Obras dos artistas Ruma de Albuquerque e Geraldo Teixeira estão expostas no Museu da Universidade Federal do Pará (Mufpa) até o dia 12 de fevereiro, e parte delas foi escolhida para integrar o acervo do espaço após a exposição. A iniciativa faz parte do Projeto Traços Locais, que colabora para que o acervo do Mufpa cresça e torne-se um importante patrimônio cultural. Iniciado em 2011, o projeto já conseguiu incorporar mais de 100 obras, e apresentar ao público artistas paraenses de forte expressão.
O artista Ruma de Albuquerque comenta que entre suas obras selecionadas para a exposição escolheu apenas uma para ser doada. E a escolha foi muito bem feita. “Ela foi encomendada em 2008 e, na ocasião, ia ficar exposta no museu. É uma obra que conversa com essa escada, que eu fiz pensando em expô-la nesse local. Quando fui chamado para participar do projeto, a primeira obra que veio a minha mente foi essa”, conta.
A curadoria desta terceira edição do projeto é de Jussara Derenji e Marisa Mokarzel. Elas tiveram que trabalhar com obras que já estavam, de alguma forma, voltadas para o museu - os desenhos dos pisos e das paredes, os ladrilhos e elementos decorativos. Como na obra de Ruma, que casa com a textura e as dobraduras das escadas do museu. “É um objeto que envolve dobraduras de papelão, colagem, madeira, recortes que lembram aquelas escadas”, resume.
Geraldo Teixeira, parceiro de Ruma nessa exposição, é artista plástico e já possui obras em acervos de vários museus brasileiros. Para ele, é importante essa colaboração com os museus. “É interessante fazer a doação, se possível, da sua melhor obra. Mostrar aquilo que é o teu trabalho de fato, por que é isso que as pessoas vão ver depois que a gente morrer. É o que vai estar disponível nos espaços públicos”.
O artista colaborou com o Museu doando a obra intitulada “Revoadas”, uma mostra do que tem sido sua carreira. “Meus trabalhos são voltados para a memória das cidades. Atualmente tenho trabalhado com a desconstrução do que seria a ajulejaria [arte em azulejos] e a pintura de paredes, como essas que a gente encontra nos museus – no Theatro da Paz tem muito disso”, comenta Geraldo. E assim foi trabalhada a obra que agora faz parte do Museu da UFPA e passa a estar guardada na memória da cidade.
(Diário do Pará)
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