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Cantores se consagram com louvores de Deus

Nas mãos uma Bíblia e na outra o microfone, que ora se serve para amplificar o testemunho e ora para louvar a Deus. Hoje, com os cabelos cortados, cavanhaque sempre bem feito e vestindo paletó e gravata, não chega nem a lembrar, de longe, aquele estilo “b

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Nas mãos uma Bíblia e na outra o microfone, que ora se serve para amplificar o testemunho e ora para louvar a Deus. Hoje, com os cabelos cortados, cavanhaque sempre bem feito e vestindo paletó e gravata, não chega nem a lembrar, de longe, aquele estilo “brega” que estourou no final da década de 1990. O sucesso era tamanho que ganhou até uma matéria especial no programa Fantástico. Na época, as letras de suas canções falavam de amor e da paixão entre os casais. Entre elas, “Não se vá”, “Merengue do Galo Gay” e tantos outros, que tocaram em muitas rádios. Agora, as músicas de Fernando Belém continuam exaltando o amor, porém o amor a Deus. Ele é um dos muitos cantores paraenses que deixaram de cantar brega e se converteram ao gospel.

Uma mudança cultural e religiosa que ainda provoca muita polêmica e alvo de críticas entre as pessoas. Afinal, o que leva um artista a se tornar evangélico? Para muitos, a resposta parte do princípio de uma suposta prosperidade. É um segmento promissor. Também não dá para negar que o crescimento do número de novos evangélicos se deve a fatores diversos – que estão muito além de questões financeiras.

No caso de Fernando Belém, o seu depoimento não difere de um discurso comum entre os recém-convertidos. O cantor estava cheio de dívidas e falido, chegou inclusive a tentar carreira política e não deu certo. O sucesso de sua carreira como cantor popular e as noitadas, no fundo, lhe renderam prejuízos que, por pouco, não o levaram ao “fundo do poço”. Entrevistá-lo, atualmente, nada mais é do que segmentar o testemunho de sua experiência com Jesus.

Ele ressalta que a sua conversão aconteceu em um momento de fraqueza e, segundo ele, Deus tocou em seu coração e ele abriu os olhos para um novo mundo. “Geralmente as pessoas só procuram por Deus quando estão com dificuldades financeiras, problemas de saúde ou desempregadas”, atenta.

“No meu caso, eu estava enfrentando dificuldades financeiras. O sucesso leva à facilidade da gente cometer adultério. E, devido a sua fama, você fica com vergonha até de dizer que não tem carro e começa a emprestar e alugar sem condições. Eu estava em decadência. Vivia de aparência”, disse Fernando Belém.

Os anos de 1997 e 1998 podem ser considerados o período de maior sucesso do cantor, que fez show por todo o Brasil, na América do Sul e também no Caribe, onde ficou conhecido como o “Rei do Merengue”. Após este período, o brega de salão perdeu espaço para o tecnomelody. A banda Calypso começou a fazer sucesso pela região Nordeste.

De cantor popular, Fernando passou para cantor da saudade e a ter um público mais restrito. Fazer sucesso diante disso, era sinônimo de resistência. “Entrei para a carreira política em Curuçá, em 2008, mas não ganhei as eleições. Nem o candidato a prefeito que apoiei ganhou”, acrescenta.

O cantor tinha investido todas as suas últimas economias na carreira política. Até o projeto de lançar um CD de cúmbia, em Manaus, durante a Copa do Mundo, ficou impossibilitado de ser realizado, por falta de recursos.

“Foi quando voltei para Belém com uma mão na frente e outra atrás e a minha filha, que é evangélica, falou que tinha conhecido uma pessoa que poderia me ajudar a levantar novamente. Perguntei quem seria, ela disse que era Jesus”, conta. “Daí, lembrei que sempre tem uma mão para te ajudar, quando você está no fundo do poço”, exalta.

Louvor em ritmo de merengue

“O primeiro momento de oração aconteceu no início de uma noite de terça-feira e o pastor falou diretamente muitas coisas para mim e eu passei a acreditar”, afirma o cantor Fernando Belém. De lá pra cá, já se passaram cinco anos e Belém já lançou dois álbuns de música gospel.

“Faço shows todo final de semana e agora levo louvores a Deus”, diz o artista. Apesar do caráter de suas músicas terem mudado, ele frisa que os louvores que canta são em ritmos de zouck, merengue e cúmbia, o que, de certa forma, preserva a sua identidade enquanto cantor do povo. “Agora do povo de Deus”, brinca Fernando.

Questionado se agora tem dinheiro ou voltou a ter, o cantor sorri e diz que Deus nos dá as coisas e o que precisamos no tempo certo. Apesar de ser um evangélico novato, não faz o tipo de religioso que julga as pessoas, apontado-as como “certas” ou “erradas”, garante.

Para ele, a mudança – ou transformação em sua vida, como prefere dizer – não gerou repúdio dos fãs e considera, inclusive, que ganhou até novos seguidores. “Não deletei meus amigos. Pelo contrário, hoje, posso inclusive levar a palavra de Deus para eles”, pontua.

(Diário do Pará)

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