A intenção é falar de Amazônia e seus personagens, independente do lugar de onde você veio. “Literatura de expressão amazônica, quer dizer pessoas que tratam da Amazônia em sua obra, mesmo não sendo necessariamente da Amazônia. É preciso apenas ter um olhar sobre nós, sem ser aquela coisa exótica”, define a professora Célia Jacob em seu convite para que todos participem do 19º Fórum Paraense de Letras.
Em princípio, a floresta amazônica parece ser homogênea como sua cobertura de verdes folhas. Mas, ao se aproximar, encontramos identidades próprias, vivências próprias, que acabam dando novas cores à floresta, como é o caso das comunidades tradicionais e urbanas espalhadas por suas cidades e lugarejos amazônicos. Com o tema “Amazônia: Sujeitos e Predicados - Diversidades, Identidades, Linguagens, Memórias”, o Fórum quer encontrar e discutir formas de olhar essas formas de viver.
As atividades serão realizadas a partir de amanhã até o dia 28 deste mês, no campus Alcindo Cacela da Universidade da Amazônia (Unama). “Quanto ao subtema do Fórum, há nele duas palavras que acabam por envolver as demais : Identidades e Diversidades . Refletir a respeito de identidade(s) é recuperar em nosso imaginário o contato que mantivemos com o outro, com o qual nos relacionamos e, a partir do qual nos construímos”, observa a professora Célia Jacob, coordenadora do evento.
Globalização que exclui a Amazônia
“Nós procuramos dentro do tema Abordagem Literária da Amazônia, mostrar que precisamos furar os bloqueios existentes e divulgar nossa cultura”, explica a professora Célia Jacob sobre a edição deste ano do Fórum de Letras. Pelo formato de debate do evento, os participantes esperam ter a abertura necessárias para essas discussões. “Conseguir focar nos sujeitos e predicados da Amazônia, nos concentrar no homem e na mulher da Amazônia”, completa Célia.
Um dos assuntos a serem discutidos são os meios para que a literatura voltada para a Amazônia esteja mais presente na formação básica e superior. “Os programas de vestibular, por exemplo, cada vez fica mais difícil de perceber se há a inclusão de escritores locais. No Enem, se percebe que não há nenhum autor de literatura de expressão amazônica, isso ficou muito reduzido. Isso é uma coisa que preocupa, sem querer ser regionalista, mas que tenha essa preocupação com a linguagem”, declara a professora Célia.
A maior preocupação dos que participam do encontro é que existem muitos profissionais bons de expressão amazônica, escritores, músicos, artistas plásticos, “mas que estão limitados a ser conhecidos apenas aqui. O próprio Milton Hatoum, que estará no fórum, conseguiu furar esse bloqueio, mas são poucos que conseguem, apesar de vivermos um mundo globalizado”, afirma Célia.
Milton Hatoum abre a programação
A abertura do Fórum de Letras ocorre amanhã, às 19h, no auditório David Mufarrej, no campus da Unama da Avenida Alcindo Cacela, com a palestra “Literatura, Linguagem e Memória”, a cargo do escritor amazonense Milton Hatoum.
No dia 27, a partir das 9h, no mesmo local, haverá sessões de comunicação, mesas redondas, explanações e debates sobre os temas “Ensino, Aprendizagem e Uso de Línguas Estrangeiras em Contexto Amazônico”, “Linguagem, Variação Linguística e Ensino na Amazônia Paraense”, “O Ensino de Literatura do Pará na Amazônia”.
Os temas a serem abordados no dia 28, a partir das 9h, são “Literatura, História e Memória da/na Amazônia” e “Amazônia, Temática que norteia a Literatura”. Ao longo do Fórum, o público poderá conferir a mostra “Amazônia: Sujeitos e Predicados”, entre os dias 26 a 30.
Haverá minicursos e a apresentação, amanhã, do Coro Cênico da Unama com a performance “Ruy Barata, um sujeito da Amazônia”. A mostra “Ocupação”, do curso de Artes Visuais ficará aberta ao público do dia 26 a 30. Além disso, será realizada uma leitura dramática, dia 28, e lançamento de livros com os escritores Milton Hatoum, Antônio Moura, Marcílio Costa e Willie Bolie.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar