“Quando surgiu o CD, ele matou o vinil, quando surgiu o MP3, ele matou o CD, agora bateu a saudade e a gente ‘ta’ voltando ‘pro’ vinil”, diz Mizinho Rodrigues, organizador da Feira do Vinil, que chega a sua segunda edição hoje, sendo realizada das 15h às 20h, no Café com Arte. O funcionamento do bar será normal durante a Feira, quem quiser aproveitar para encontrar os amigos está convidado a curtir a boa música, comida e bebida que o espaço oferece.
A segunda edição acontece graças ao sucesso da primeira que chegou a ofertar mais 8 mil discos, para um público de cerca de 700 pessoas. “A gente ficou surpreso, teve muita gente comprando disco sem ter o toca disco. A ideia para o ano que vem é fazer uma feira cultural, que aconteça uma vez por ano e reúna vários tipos de vendas, incluindo CDs, Livros, trabalhos artísticos, com apresentações, como já acontece em São Paulo”, conta Mizinho, que também é idealizador do evento em parceria com Roberto Figueiredo, dono do Café com Arte.
Apresença de pessoas de todas as idades, inclusive crianças e adolescentes também deve se repetir nesta edição de hoje da Feira do Vinil. “Tinha muito dessa galera entre 17 e 23 anos que não viveu essa época, mas está querendo conhecer agora. As pessoas começam a ficar sabendo da qualidade do vinil. Porque ele não é uma cópia igual o CD. Ele é o original”, diz Mizinho. Outra vantagem da Feira é ter discos de R$ 3 a R$ 30. “Os mais caros são mesmo os importados, mas ela é uma feira popular, ela tem qualidade e preço baixo”, afirma.
Atualmente, a Polysom é a única gravadora no Brasil que ainda produz discos de vinil e tem relançado sucessos de alguns artistas como Jorge Ben Jor e a banda Ultraje A Rigor.
Em Belém, ainda dá para encontrar vinis em pelo menos dois pontos da cidade: Max Alvim e Flávio, que atuam na área do Comércio, próximo ao Ver-o-Peso, e o ‘Nando’, do Mercado de São Braz, todos confirmados para estar na Feira. Além deles, estarão colecionadores que desejam vender parte de suas coleções.
Um dos colecionadores é Felipe Mansur, que pretende chegar na Feira com até 3 mil discos. A previsão é que nesta edição sejam ofertados mais de 10 mil e sejam realizadas mais de 2 mil vendas. Max Alvim comenta que com o surgimento do CD a venda de discos chegou a cair 90%. “Isso foi no início da década de 1990. E agora, de 2005 pra cá, aumentou a procura. São jovens de 15, 17 anos, até pessoas de 70, 80, que voltaram a comprar”, e por isso ele espera que as vendas sejam realmente boas neste sábado.
Vender e Tocar
Max Alvim vende discos ha 22 anos. “O meu pai que praticamente me colocou nesse tipo de trabalho e eu era colecionador também. Em 1977 comprei pela primeira vez com o meu dinheiro, antes ganhava do meu pai. E fui colecionando. No início dos anos 1990 tive a oportunidade e montei a banca para mim”, conta. Max e o pai dele trabalhavam juntos no comercio, depois José Alvim, hoje com 75 anos, se aposentou.
Desde aquele tempo, os clientes são variados e hoje inclui até artesãos. “São desde as pessoas que fazem eventos e trabalham com decoração com base nos vinis. Até os colecionadores e aqueles que compram pela beleza da capa ou o encarte”, afirma Max. E não tem como não levar isso em consideração, afinal, há capas que são verdadeiras obras de arte.
Os integrantes do Projeto Galera do Vinil são unânimes em dizer que o que o vinil tem e que toda essa tecnologia não conseguiu superar, foi a qualidade. “A música perde muito do grave, por exemplo, o que tem no CD é menos de 50% daquilo que você ouve no vinil”, diz Mizinho.
A questão da durabilidade também é levada em consideração por eles. “Tem disco por aí que está do mesmo jeito de quando foi lançado há mais 50 anos. Em relação a essas mídias, nós ainda nem tivemos tempo hábil para saber até quando elas podem ir”, afirma Max. E o durável estimula a colecionar. “Pelo fato de trabalhar com isso, o hábito de colecionar eu praticamente perdi”, e diz que colecionar também demanda tempo para ter cuidados, fazer a manutenção dos discos.
Na seleção de Max estão: o álbum Off The Wall, de 1979, do rei do pop Michael Jackson; o álbum homônimo da banda The Smiths, de 1983, onde foi lançada a música This Charming Man; e o primeiro disco de Chico Buarque de Holanda, de 1966, que recebe o próprio nome do cantor.
A Feira é então um evento de encontro entre aqueles que gostam da boa música e com qualidade para ouvir, e os discos que estão pela cidade à procura de novos ouvintes. “Essa é a intenção. Criei a Feira, porque percebi que tinha muita gente voltando a ouvir e comprar, mas que estava escondida sem ter o seu espaço, sem encontrar essas tantas outras pessoas que também descobriram o prazer do vinil”, explica Mizinho Rodrigues.
(Diário do Pará)
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