chiodetto. “A exposição contém obras que ilustram os dois períodos, mostrados lado a lado, para instigar a leitura conceitual e estética e ilustrar como o período modernista ressoa na produção contemporânea”, completa.
Segundo Chiodetto, a coleção de imagens não segue uma cronologia para estabelecer um espelhamento lúdico, evidenciando as relações formais e uma atitude libertária diante da representação fotográfica presentes nos dois períodos. “Optamos por uma seleção de obras distinta das outras cidades pelas quais a mostra já passou, visando a reforçar especialmente o caráter do experimentalismo”, explica.
De acordo com o curador, no campo experimental uma produção singular é a do paulista Geraldo de Barros (1923-1998), com experiências que incluíam fotomontagens, colagens e intervenções no negativo que resultavam em abstrações e formas. Na mostra, Barros está representado por quatro obras: Cadeira Unilabor, Homenagem a Paul Klee, Sem Título e Cemitério do Tatuapé.
A partir do final dos anos 1940, vários fotoclubistas como José Yalenti, José Oiticica Filho, Rubens Teixeira Scavone e Thomaz Farkas – todos presentes na exposição – enveredaram por esse caminho que levava à busca de uma linguagem autônoma, criando um período mais consolidado do que se pode chamar de fotografia experimental.
Com o fim da ditadura militar e o processo de democratização, formou-se uma retomada mais livre da produção artística na fotografia. De acordo com Chiodeto, três autores serviram de guias dessa nova fase: Miguel Rio Branco, Mario Cravo Neto e Claudia Andujar, também presentes na mostra. “Realismo e ficção se mesclaram de tal modo em suas obras, que uma espécie de vertigem passou a ser a melhor forma de encontrar uma raiz definidora da estética e da visão de mundo propiciada por esses trabalhos”, finaliza.
(Diário do Pará)
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