Desde as 4h30 de hoje, os rojões anunciaram a alvorada, que dá início à festividade de São Benedito, em Bragança, no Nordeste do Pará. Às 5h30, o cortejo saiu do Teatro Museu da Marujada, animado pelo grupo regional, em direção à Igreja de São Benedito, para o tradicional abraço simbólico ao redor do templo, ao som da roda, um dos seis ritmos que compõem a dança da marujada, junto com o xote bragantino, retumbão, valsa, contradança e a mazurca.
Além do ritual bicentenário realizado em torno da igreja, outro elemento incluído na festividade há 20 anos é o café da manhã oferecido pelos devotos Maria da Conceição e Antônio José Pereira, que, após alcançarem graça relativa à saúde da filha Alessandra, passaram a cumprir a promessa de fornecer a primeira refeição do dia aos marujos e marujas durante a cerimônia de abertura da temporada beneditina. Este ano, o casal serviu cafés da manhã para mil pessoas.
Ao longo da programação que vai até o dia 26, durante as noites dos dias pares (18, 20, 22 e 24), a marujada dança na Barraca da Maruja, que fica no Largo de São Benedito. Dia 25, durante a manhã, celebrando o nascimento do Menino Jesus, a marujada se apresenta trajando saias azuis, no Teatro Museu da Marujada e no dia seguinte, novamente pela manhã, no mesmo local, as marujas dançam de saia vermelha, fazendo alusão à sangrenta escravidão.
O ápice da programação é a procissão que sai às 16h da Igreja de São Benedito, para onde retorna, quando andor é recebido sob a vibração dos fiéis que em seguida assistem à missa campal, celebrada no Largo de São Benedito.
Este ano, a marujada de Bragança, tornada Patrimônio Artístico e Cultural do Estado em 2009, através da lei 7.330, conta com mais uma conquista neste âmbito, a sanção da lei nº 7.723, de 2013, que dá o mesmo status ao xote bragantino, um dos seis ritmos da manifestação implantada pelos escravos em 1798. A deputada Simone Morgado (PMDB), autora das duas leis, justificou a iniciativa de salvaguardar as manifestações. “A maneira da marujada dançar o xote, juntando e separando, diferentemente de como se dança nos demais lugares, foi assimilada pela população bragantina e se estabeleceu como um forte traço cultural no município”,argumentou.
(Diário do Pará)
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