“O real não está na saída nem na chegada, ele se dispõe pra gente é no meio da travessia”, escreveu Guimarães Rosa. E essa disposição para seguir um caminho, e viver e sentir o que se passa nele é o que desenvolve o Grupo Ponto de Partida (MG), em seu espetáculo intitulado ‘Travessia’. Após fazer sucesso em vários países, ele será apresentado nesta quarta e quinta-feira, dias 23 e 24, sempre às 20h, no palco do Theatro da Paz, em Belém, pelo projeto Vivo Encena.
Trazido para a capital paraense pela primeira vez, o espetáculo representou o Brasil nos 50 anos da Unesco, em Paris, e está há mais de 20 anos em cartaz. A narrativa conta a história do trabalho, da luta e da festa do povo brasileiro e faz um passeio pela música através do trabalho de cantores e compositores como Villa Lobos, Tom Jobim, Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento e Gonzaguinha.
“O trabalho desenvolvido pela trupe traz uma linguagem em que o ator é o centro da encenação. Ele canta, dança, interpreta, empresta seu corpo para desenhar o espetáculo. Nossa intenção é cantar nossas raízes e nossos sonhos, nossas particularidades e nossos pontos de contato com todo homem”, diz a diretora do espetáculo, Regina Bertola. Ela e os integrantes da trupe ainda participarão de um encontro com o público.
A ideia é fazer do evento uma oportunidade para integrar e trocar conhecimento com os profissionais do teatro. Após a apresentação, será debatido o tema ‘Teatro e Transformação’, com mediação de Expedito Araujo, curador do evento. Poderá participar todas as pessoas que estiverem presentes para a apresentação do teatro musical.
20 anos nos palcos
O espetáculo ‘Travessia’ já esteve em centenas de cidades brasileiras e também na África - na reinauguração do Teatro Avenida, em Angola-, na Europa e na América do Sul, tornando-se o espetáculo mais assistido do Grupo Ponto de Partida. Em sua passagem por Paris, foi aclamado como “um espaço mágico onde o público e os artistas celebram a vida”, visto pelos espectadores como uma mistura saborosa entre música e teatro. O som não acompanha a cena, a música é que se transforma em imagens.
(Diário do Pará)
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