Na aurora do tempo, ele combatia gigantes. Foi crucificado na Idade Média. Na era das revoluções, se fez rei e nadou em dinheiro. Esteve presente na época do “sexo, drogas e rock’n’ roll” e das conquistas espaciais. Derrotou divindades. Dormiu com a morte. Um personagem bom e mau, covarde e herói ao mesmo tempo. O rei do mundo. E onde ele existe? No fundo do coração de todos os indivíduos.
Esse é Ekhart, o personagem principal do espetáculo “Peço a Deus que me livre de Deus”, uma adaptação do texto “Ekhart, o Cruel”, do escritor, jornalista e editor mineiro, Luiz Fernando Emediato, feita pelo professor da Escola de Teatro e Dança da UFPA, Paulo Santana. A peça está em cartaz a partir de hoje até 08 de dezembro, no Teatro Cláudio Barradas, sob a direção de Paulo Santana e Marluce Oliveira e tendo no elenco 22 alunos do curso Técnico em Ator.
Segundo Paulo Santana, “Peço a Deus que me livre de Deus” é um texto que fala da humanidade e também da desumanidade, abordando aspectos como violência, ganância e busca pelo poder e fama. Nela, Eckhart é um velho que tinha o desejo de ser rei. A história então passa por toda a sua juventude, seus amores e os caminhos que percorreu para chegar a esse objetivo. Referências a Shakespeare e fatos históricos e bíblicos esperam por quem for conferir essa peça que oscila entre o drama e o humor negro, sempre com um sentido de crítica social.
Tema que faz parte do cotidiano
Os alunos da Escola de Teatro e Dança da UFPA têm na peça “Peço a Deus que me livre de Deus” o resultado final da disciplina Montagem I, que, como explica Paulo Santana, consiste no primeiro exercício de prática de montagem do curso, que dura dois anos. Nesse primeiro momento, a turma experimenta a construção em cima de uma obra fechada na estrutura e no texto. Ele é seguido de Montagem II, onde os alunos se tornam intérpretes-criadores, podendo influenciar em todo o processo e desconstruir a obra que montam.
Não somente os alunos do curso Técnico em Ator participam da montagem. Os formandos do curso de Cenografia também estão no projeto, assim como os alunos de Figurino. O professor conta que, mesmo trabalhando com pouco dinheiro, o sonho é o suficiente para transformar o que tem no cenário perfeito para a história. Uma estrutura feita de pallets faz do palco uma igreja e o figurino dos atores é como uma couraça, que imita o corpo humano deformado, pintado à mão e feito de material reaproveitado.
No elenco, atores jovens, como Renan Belmont e Wan Moutinho, que interpretam Ekhart quando velho e Thainá Monteiro e Caio Nascimento, que o interpretam quando jovem. Duas equipes revezam como elenco na apresentação do espetáculo. Para Paulo, essa participação dos jovens é muito importante. “Temos que colocar esses temas na boca dos jovens, pois eles estão envolvidos nesse cotidiano e são vítimas dele”, acredita.
(Diário do Pará)
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