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Fotógrafo do DIÁRIO quer prêmio internacional

“Uma das coisas mais difíceis é conseguir achar sua identidade fotográfica. Eu já encontrei a minha e com certeza é a fotografia noturna de rua e documental”, assim o fotógrafo Wagner Almeida, de 32 anos, define o seu trabalho e a sua “personalidade” foto

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“Uma das coisas mais difíceis é conseguir achar sua identidade fotográfica. Eu já encontrei a minha e com certeza é a fotografia noturna de rua e documental”, assim o fotógrafo Wagner Almeida, de 32 anos, define o seu trabalho e a sua “personalidade” fotográfica e artística.

Nascido em Belém do Pará, em 1981, cursou até o ensino médio e ainda na adolescência trabalhou em um estúdio fotográfico onde foi iniciado por sua mãe fotógrafa. Atualmente, trabalha como repórter fotográfico do Jornal DIÁRIO DO PARÁ desde 2008, e é servidor público, atuando também como fotógrafo institucional.

Durante todas as madrugadas ele faz rondas policiais, atuando pelo caderno Polícia e registra constantemente imagens impactantes da realidade de crimes de assassinatos ocorridos na capital paraense.

Porém, estes registros fotográficos que poderiam ser reproduzidos com imagens cruas e secas da violência, mostrando em alta resolução cenas de homicídios com frieza e brutalidade, “manchando de sangue” as páginas do jornal, por ele, são feitas com um olhar artístico e humano sobre o que pode ser visto a olho nu.

As “viagens” fotográficas feitas por Wagner que possui um olhar delicado, meticuloso e preocupado com o resultado final, o levou a vencer em primeiro lugar com uma série de fotografias de corpo em locais de crime que teve o tema: “Livrai-nos de todo o mal”, a quarta edição do Prêmio Diário Contemporâneo, deste ano.

Com uma câmera nas mãos e buscando sempre as novidades em experimentações fotográficas que aparentemente, para ele, não tem fim, em uma entrevista realizada, entre um local de crime e outro, durante rondas policiais na madrugada, ele conta como é o seu trabalho e o que espera daqui pra frente.

Realidade retratada sem poesia e com talento

Cada fotógrafo pode ser um artista diferente e cada detalhe pode ser importante para que a imagem tenha o resultado esperado. Wagner faz rondas policiais e explica que ao chegar a um local de crime, a observação da cena, por exemplo, é crucial.

“Eu observo antes de fazer as fotos, todos os detalhes são importantes. As sombras, os letreiros, tatuagens com mensagens, luzes... O corpo fica imóvel e isso limita a composição das imagens, mas você tem que procurar todos esses recursos para compor um cenário que te agrade”.

Para ele, a composição destas imagens, principalmente de homicídios, pode ser artística, mas depende da sensibilidade de cada profissional. “Tem como fazer foto artística para o caderno policial, só que isso depende da sensibilidade do fotógrafo. Mas a busca por poesia na foto de crime é um pouco difícil, porque temos que mostrar os fatos na imagem que vai pro impresso”, declarou.

Apesar dos constantes resultados de imagens aparentemente sensíveis para um caderno policial, Wagner diz que não se preocupa em sempre obter resultados com um tom artístico. “Eu jamais me preocupo em sempre ter uma foto artística; tento ficar livre desse tipo de obrigação e acho que iria atrapalhar o resultado final, caso eu tivesse esse tipo de pensamento. Eu faço algo que agrade a mim, mas também faço para o jornal”.

Todo fotógrafo estuda novas possibilidades, busca conhecer o trabalho de outros profissionais e naturalmente tem ídolos. Além de James Nachtwey, Alan Harvey, Luiz Braga e Roberto Soares Gomes, que ele cita como referências na fotografia, Wagner Almeida conta que também buscou influência de colegas de trabalho.

“Tive a sorte te estar rodeado de notáveis profissionais, dentro do DIÁRIO. A fotografia é uma escolha, você tem que praticar, olhando fotografias de outros fotógrafos e o que te agradar mais é por onde se deve começar. Tive referências com o Ney Marcondes, Cezar Magalhães, Rogério Uchôa, Wagner Santana, Jaime Sousa... pessoas que estão e outros que passaram pelo DIÁRIO”, afirma.

Durante um longo período, as imagens das páginas policiais eram cruas e “nuas”, retratando detalhes sórdidos de crimes, pessoas com vísceras expostas, crânios destruídos, entre outras situações. Nos últimos anos, este tipo de publicação foi vetado pela Justiça. Este fato também auxiliou na busca da criatividade de cada um.

“Quando eu entrei no jornal em 2008 a ‘cara’ das imagens já estava mudando. Nessa época teve uma portaria proibindo publicação de imagens violentas. Essa obrigação ajudou a todos, não só eu, a mudar o estilo de fotografar”, disse.

‘Vou levar o ambiente sombrio para o espectador’

Após receber o primeiro Prêmio Diário Contemporâneo, Wagner Almeida fala de um sonho realizado e de novos sonhos e do reconhecimento no meio profissional. “Estou me empenhando para conseguir um prêmio incrível, que acho que não é impossível, mas bastante difícil, por causa dos experientes fotógrafos participantes. É o World Press Photo, prêmio internacional de fotografia. É como se fosse um Oscar da fotografia. Além disso, tenho vontade de um dia publicar um livro com as minhas fotos”, declara.

Ele finaliza mostrando que está sempre em busca de novidades, experimentações e novos conceitos, mas sempre sem perder a sua identidade, que para ele, já foi encontrada e pode ser vista nas páginas policiais e futuras séries e exposições.

“Já tenho uma série de fotografias de local de crime que aborda a escuridão olhando de um ângulo mais aberto do que a série ‘Livrai-nos de todo mal’. Neste novo ensaio, eu estou explorando os lugares onde as vítimas foram assassinadas e vou levar o ambiente sombrio para o espectador. Uma das coisas mais difíceis é conseguir achar sua identidade fotográfica. Eu já encontrei a minha e com certeza é a fotografia noturna de rua e documental”, finalizou.

(Diário do Pará)

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