Um clássico para crianças, “O Mágico de Oz” encontrou versões em várias linguagens. A mais conhecida é a cinematográfica, de 1939, produzida pela MGM e totalmente baseada no livro infantil homônimo de L. Frank Baum. E uma nova forma de contar essa história nasce da dedicação de crianças e jovens da companhia Luz Centro de Dança, em Belém. Nos palcos do Theatro da Paz, 90 bailarinos levarão ao público a emocionante história da pequena Dorothy Ventania.
Os passos foram treinados desde o início do ano. Cada movimento escolhido para aprender e aperfeiçoar nas aulas foi com base no espetáculo - uma tradição anual da companhia de dança. Porém, muitos dos bailarinos que estarão no Theatro da Paz são jovens - muito jovens. Segundo Aliny Luz, bailarina e dona da companhia, participam do espetáculo, crianças a partir dos três anos de idade, até bailarinas experientes. “Todos participam em cena com os personagens principais, os movimentos são ensaiados ao longo do ano”, conta.
Elen Rocha, 22 anos, é estudante de Licenciatura em Dança na UFPA e professora das crianças de 8 a 10 anos. Segundo ela, esse foi um processo lento, mas que resultou em um excelente trabalho. “E é um momento único para os dançarinos. É no palco que a gente se faz artista. As crianças já não falam em outra coisa”, declara. A montagem levou cerca de três meses, o que incluiu o estudo de cenário e da trilha sonora. O que não é fácil, pois toda a história é cheia de nuances em suas várias versões.
“O principal desafio encontrado foi justamente que, como a gente se guia pelo filme, é complicado passar para o público as cenas e diálogos. Colocar em dança essa leitura foi um dos maiores desafios”, afirma Aliny Luz, que também é coreógrafa. A sonorização do espetáculo é feita apenas com músicas instrumentais. Outros espetáculos, como Peter Pan, já foram encenados, mas professores e dançarinos acreditam que em “O Mágico de Oz” há uma magia incomparável.
Narrativa cheia de mistérios e encantos
“Ela é uma história encantadora, e que muitas pessoas pedem para que seja usada nos espetáculos”, afirma a bailarina Elen Rocha. Mas o que há de tão encantador? Talvez a própria história, onde a pequena Dorothy, uma das personagens principais, e seu cãozinho Totó são levados por um tornado durante uma forte tempestade. Escondidos em uma casa, são arremessados numa terra desconhecida e caem em cima de uma bruxa, a qual pertencem sapatinhos prateados que passam a ser usados pela menina (no filme clássico, a cor dos sapatos é vermelha).
Para voltar para casa, a menina recebe dos habitantes locais a orientação de que deve procurar a ajuda do Mágico de Oz. O caminho era a longa estrada de tijolos amarelos, onde encontra o Leão Covarde, o Espantalho e o Homem de Lata. O grupo é recebido pelo Mágico, que lhes dá a missão de livrarem-se da malvada Bruxa do Oeste. Dorothy consegue derrotá-la, mas quando volta, descobre que o Mágico é apenas um pobre velhinho que chegou à Terra de Oz num balão desgovernado.
Ainda assim, ele atende aos pedidos. Para o Espantalho, dá um certificado da universidade - com o qual o boneco passa a se sentir inteligente; o Homem de Lata ganha um coração; e o Leão, uma medalha por sua coragem. Para Dorothy, constrói um balão para saírem juntos de Oz. No dia da partida, Totó escapa e o balão segue, levando apenas o mágico. A menina e seus amigos vão até as terras da Bruxa Boa do Sul, a qual revela que a solução do problema estava em seus pés.
“Com a magia dos sapatinhos prateados, a Dorothy voa para casa. Mas, muitas outras aventuras foram escritas por L. Frank Baum em uma série de livros, como se tudo não tivesse mais fim”, declara Camila Santos, 19, estudante de Letras e fã da história. Ela aproveitar para dar uma dica: “Acho interessante transformar tudo em dança. A história é muito boa para ser trabalhada com várias artes. Mas acho que vale a pena conhecer os livros também, o livro é a fonte de tudo. O restante são releituras - muito boas -, mas são a visão de outras pessoas e não do autor original”.
Assista!
Espetáculo “O Mágico de Oz”, produzido pela companhia Luz Centro de Dança. Local: Theatro da Paz, dia 22 (sexta-feira), às 19h30. Os ingressos já estão disponíveis na bilheteria do teatro. Valor: R$20 a R$35. Informações: (91) 4006-8750.
O filme
“The Wizard of Oz” - que em língua portuguesa pode ser traduzido como “O Mágico de Oz” - é um filme de 1939, produzido pela Metro-Goldwyn-Mayer (MGM). Estrelado por Judy Garland, Frank Morgan, Ray Bolger, Jack Haley, Bert Lahr, Billie Burke e Margaret Hamilton. Utiliza nas sequências no Kansas, cidade onde Dorothy mora, imagens em preto-e-branco com tons em marrom. Nas cenas em Oz, o filme passa a receber cores através de uma técnica chamada Technicolor.
Sincronia com Pink Floyd
Alguns fãs da história infantil e da banda Pink Floyd afirmam que há uma sincronia entre o disco Dark Side of the Moon e o filme. Ao colocar o álbum para tocar a partir do terceiro rugido do leão da MGM, há cenas, frases e elementos do filme, sons, olhares, que sincronizam com as músicas. Alguns dizem que quando ele é tocado a partir do primeiro rugido, a sincronização é ainda melhor. No entanto, os membros do Pink Floyd insistem que o fenômeno é uma coincidência. O vocalista David Gilmour chegou a dizer que “algum cara com muito tempo livre teve essa ideia de combinar ‘O Mágico de Oz’ com ‘Dark Side of the Moon’”.
Mas há várias “coincidências”, como o verso “balanced on the biggest wave” (balançando na maior onda), que é cantado exatamente quando Dorothy está se equilibrando em uma cerca. Há outra cena em que Dorothy vira-se e olha justamente quando o verso “look around” (olhe ao redor) é cantado. E o que dizer quando Totó aparece rindo para Dorothy no mesmo instante em que uma risada pode ser ouvida no CD? Para finalizar, quando o verso “home, home again” (casa, casa de novo) começa a ser ouvido no disco, ao mesmo tempo, é dito para Dorothy que ela precisa ir para casa.
(Diário do Pará)
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