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Festivais são grandes oportunidades para fãs

Vários festivais têm conseguido manter uma tradição no Brasil, sendo realizados anualmente e trazendo para o público atrações que, isoladamente, talvez nunca tivessem colocado os pés em nosso país. Por enquanto, muito desses grandes eventos ainda rolam fo

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Vários festivais têm conseguido manter uma tradição no Brasil, sendo realizados anualmente e trazendo para o público atrações que, isoladamente, talvez nunca tivessem colocado os pés em nosso país. Por enquanto, muito desses grandes eventos ainda rolam fora de Belém e, por isso, tem uma galera que bota a mochila nas costas e se aventura a sair em busca de seus ídolos. O último grande evento mais comentado foi o Rock in Rio, considerado o maior festival de música do mundo, mas o mais recente foi o Monsters of Rock, realizado este mês em São Paulo.

O Rock in Rio tem 12 edições realizadas. Ele é um dos mais aguardados por quem se arrisca a viajar em busca da música. A engenheira civil Nathalia Soares,28, é uma dessas pessoas. Suas últimas aventuras foram o Rock in Rio deste ano, em setembro, e o Metal Open Air, realizado em abril de 2012, em São Luis (MA). “Me atrai a possibilidade de ver várias bandas, que eu gosto, de uma vez. Coisa que seria complicado fazer separado, porque aí eu gastaria mais. Você paga pelo preço que você pagaria pra ver uma banda em pista normal e vê até 10 bandas no mesmo dia”, diz.

Vantagens são muitas

Em termos de estrutura, o Brasil tem melhorado bastante nos últimos anos, contam os frequentadores. “Os banheiros eram limpos, sempre tinha papel. Tinham muitas opções de comida e entretenimento. Achei a estrutura muito boa. Os preços eram altos, mas isso era algo que dava pra esperar”, conta Nathalia. E para contornar o problema com os preços, planejar é fundamental. “O mais complicado é mesmo arrumar local para ficar. No caso do Rock in Rio, os locais esgotaram desde março e abril... Hotéis e albergues estavam cheios e a galera estava dependendo mais de conhecidos, casa de amigos onde pudesse ficar”, conta Luiz Thiago Pinto, 25, que também foi ao festival no Rio.

Outra vantagem encontrada por eles é o fato de viajar para lugares novos. É o que comenta Luiz Thiago. “Não deixa de ser uma oportunidade de conhecer uma cidade diferente, fazer amizades. Ali tem gente de todos os lugares do mundo. Vale muito a pena. Assisti aos shows nos dias de rock, mas fiquei uma semana lá”, conta. O estudante Breno Leal, 20, conta que chegou a trocar uma simples viagem a passeio pelo Rio de Janeiro pelo festival Monsters of Rock, em São Paulo.

Para Breno, isso tornou a programação muito mais vantajosa. “Eu já estava pensando em fazer uma viagem no segundo semestre desse ano, mas aí descobri a divulgação do festival pela internet e coincidia quase com o período do ano em que eu planejava viajar. Valeu mais a pena. Tive a chance de conhecer a cidade de São Paulo, conhecer pessoas. Acho que gastei até menos do que se eu tivesse ido pro Rio fazer outras programações. Ir a um festival é uma experiência única”, declara.

Opções para todos os gostos

Há festivais para todos os gostos e com os mais variados fins. Breno Leal, por exemplo, conta que não perdeu a oportunidade de ir ao Monsters of Rock, pelo fato de ter várias bandas internacionais e, principalmente, no estilo rock metal. “Ele é o único festival que tinha bandas pesadas, o que não é algo muito comum aqui no Brasil. Vi bandas que não costumam fazer shows aqui”, diz. E enquanto se organizava para ir, descobriu que não era o único interessado nessa chance de ouvir um estilo dificilmente trazido a Belém. “A priori eu ia sozinho, mas descobri que alguns amigos iam. Varias pessoas se locomoveram de Belém para São Paulo”, conta.

O Monsters of Rock é um festival de heavy metal e rock realizado na pista de corridas do Castelo Donington, na Inglaterra. E tem versões menores realizadas em outras cidades do mundo, como por exemplo, em São Paulo. Este ano foi sua volta ao país. As últimas quatro edições foram em 1994, 1995, 1996 e 1998. Nomes como Black Sabbath, Slayer e Iron Maiden chegaram a furar no ‘line up’ do evento no Brasil. Na contramão de quem vai atrás de bandas reconhecidas mundialmente e aguardadas por anos pelos fãs brasileiros, há quem esteja em busca do novo.

O Abril Pro Rock, por exemplo, é um festival anual, realizado desde 1993, em Recife (PE), no mês de abril. O evento se tornou referência nacional por levar ao público bandas e artistas conhecidos na cena independente do país inteiro e do exterior. Nomes conhecidos hoje, como Chico Science & Nação Zumbi, Mundo Livre S/A, foram revelados através do evento. Os integrantes do Los Hermanos, inclusive, apontam sua participação no Abril Pro Rock como sendo sua porta de entrada, anos atrás, para o cenário nacional.

