“O amor não como aconteceu, mas como você se lembra” - assim o autor e diretor da peça ‘A Reinvenção do amor’ define do que se trata sua obra. Saulo Sisnando, que já trabalhou com espetáculos macabros e sangrentos, como “O Incrível Segredo da Mulher-Macaco”, encenado no Rio de Janeiro por mais de dois anos, e “O Misterioso desaparecimento de Deborah Rope”, está voltando às comédias românticas. A ideia é fazer a plateia reviver suas histórias de amor como elas realmente aconteceram.
Segundo o diretor, ao utilizar recursos de teatro e cinema, ‘A reinvenção do amor’ é uma peça-filme. “Eu já tinha feito essa mistura de cinema com teatro com as peças mais macabras e agora decidi experimentar com o romance. Nessa, a ideia é mesmo utilizar o teatro para homenagear o cinema. Eu utilizo o local físico, a sala de cinema, como cenário de um grande amor - um casal que se encontra semanalmente para assistir filmes clássicos e se apaixona”, conta.
Em cena, os atores Flávio Ramos e Marta Ferreira, revezam-se em diversos personagens, mergulham em lembranças que não necessariamente foram vividas. “Os personagens contam de seu amor como se lembram e não como aconteceu. São usados filmes da década de 1940, como Casa Blanca e Morro dos Ventos Uivantes, como se alguém fosse ao cinema, pegasse as histórias e transformasse na sua memória de vida”, explica o autor.
Na escolha de um cinema como cenário, é realizada mais uma homenagem. O cinema que os personagens frequentam é o Cine Palácio - nascido em 12 de dezembro de 1959, ele previa “o máximo de luxo e conforto”. Presente na memória de muitos belenenses, o Palácio torna-se cenário romântico. “É uma peça onde o público pode se reconhecer com facilidade. Tem uma identidade regional sem ser regionalista. Mostra um paraense urbano que vai ao cinema, à Praça da República, locais que são comuns a todos nós”, afirma Saulo.
O diretor declara ainda, que, aos solteiros, sua peça serve como uma rememoração de aventuras românticas. “É um pedido para deixar para trás os que se foram e encarar novos horizontes e possibilidades. Afinal, se os ‘ex’ fossem tão perfeitos assim, eles ainda estariam aqui. E não lá! Aos casados, é um convite para se reinventar todos os dias, surpreender seu amor a cada segundo, para que a solidão seja apenas uma palavra a habitar empoeirada os dicionários dos outros sem sorte”.
Outros romances de Saulo Sisnando
A relação de Saulo com a comédia romântica não é recente, muito pelo contrário, sua estreia como escritor é o espetáculo “Útero – Fragmentos Românticos da Vida Feminina”, que retrata o universo das mulheres de forma bem humorada. Sua primeira montagem ocorreu em 1997 e chegou a ser remontado, ambas as edições do espetáculo obtiveram sucesso nos palcos paraenses.
Em “Cartas para ninguém”, que teve remontagem em 2009, uma simples história de amor é usada como metáfora para recontar o cotidiano de Belém. Margot, personagem principal, escreve cartas de amor dedicadas a Ricardo, enquanto está sentada no último banco de ônibus da linha Pedreira-Nazaré, passeia na Mesbla, toma sorvete na Santa Marta e vai ao Cine Palácio - mantendo a linha de trabalho de Saulo, sempre voltado para o cenário belenense em suas mais variadas épocas.
Serviço
Peça a ‘Reinvenção do Amor’.
Últimas apresentações hoje, às 21h, e amanhã, às 20h
Local: Teatro Cuíra
Endereço: Rua Riachuelo, esquina com a Travessa 1º de Março – Centro
Ingressos: R$ 20.
Ficha Técnica
Texto e Direção: Saulo Sisnando
Assistente de Direção: Enoque Paulino
Elenco: Flávio Ramos e Marta Ferreira
Figurinos: Grazi Ribeiro
Operação de Som: Rony Hofstatter
Iluminação: Wallace Horst
(Diário do Pará)
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