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Peça sobre Machado de Assis entra em cena em Belém

Ele é o fundador da Academia Brasileira de Letras, um imortal da literatura e, no entanto, é assassinado por uma de suas próprias criações. Um dos mais elogiados textos do dramaturgo paraense Carlos Correia Santos, o espetáculo ‘O Assassinato de Machado d

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Ele é o fundador da Academia Brasileira de Letras, um imortal da literatura e, no entanto, é assassinado por uma de suas próprias criações. Um dos mais elogiados textos do dramaturgo paraense Carlos Correia Santos, o espetáculo ‘O Assassinato de Machado de Assis’ fará temporada no Espaço Cultural Atores em Cena nos próximos dois fins de semana. A partir de hoje, dia 05, até o domingo, dia 08; e dos dias 12 a 15, sempre às 20h.

Narrado de forma cômica, ‘O Assassinato de Machado de Assis’ ganha vários suspeitos dentro das histórias da própria vítima. Tudo começa com o autor tornando-se um dos ‘imortais’ nas Letras Brasileiras. A expressão ‘imortalidade literária’ não teria sido criada à toa. Era um fato. Ao receber a honraria, Machado de Assis ganhou o direito de mergulhar em sua própria obra. Assim, passou a conviver com seus personagens.

Só não sabia o grande risco que estava correndo.
Uma de suas criações, com ciúme do sucesso maior de outras, decidiu cravar um punhal em suas costas durante uma visita que o pobre autor fazia ao túmulo de Brás Cubas. Diante do crime horrendo, Capitu, que acredita ser a pivô para o crime, procura o detetive Queiroz para realizar as investigações. O enredo se desenrola investigando qual personagem seria capaz de tal crueldade e quais as suas motivações.

Entre os suspeitos da morte, a inconformada Helena, que foi titular de um romance, mas nunca fez tanto sucesso quanto Capitu; Simão Bacamarte, do conto O Alienista, afinal ele era tido como louco; e Brás Cubas, sempre tão cáustico. E ainda, Capitu pode estar mentindo, com seu olhar de cigana oblíqua e dissimulada.

“O enredo parece tenebroso, abusado, tenso, mas é tudo mera pista falsa. Trata-se de uma comédia. Humor sinistro, sem dúvida, mas a ideia é fazer o público rir nervosamente ao perceber como temos matado o melhor dos nossos grandes mestres”, declara Carlos Correia sobre sua obra.
Novo olhar sobre o texto e os personagens

Montada pela Companhia Teatral Nós Outros, com direção de Hudson Andrade, a peça tem no elenco Iêrêcê Corôa, Nilton Cézar e o próprio Hudson. A trilha sonora é de Júnior Cabrali, a concepção de luz é de Sônia Lopes com operação de Neto Cabrali, as fotos de divulgação são de Brends Nunes e o artesanato cenográfico é de Iara Correia Santos.

O diretor comenta que não participou da primeira montagem da peça, mas teve a oportunidade de assisti-la, assim como os novos envolvidos no espetáculo. “O que a gente percebeu é que o texto tinha uma capacidade muito grande de atração, não só pelos personagens, mas o enredo. Achamos que seria um desperdício esse texto se perder, pois aqueles atores não iam mais encená-la, então assumimos o projeto”, conta Hudson.

No entanto, a ideia era fazer algo completamente diferente. “A gente trouxe a identidade do grupo para a obra, uma montagem que vem sendo trabalhada desde março, já foi apresentada e começa nova temporada em Belém, após voltar de Marabá. Focamos na versatilidade de cada ator na hora de compor os personagens”, explica o diretor. Cada um dos artistas interpreta vários personagens.

“É o mesmo ator com pequenas referências no adereço e figurino que remetem a outro personagem. Na montagem anterior isso já existia, mas fica mais evidente nessa”, e já rendeu bons comentários. O diretor conta que recebeu, por mensagem na internet, o comentário de uma das pessoas que assistiram ao espetáculo em Marabá e que se sentiu muito feliz com ele.

“Ela disse que durante muito tempo pensou na Capitu como Maria Fernanda Cândido, e hoje vê o personagem com outras fisionomias. Assim, conseguimos dar vida de maneira diferente a esses personagens, é bom ouvir isso de alguém que não é um crítico especializado, mas sim alguém que gosta de literatura e é tocada pelo nosso trabalho”, declara Hudson.

ASSISTA

Nova temporada de ‘O Assassinato de Machado de Assis’, uma peça de Carlos Correia Santos. De 05 a 08 e de 12 a 15 de dezembro, sempre às 20h, no Espaço Cultural Atores em Cena (Avenida Nazaré, 435, entre Benjamin e Rui Barbosa). Ingressos: R$ 20,00 (com meia para estudantes). Outras informações e agendamento de sessões especiais para universitários e demais estudantes: (91) 8199-1322.

(Diário do Pará)

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