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Belém está fora da rota de shows internacionais

Chegou a hora de fazer a programação de 2014. Entre os planos de muita gente já pode estar incluído ir a um show internacional que esteja divulgado para acontecer no Brasil, ou um grande espetáculo como o Cirque du Soleil. E ao pensar nisso sempre fica a

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Chegou a hora de fazer a programação de 2014. Entre os planos de muita gente já pode estar incluído ir a um show internacional que esteja divulgado para acontecer no Brasil, ou um grande espetáculo como o Cirque du Soleil. E ao pensar nisso sempre fica a sensação de que muitos grandes espetáculos e artistas nunca vêm para Belém. Mas não custa sonhar.

A belenense Nathália Soares diz que já seria bom se a capital paraense recebesse todas as bandas que passam pelo país. “Para não termos que nos deslocar pro eixo Rio-São Paulo”, explica. Das inúmeras bandas que Nathália gostaria de assistir no próximo ano, ela destaca as metaleiras: Kreator, Exodus e Metallica. “São umas que vão vir no início do ano para São Paulo e vai ter (apresentação) em Manaus”, diz. Entre as nacionais: “Só o que me vem na cabeça é Planet Hemp e Gabriel O Pensador, o resto sempre vem. Nacional é mais fácil, o problema é banda internacional”, afirma.

Já Daniel Lisboa, 26, diz que gostaria de ver bandas nacionais como Paralamas do Sucesso e Biquíni Cavadão vir mais vezes a Belém. Sobre grupos que nunca são trazidos, ele destaca os que são populares até em estados vizinhos e nunca aparecem por aqui, como a banda Bicho de Pé. “Normalmente eles tocam na região Nordeste do país, tocam um xote muito gostoso de ouvir e dançar. Eu sou um apaixonado pela cultura do nosso país”.

No entanto, para realizar os sonhos de quem mora em Belém, muita coisa influencia. O produtor cultural Peterson Motta, que trabalha trazendo espetáculos e shows para Belém e Manaus (AM), explica que “a região Norte como um todo traz um prejuízo pela distância”. O problema envolve grandes custos com passagens aéreas, frete para cenários e equipamentos, cachê, e ele explica um pouco sobre isso.

Segundo Peterson, o que acontece também é que, em geral, as grandes companhias de teatro e dança, os cantores e bandas de grande apelo comercial, deixam de incluir a região Norte em seus roteiros de turnês, indo no máximo até o Nordeste. “A companhia não inclui isso no orçamento ou em seu projeto quando está viajando com patrocínio e leis de incentivo”, explica.

Estrutura disponível não ajuda

A falta de estrutura também atrapalha. Afinal, não seria muito confortável assistir um show da Beyoncé nos espaços dos quais dispomos hoje. “Você, por exemplo, não encontra um lugar para uma temporada de um grande espetáculo. Belém não tem um grande teatro e você acaba tendo que adaptar”. Peterson ainda comenta sobre o Theatro da Paz. “Em relação a ele existem duas dificuldades: a agenda, pois a prioridade de espetáculos é do governo; outra é o tamanho, pois ele é ainda considerado pequeno para os padrões atuais, muitas companhias não saem de seus estados ou vem de outros países para menos de 1500 pessoas, não viabiliza para eles”, argumenta.

Para grandes shows, só o que temos hoje são o Hangar e o Mangueirão e, mesmo assim, eles não conseguiriam comportar determinadas atrações. “O Hangar hoje é tomado por feiras, foi projetado para outro tipo de evento. O Mangueirão não comporta no sentido de infraestrutura mesmo, faltam instalações adequadas, o mínimo de conforto pra o público”.

Exigências de artistas não são desculpa

Quanto às exigências do artista, segundo o produtor cultural Peterson Motta, elas são mesmo tradicionais. “Elas fazem parte do show business, é comum e até engrandece o artista”, nada que impeça de trazê-los. Ele conta que já recebeu alguns pedidos bem particulares: tolhas pretas, rosas vermelhas e caviar no camarim, um sofá branco e micro-ondas. “Não vou citar nomes, mas teve uns casos difíceis de atender”, e cita ao menos um deles, nada muito excêntrico: “Quando o Restart esteve aqui, eles queriam um tipo de geleia especial que a gente não encontrou na cidade, tivemos que pedir de fora”.

Falta ousadia e conhecimento

O produtor cultural Peterson Motta também destaca que é difícil captar patrocínios e apoios. “Falta um engajamento das empresas, os empresários daqui ainda não entenderam o valor de agregar sua marca a grandes eventos. Falta conhecimento sobre as leis de incentivos culturais, com as quais ele vai ter isenção de imposto, na verdade você não vai gastar nada”. Ele conta que inúmeras vezes quis trazer determinado artista, o artista queria vir, mas não conseguiu viabilizar o evento.

“Não se sobrevive só de bilheteria, precisa de apoiadores. Grandes circos, por exemplo, não vêm para Manaus, Belém, Porto Velho, como o Cirque du Soleil. Eles chegam até Brasília, que é próximo, mas não vem a Belém, porque só vão onde há incentivo fiscal, isenção de impostos, apoio de empresários locais, do governo”.

Marcello Adonaldo, 26, comenta que gostaria de “mais shows internacionais da proporção de um Iron Maiden”, que chegou a vir para Belém. Além de mais stand up’s “do calibri do Danilo Gentili ou Fábio Porchat”, exemplifica. Marcello acredita que “eles demoram muito para voltar por aqui”. O mesmo pedido é feito por Luiz Otávio Tabarana, segundo ele, que tem filhos, nesse semestre em Belém teve muita apresentação para crianças. “Não posso reclamar, pois foram vários e muito bons, mas para adultos faltou, tipo stand up’s, se tem na cidade não é divulgado”, afirma.

E segundo Peterson em alguns casos até dá para trazer, mas são exceções, atrações que o grande apelo de público é suficiente para cobrir custos e atrair os artistas. “O Iron Maiden, que chegou a vir a Belém, é um show que se paga com a bilheteria, como os grandes shows sertanejos. Mas não tem como receber um grande espetáculo teatral, um balé, um show de ópera, que é mais cultural e voltado para um público mais restrito”, declara.

Quem quiser pode continuar sonhando com seus ídolos, “mas o bom mesmo era se rolasse mais incentivo e patrocínio pra trazer esses artistas pra cá”, diz Luana da Silveira, 19, belenense que sonha em receber Paul McCartney. Durante um tempo, até comunidade em redes sociais existia pedindo a vinda dele, “ainda não deu certo, mas quem sabe...”, diz ela.

(Diário do Pará)

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