“Se você gosta muito, acho válido. Eu não me arrependo de ter ido para nenhum dos dois festivais que fui. Por mais que o Metal Open Air não tenha ocorrido como deveria: não ter tido todas as bandas e não teve a duração ofertada, valeu a pena por ter assistido bandas como Megadeath, Symphonhy, Destruction, dentre outras que tocaram”, conta Nathalia Soares. O problema a que ela se refere aconteceu porque os produtores que estavam organizando o MOA (Metal Open Air) não pagaram os fornecedores e cachês das bandas.

“Muitas bandas se recusaram a tocar mesmo já estando em São Luís por não ter segurança. As bandas que tocaram foram aquelas que eles conseguiram pagar por completo. Muita gente entrou com processos pra reaver o dinheiro gasto para ir ao festival”, relata. Esse tipo de problema sempre pode acontecer, mas quem passou por qualquer dificuldade, ainda afirma que não abriria mão da experiência que teve. “A única coisa ruim dos festivais é que eles são cansativos, mas eu acho que vale a pena ver tantas coisas diferentes reunidas”, conclui Nathalia.

Planejamento tem que ser o primeiro passo

Segundo os viajantes de plantão Thiago, Breno e Nathalia, a primeira coisa a fazer quando se quer ir a um festival fora de Belém é procurar lugar. “É que logo fica caro”, comenta Nathalia. Além disso, traçar rotas do local onde estiver hospedado até o festival, para escolher o mais viável. Procurar saber se tem transporte coletivo pra ir. “Até que horas, onde pega, os valores, se não sai mais em conta alugar um carro”, explica Thiago.

Na hora de escolher a hospedagem, ver o que é mais vantajoso, entre ficar em hotel, albergue e alugar um apartamento. “Se forem pelo menos quatro pessoas, melhor pagar um apartamento, porque você gasta o equivalente a uma diária a dois/três em um hotel, mas tem uma cozinha, geladeira e privacidade”, recomenda Nathalia. Uma sugestão de festival para quem quer se preparar com antecedência, como sugerem os três, é o Lollapalooza 2014.

Composto por gêneros como rock alternativo, heavy metal, punk rock e hip hop, o Lollapalooza é um festival realizado anualmente e que sempre traz nomes aguardados no Brasil. O destaque do ano passado foi a vinda do Pearl Jam. Para 2014, o festival já começa a ser divulgado e ter novidades. O site do evento já informa que o novo espaço usado é cinco vezes maior que os anos anteriores. Pra chegar ou sair do autódromo, a organização dá dicas de como ir de trem, ônibus, bicicleta ou carro. Quem for de carro com pelo menos quatro pessoas ainda ganha vouchers de alimentação para gastar no festival.

As bandas para o próximo ano ainda não foram divulgadas.

Música e também consciência

Mais que um evento musical, muitos dos festivais de música também buscam abordar temas como violência, políticas públicas e sustentabilidade. O SWU Music & Arts Festival, por exemplo, é considerado um festival de música e de consciência socioambiental realizado anualmente no interior de São Paulo. Idealizado pelo publicitário Eduardo Fischer, ele reúne grandes nomes da música nacional e internacional em três dias de festa. A mesma ideia tem aparecido durante a divulgação de outros festivais. Contudo, muitos deles ainda pecam em alguns detalhes.

Nathalia Soares comenta que o Brasil tem sido capaz de oferecer festivais com estrutura adequada e bem organizados. No entanto, essa vontade de incentivar uma nova consciência através dos eventos ainda deve ser levada mais a sério. “Não adianta só oferecerem um festival com uma megaestrutura se as pessoas não são educadas pra cuidar, jogam lixo no chão. No Rock in Rio quase não havia lixeiras, e olha que eles falaram que aumentaram o número nesse ano, imagine. Fora que não tinha coleta de lixo dentro do festival. As lixeiras estavam lotadas aí não tinha espaço e caía no chão”, conta.

Os próximos festivais

- FESTIVAL DE VERÃO

O Festival de Verão de Salvador 2014 acontece de 29 de janeiro a 1º de fevereiro, no Parque de Exposições, na capital baiana. É a 16ª edição do evento que mistura vários ritmos. São mais de 100 atrações musicais e o público esperado é de 200 mil pessoas. Os ingressos podem ser comprados pela internet,

no site da Ingresso Rápido, pelo telefone (71) 4003-1212.

- LOLLAPALOOZA

O Lollapalooza está marcado para os dias 5 e 6 de abril, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo (SP). Agências de turismo e linhas aéreas costumam preparar pacotes incluindo passagem aérea, hospedagem e translado hotel/evento. Mais informações no site: www.lollapaloozabr.com.

(Diário do Pará)

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