O dia 25 de dezembro em Belém tem muito mais que a comemoração do nascimento de Jesus. A capital paraense se orgulha de levar para as ruas o primeiro grito de Carnaval do ano vindouro, com o bloco Império Romano. A folia ‘romana’ já tem mais de 40 anos e leva para as ruas uma multidão animada, enrolada em lençóis brancos e com um festão na cabeça, imitando o traje da época da Roma antiga.
Quem conta como tudo surgiu é o ‘imperador’ do bloco, o médico Herlander Andrade, que com muito bom humor está na função há três anos. “Na verdade, o bloco começou em 1971, quando quatro rapazes se juntaram não tendo nada para fazer. Depois do almoço de Natal, eles ligaram um rádio, botaram no ombro e começaram a curtir músicas de carnaval. Eles roubaram lençol, festão da árvore de natal e começaram a beber cachaça no quarteirão da travessa Soares Carneiro com a rua Municipalidade, no Umarizal. No ano seguinte, já não eram mais quatro, eram mais de 20 (foliões)”, conta, para destacar que ano a ano o bloco vai ganhando mais adeptos.
Este ano, a estimativa é que 50 mil pessoas festejem o início do Carnaval ao som da bandinha de sopro e da bateria da Escola de Samba Rancho Não Posso me Amofiná. O tema do desfile já está escolhido e como toda boa folia, vem marcado pela irreverência – ‘Alô, é o Obama?’. “Nós estamos brincando com a espionagem dos americanos no governo da Dilma. Escuta isso: ‘Cuidado, meu amor, cuidado, muito cuidado com você, dizem que o Obama tá escutando, de repente todo mundo pode se...’”, cantarola o imperador Herlander, antecipando o que será a marchinha do Império Romano.
Mas toda essa animação do Império Romano nem sempre teve a participação das mulheres. No começo, o Império era um bloco exclusivo para os homens, algo que ficou no passado. Hoje o desfile abrange qualquer pessoa disposta a brincar na paz, garante Herlander Andrade. “A gente vai para a rua levando alegria, não tem lugar para a violência. Temos todo tipo de público no bloco: homem, mulher, travesti... Não importa quem seja, nós estamos convidando quem vem de maneira ordeira. É uma confraternização de Natal”, avisa.
O imperador também aproveita para matar a curiosidade sobre o motivo de o símbolo do Império ser uma galinha. “Apareceu no bloco um senhor português, chamado Ramalho. Ele mentia muito e dizia que a galinha dele botava mais de dois ovos por dias, daí que surgiu a ‘Galinha do Ramalho’ como símbolo do bloco”.
Segundo a organização da folia, a ambição agora é, em breve, transformar o Império Romano de Belém como patrimônio imaterial, tendo como argumento a importância cultural do evento para a cidade. “O Império Romano é como o Cordão do Bola Preta no Rio de Janeiro, o Bacalhau do Batata, no Recife. Não vendemos abadá. O bloco é a junção de todas as agremiações carnavalescas, é o primeiro grito de Carnaval do Brasil”, propaga.
O jornalista Luiz Guilherme Ramos conta que não perde a folia do dia de Natal. “Eu vou faz uns cinco anos. Para quem gosta de Carnaval, é um evento bacana, que reúne todo mundo que gosta de folia e já se planeja. É uma confraternização. Ano passado não vi briga, a segurança é bem razoável. A gente não vê muita confusão, a gente vê é o pessoal beber muito”, avisa.
A gente vai para a rua levando alegria, não tem lugar para a violência. Temos todo tipo de público no bloco: homem, mulher, travesti...”
SERVIÇO
Bloco Império Romano
Concentração: 25/12, às 12h
Local: travessa Soares Carneiro com rua Municipalidade - Umarizal (saída às 15h)
Percurso: avenida Senador Lemos, travessa Dom Pedro I, avenida Generalíssimo Deodoro, avenida Gov. José Malcher até a praça da República, em frente ao Theatro da Paz.
(Diário do Pará)
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