Tropicalismo é um dos movimentos culturais mais conhecidos da história musical brasileira, misturando o que havia de mais popular com inovações estéticas radicais entre os anos de 1967 e 1968. Ele não foi propriamente voltado para a música, mas foi nela que encontrou seus principais representantes, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Os Mutantes e Tom Zé. Este último, inclusive, chegou a apresentar-se na última sexta-feira (15), em Belém, mostrando-se ainda muito ativo e criativo para manifestar-se sobre os temas mais discutidos na sociedade brasileira. Nas artes plásticas, ainda tivemos Hélio Oiticica; no cinema, Glauber Rocha; e no teatro, com reconhecidas peças anárquicas, José Celso Martinez. O movimento começou com a reunião de diversos artistas baianos. As letras eram quase como códigos. A música “Alegria, Alegria” de Caetano Veloso carrega toda uma preocupação com a violência da ditadura. Um movimento onde “você tinha a guitarra, o berimbau e o violino tocados pela mesma banda, juntos, e dava certo”, declara Vanessa Ramos, 27 anos, fã de Mutantes. As letras eram influenciadas pelas correntes artísticas de vanguarda e da cultura pop nacional e estrangeira. E ao unir o popular com a liberdade de experimentação estética, as ideias tropicalistas impulsionaram uma modernização não só da música, mas da própria cultura nacional. Para quem deseja voltar ao movimento da Tropicália, nesse período tão criativo da música brasileira, os músicos paraenses Renato Torres, Olivar Barreto e Joelma Klaudia preparam o show “Tropicália”, hoje, no Centro Cultural Sesc Boulevard. A apresentação acontece às 19h e tem entrada franca. O trio já adianta que seu repertório irá incluir “Domingo no Parque”, de Gilberto Gil e “Geleia Geral”, de Gil e Torquato. Esta é a quinta edição do show, que teve início com Renato Torres, ao convidar os outros dois músicos para esse projeto. E teve uma excelente receptividade do público desde sua primeira edição. “Devido a isso, fizemos uma segunda edição e foi ainda melhor. Depois uma terceira e uma quarta, sempre com um público grande e gostando do show”, afirma Olivar Barreto. O movimento, ainda de acordo com Olivar, foi de forte influência em seu trabalho autoral e como intérprete. “Acredito que não só pra mim, mas pro Renato e Klaudia, eles foram uma influência muito forte. Já fiz show do Gilberto, Caetano e artistas que, mesmo que não estivesse diretamente, mas ficavam em torno, gravitando naquele ambiente da Tropicália”, declara. “Meu primeiro disco já tem um ambiente do movimento em todas as faixas, e não a Tropicália, mas todo o cenário setentista, com Beatles, Janis Joplin e outros grandes artistas”, completa Joelma. Todos os músicos afirmam ter escutado bastante os artistas da época. “É um show onde os três se sentem muito a vontade para cantar. Acho que o sucesso está aí, acredito que as pessoas observam como ficamos bem fazendo o show”, diz Olivar. E Joelma acrescenta o enlace existente no grupo. “A voz do Renato somada à minha e a do Olivar, juntando todo o grupo que nos acompanha forma um círculo sonoro muito bacana. Somos todos apaixonados por essa época tropicalista, não tinha como dar errado”. O encanto pela Tropicália, segundo ela, vem principalmente “da liberdade de expressar o pensamento em notas musicais. É um movimento que expressa uma juventude com muito mais força para lutar”, afirma. (Diário do Pará) |
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