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Uma noite alemã no Theatro da Paz

Uma longa tradição musical e um repertório que abrange obras marcantes da música reunidos em um grande concerto. Em Belém, ainda são poucas as oportunidades de apreciar a sonoridade de orquestras que costumam andar pelo mundo todo, encantando o público co

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Uma longa tradição musical e um repertório que abrange obras marcantes da música reunidos em um grande concerto. Em Belém, ainda são poucas as oportunidades de apreciar a sonoridade de orquestras que costumam andar pelo mundo todo, encantando o público com sua complexidade e grandiosidade. Por isso, quando surge a chance, é bom não deixá-la escapar de nossos ouvidos. Tocando do barroco à música contemporânea, a Orquestra de Câmara da Hochschulefür Musik Karlsruhe se apresentará no Theatro da Paz, hoje, às 20h.

Originário da Alemanha, o grupo de jovens músicos é coordenado pelo pianista e professor Michael Uhde, pesquisador de música brasileira; e tem como regente o violinista Nachum Erlich. No concerto desta temporada brasileira, ainda haverá a participação, como solista, da pianista portuguesa Carlota Amado. Apesar de sua importância e rara apresentação na capital paraense, o concerto terá entrada franca. Há apenas a necessidade de pegar ingressos na bilheteria do teatro, que serão distribuídos a partir das 9h de hoje.

O concerto foi trazido a Belém através da Fundação Amazônica de Música – FAM, instituição não governamental criada em 1996 com o objetivo de difundir a cultura musical no Estado e promover a formação e divulgação de novos músicos. “Belém ainda está fora do circuito nacional e a gente acredita que é muito importante trazer esses grandes concertos para o público paraense, que é muito caloso. E é também uma oportunidade para os músicos locais ouvirem coisas novas, diferentes, é uma forma de eles reciclarem seus conhecimentos”, diz Izabel Boulhosa, coordenadora administrativa da FAM.

A Orquestra de Câmara da Hochschulefür Musik Karlsruhe teve seu primeiro CD lançado em 2004, com obras de Mozart, E. Grieg, Max Reger e D. Shostakovitch. Em 2006 o segundo CD foi gravado ao vivo, com solo de Gitlis Ivry e por Béla Bartók. Já em 2011, a orquestra iniciou uma turnê de concertos por Israel, onde tocaram no InstitutoWeizmann, em Rehovot; no Crown Hall, em Jerusalém e no Clairmont Hall, em TelAviv.

“Apesar de jovens, a orquestra pertence a uma das mais respeitadas escolas de música da Alemanha – a Hochschulefür Musik Karlsruhe”, afirma Izabel. O grupo é formado por 43 integrantes e toca desde Max Reger até Franz Schubert. “A qualidade da música é muito grande, apesar de eles serem muito jovens. Nessa turnê eles têm ainda a participação da solista Carlota Amado, que tem um trabalho belíssimo. E todos devem chegar juntos nesta sexta para a apresentação”, ressalta a coordenadora.

A solista Carlota Amado, como muitos dos grandes músicos, iniciou seus estudos de piano ainda criança, aos seis anos de idade. Estudando na Universidade de Aveiro (Portugal), dentro do Programa Erasmus, passou a cursar a Hochschulefür Musik Karlsruhe. Carlota já se apresentou em várias cidades européias, em recitais que incluem Porto, Lisboa e Vila Praia de Âncora. Ela também é vencedora de vários concursos, tais como o ‘Yamaha Music Foundation of Europe’s Scholarship’ (2008), o ‘Special Prize on Dr. Hermann Büttner Klavierwettbewerb’ (2010) e o 3º Prêmio no XII Concurso Internacional de Piano Alexandre Scriabine (2012), em Paris.

Vinda da orquestra exigiu um pouco de sorte e ajuda

A Fundação Amazônica de Música, além de trazer apresentações como a desta noite ainda realiza trabalhos com a comunidade através de eventos culturais, trabalha a inclusão social e a profissionalização. Em seu projeto ‘Açaí’, realizado com crianças do bairro do Jurunas, na sede do ‘Rancho Não Posso Me Amofiná’, ensina música através da voz, flauta doce e percussão, atendendo a 200 crianças. Com a Fundação Vale, atende mais de 200 crianças e adolescentes da rede pública de ensino, dando-lhes a oportunidade de profissionalização como musicista.

A coordenadora Izabel Boulhosa explica que o contato com orquestras vindas de outros países é mais um complemento a essa vontade de trazer a música para as comunidades paraenses. “O que mais me atrai nesse trabalho que fazemos é a sensação de que a gente está construindo algo para a sociedade e de forma gratuita. Trazer da Europa todos esses músicos são custos absurdos”, conta. E muitas vezes, a fundação conta com um pouco de sorte e ajuda.

“O coordenador da orquestra faz parte de um trio de músicos que trouxemos no ano passado. Ele gostou tanto do público paraense que conseguiu através de uma instituição alemã as passagens aéreas para trazer a orquestra de câmara da Hochschulefür Musik Karlsruhe para Belém. Os artistas abriram mão do cachê, e o hotel, vendo a importância dessa oportunidade, concedeu a hospedagem a preço popular”, conta.

Esta noite, o público paraense é aguardado por esse grupo que acreditou valer apena vir à Belém e a Fundação afirma que muitos concertos ainda serão um sucesso na cidade. “Belém tem uma vitalidade musical muito grande. Nosso público é heterogêneo, incluindo pessoas de todas as classes e idades. Tenho certeza que sim, é importante trazer esses músicos para cá e sei que muitos aqui estão interessados em apreciar”, declara Izabel.

(Diário do Pará)

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