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Avessos às redes sociais permencem resistentes

Para a psicóloga Adelma Pimentel, o que esse grupo de indivíduos que praticam a cultura do ‘cara a cara’ fazem é uma forma de resistência. “As pessoas que não querem aderir a essas redes são aquelas que não cederam às pressões para a prática social impost

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Para a psicóloga Adelma Pimentel, o que esse grupo de indivíduos que praticam a cultura do ‘cara a cara’ fazem é uma forma de resistência. “As pessoas que não querem aderir a essas redes são aquelas que não cederam às pressões para a prática social imposta pelo capitalismo. Elas encontraram uma forma de não ser consumido, de não se tornar mais um objeto. Elas conhecem todas as facilidades que a ‘cibercultura’ tem a oferecer, mas escolhem a interação real, não a ilusão”, analisa.

Essa mesma pressão social citada pela psicóloga, fez Lidiane Albim criar uma conta no LinkedIn – site voltado para a interação profissional – mas esta conta também não durou muito. “O meu professor falou que seria interessante eu ter, para as empresas me verem, criar contatos profissionais, socializar, só que eu parei de atualizar”. E explica o dilema que veio a sua mente diante do suposto objetivo do site: “É meio complexo. Você precisar se mostrar sociável, e para isso, usar uma rede, um meio virtual”. O que para ela não faz sentido.

A também avessa às redes, Juliana Nunes, 30, concorda com Lidiane e aproveita para explicar parte de sua preocupação com essa ‘cibercultura’. “Eu acho que, querendo ou não, você perde um pouco da sua individualidade. E eu noto que as pessoas começam a ficar viciadas com o tempo, e quando você vai se dar conta, já está colocando muita informação. Eu tenho uma amiga que chega a colocar ‘Acabei de sair do banco’”.

Interação somente online

Foi diante das postagens absurdas e a falta de interação real que Sue Costa, 33, professora de Museologia na UFPA, também abandonou seu Facebook. Sue diz que não tira os méritos nem deixa de enxergar as facilidades oferecidas pelas redes sociais, mas explica que fez uma opção. “Eu tive Facebook e o problema é que eu percebi que nele tudo era muito superficial. Observei que as pessoas dispensam muito tempo para falar bobagens. Abri mão disso em favor de ter mais qualidade nas amizades. Eu acho muito engraçado quem chega pra mim e fala ‘ah, eu falo todo dia com fulano’, e na verdade, faz meses que não encontra a pessoa, e às vezes essa conversa pela rede todo dia foi só duas frases ou um comentário em uma foto”, diz.

Esse ‘falar todo dia’ descrito por Sue é comentado pela doutora em psicologia clínica Adelma Pimentel, como um bom exemplo dessa ilusão. “A ‘cibercultura’ cria ferramentas para que os sujeitos se constituam. A rede traz essa redução das fronteiras de comunicação que pressiona o sujeito para crie essas ligações. No entanto, ela é uma ilusão por ser unilateral. Você não tem o confronto face a face, você não recebe a reação do outro. Para existir uma interação verdadeira você precisa que o outro se manifeste”, explica.

“Eu me sinto uma excluída da sociedade. Mas eu digo que sou lembrada de verdade por 15 pessoas que faço questão de falar. Hoje tu vês uma mesa de bar e está todo mundo no celular, uma meia dúzia hipnotizada. As pessoas perdem a capacidade de esticar uma conversa, a internet te deixa mal acostumado a olhar nos olhos das pessoas para conversar”, afirma Sue Costa. Ela conta que brinca com o amigo Alexandre Santana, também avesso às redes sociais, que os dois escreverão um livro que comece com algo do tipo ‘Como sobrevivi’.

Uma coisa que também incomoda, segundo Sue, é a necessidade de estar disponível 24 horas para todos. “Sou praticamente uma suicida social. Tem final de semana que eu desligo meu celular e as pessoas reclamam. Hoje, se você não responde o WhatsApp imediatamente, as pessoas cobram. Eu digo ‘gente, tem dia que eu não quero ser encontrada’. Às vezes quero ficar só eu e meu marido assistindo um filme”.

Uma pesquisa divulgada pelo Ibope este ano aponta que no Brasil, cada usuário da internet ficou cerca de 7 horas e 14 minutos em redes sociais, em média, por dia.

A pesquisa mostra ainda que o equivalente a 87% dos conectados participam de ao menos uma rede social. Para os que não estão nessa conta, sobreviver sem redes sociais é possível e bem mais saudável. Para eles, dá pra fazer uma boa rede de amigos sem precisar da internet. Afinal, todo mundo já disse ou ouviu a frase ‘Belém é um ovo’. “Quando tem alguma coisa, algum evento, meus amigos – esses 15 que realmente importam – me avisam”. E Sue, que há tempos deletou seu Facebook, ainda brinca de lamentar. “Não recebo mais feliz aniversário da menina com quem estudei na 3ª série”, brinca.

(Diário do Pará)

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