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Quem tem medo da sexta-feira 13?

Hoje é sexta-feira 13. A data para alguns é apenas um dia como outro qualquer, mas existem aqueles que temem, por acreditar que é sinônimo de mau agouro. E razões para isso não faltam, afinal de contas, desde crianças, somos bombardeados com a cultura do

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Hoje é sexta-feira 13. A data para alguns é apenas um dia como outro qualquer, mas existem aqueles que temem, por acreditar que é sinônimo de mau agouro. E razões para isso não faltam, afinal de contas, desde crianças, somos bombardeados com a cultura do 13 e da sexta-feira como símbolos de azar.

Na literatura, em A Bela Adormecida, a décima terceira fada é culpada pelo sono mortal da protagonista do conto. No cinema, é impossível não lembrar da célebre série ‘Sexta-Feira 13’, em que Jason sempre escolhe esse dia para se vingar de jovens que teimam em acampar no Crystal Lake. Deixando de lado a carnificina hoolywoodiana, uma pesquisa em um dicionário de simbologia nos mostra que o número 13 é considerado de azar em culturas como a nossa, com sistema duodecimal – doze horas, doze meses do ano. O 12 é tido como o número da perfeição, sendo o 13 o imperfeito, o indesejável.

13 filmes de terror para assistir na sexta-feira 13

Para o professor de ciências da religião da Universidade do Estado do Pará, Antonio Paraense, a origem desse temor não vem das religiões, mas da população. “Na verdade, o que a gente percebe é que essa é uma questão das crenças mais populares, porque as religiões não trabalham com esse aspecto de acreditar que existe um dia especifico de azar ou coisa assim. Nas doutrinas oficias das igrejas, não tem nada sobre isso. Mas, mesmo assim, algumas pessoas possuem essas superstições e acaba que algumas igrejas trabalham isso, mas não por conta da doutrina”, explica.

Antonio Paraense, no entanto, explica que fatos cristãos podem ter desencadeado essa superstição. “Algumas pessoas quando vão buscar a origem da sexta-feira, encontram uma tradição histórica. É o dia que Cristo faleceu, é um dia marcado como uma coisa ruim, que lembra algo ruim”, destaca.

Entre os cristãos, a interpretação que envolve o número 13 remete também à santa ceia. Na ocasião, contando com Cristo, havia 13 pessoas à mesa e uma delas foi responsável pela traição – Judas Iscariotes, que depois se suicidou.

Na mitologia nórdica, foi em uma sexta-feira que Frigga, a deusa do amor e da fertilidade, se juntava com bruxas e o diabo para traçar as tragédias que promoveria na semana seguinte. “Na Idade Média era o dia de se perseguir as bruxas. Nesse período, era o dia que elas se reuniam. Se diz que elas jogavam praga, desejavam infortúnios nas pessoas que menosprezavam as suas práticas”, explica Paraense.

Com todo esse histórico, é natural que os mais temerosos fiquem com um pé atrás de “viver” a sexta-feira 13. Passar debaixo de uma escada ou cruzar com um gato preto, nem pensar. O cantor Cleverton Lima admite que hoje vai evitar “dar mole pro azar”. “Esse dia pra mim é um dia supersticioso, que pode acontecer ou não (algo ruim). Eu tenho vários cuidados, eu evito ficar muito ao dispor, porque pode ser superstição, mas pode acontecer, prefiro ficar tranquilo, resguardado”, pontua.

Para a professora Elizabeth Reis, católica, não há motivos para medo. “É um dia como outro qualquer. Pra mim não tem nada de diferente”, avisa.

Pelo sim, pelo não, então por que sempre às sextas-feiras, em especial as que caem no dia 13, se vê tantos ‘despachos’ e oferendas em encruzilhadas? “Por causa dessa tradição que se tem de ser um dia ruim. A maioria das pessoas que usam os cultos afros celebra esse dia, porque acredita que tem mais força. É uma coisa muito interessante, as grandes celebrações são marcadas por situações da natureza, é a ideia de ciclo mesmo. É como se fosse um dia que marcasse o início de um ciclo, o fim de uma semana, como era antigamente. Com o capitalismo, isso ficou mais complicado, mas antes a semana terminava na sexta. Mas isso é uma prática muito antiga que, com o tempo, foi tomando diversas conotações”, reponde o professor de ciências da religião, Antonio Paraense. “A pessoa pode ir para a igreja em uma sexta feira 13 pra se sentir protegida, mas dificilmente o padre ou o pastor vai se referir a isso como sendo algo que essa pessoa devesse preocupar”, deixa claro.

Superstição ou não, seja qual for a sua crença, não custa nada fazer uma oração, ou usar algo que te traga sorte, não é mesmo? Que tal uma água benta, galho de arruda na orelha, ou um pé de coelho no bolso? Vale tudo para espantar o azar que por ventura possa aparecer...

(Diário do Pará)

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