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Museu quer mostrar transformação das aparelhagens

O museu que está sendo montado pelo Projeto Sonoro Paraense pretender mostrar também o quanto as aparelhagens mudaram em relação à sua musicalidade. Darien fala que existiu desde o inicio no século 20 uma estreita relação do Brasil com o samba-canção, que

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O museu que está sendo montado pelo Projeto Sonoro Paraense pretender mostrar também o quanto as aparelhagens mudaram em relação à sua musicalidade. Darien fala que existiu desde o inicio no século 20 uma estreita relação do Brasil com o samba-canção, que deu origem ao bolero, um estilo que estava presente nas primeiras aparelhagens. “Isso foi deixado um pouco de lado por volta de 1950, quando o rock entra em evidência no Brasil”.

No Norte, o fluxo grande de vinil trazido por navios que atracavam em nossos portos, vindos de lugares como Caiena, não diminuiu e esses discos permitiram que a música caribenha entrasse no dia a dia das pessoas de Belém. “Existiam bandas de baile que tocavam, a partir de 1970, a cumbia e o merengue. Essas mesmas músicas foram a base para Mestre Vieira criar algo próprio na guitarra, a guitarrada”.

Darien afirma também que a guitarrada é um estilo muito cosmopolita ao misturar de tudo um pouco. “Belém, de maneira geral, tem essa musicalidade de não tocar um estilo só. E isso é uma das coisas que mudaram nas atuais aparelhagens, que hoje só tocam tecnobrega. Acredito que com isso perdem um pouco dessa identidade musical”, critica.

Quem fala desse tempo, fala com encanto. “Era diferente do que é hoje. A dança a dois, a sensualidade caribenha, tudo foi deixado de lado com o surgimento do treme e do eletro, que são mais agitados”, diz Milton. Darien explica que as mudanças tem caráter ambíguo, sendo difícil definir se foram totalmente positivas ou negativas.

“Ao mesmo tempo em que o Milton [o pai de Júnior] trabalhava para melhorar as condições técnicas, para ter algo mais moderno, ele também abriu uma porta para o desenvolvimento do ramo. O papel deles [os sonoros] era sonorizar os eventos, a partir dos anos 1980 eles evoluíram tecnicamente para a aparelhagem, e isso passa a ser um show de tecnologias visuais”. E muita coisa pode ter se perdido nessa transição.

O encanto pela sonoridade equilibrada, com qualidade, é trocado pela quantidade, pela simples potência de áudio. “Essas pessoas que participaram dos sonoros contam que antes o locutor não falava, tinha uma hora certa para falar. Por volta de meia-noite, anunciava o lançamento de algo e alguns nomes de quem estava na festa e depois a música continuava. Só que hoje em dia ele fala quase que constantemente e isso , a turma velha guarda vê como uma mudança não muito legal, que deixou de ser uma festa em que as pessoas iam pra escutar musica e dançar, para uma festa extravagante, para encher a cara”, conta Darien Lamen.

Ainda assim, o grupo acredita que vale a pena o registro e o reconhecimento de que as aparelhagens fazem parte da formação de uma identidade musical única para o Pará. E a intenção é continuar fazendo dessas histórias uma memória coletiva do povo paraense que sempre foi apaixonado por música.

(Diário do Pará)

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