No Brasil, um dos mais populares é o Naruto. O mangá é a história em quadrinhos feita no estilo japonês e tem ganhado milhões de adeptos pelo mundo todo. Hoje, os mangás dão origem a animes, desenhos feitos para a televisão, vídeo ou cinemas. A lista daqueles que fazem sucesso por aqui é imensa. Em Belém, um exemplo de quem entende do assunto é o quadrinista e ilustrador Rafael Lanhellas. Rafael já trabalha há alguns anos no mercado exterior de quadrinhos, e já teve ilustrações publicadas em revistas da Austrália e Estados Unidos. Ele conta que hoje trabalha muito mais com estilo americano de desenhar, mas começou mesmo com os traços japoneses. “Comecei com o mangá e hoje o público cresceu muito. O quadrinho americano cansa um pouco para quem acompanha, porque muitos personagens estão aí há muitos anos, está batido, quase sempre a mesma história”, afirma. Além de desenhar, Rafael já foi colecionador de mangás e chegou a reunir em casa cerca de 60 coleções de histórias. “Com o tempo tive que ir deixando, até porque não tinha mais espaço em casa”. Os mangás funcionam, para explicar de maneira simples, como uma novela. Ele é composto por capítulos, em sequências lançadas periodicamente – geralmente é mensal. E existem sempre novas histórias começando, até mesmo os traços do artista podem mudar de uma coleção para a próxima. |
Narrativa dinâmica e atual
De acordo com Rafael Lanhellas, o que contribui para o crescimento e influência do estilo japonês de quadrinhos sobre os outros estilos, como o americano, é a sua narrativa mais dinâmica. “E quando você consegue associar o estilo mangá com o americano, consegue um resultado que agrada bastante os editores”. Em termos de mercado, já existem muitas editoras brasileiras que buscam o desenhista de mangá.
“Há escritores para livros adolescentes que buscam o mangá como estilo para a ilustração de suas histórias, porque a garotada se identifica mais”, diz Rafael. No entanto, esse não é um traço tão fácil de encontrar. “Como todo desenho ele parte de fundamento, anatomia, proporção, perspectiva. O resto é muita prática”, explica. E quem se aventura a praticar pode não só seguir uma carreira, como ter no Mangá um hobby.
Em feiras literárias pelo Brasil todo, tornou-se visível a presença desses quadrinhos. “Da última vez que fui [em uma feira], tinha editora de São Paulo com quase 70% do estande voltado para o mangá. As editoras investem, porque ele tem várias vertentes, agrada tanto crianças de maternal, com mangás repletos apenas de imagens, até idosos”, afirma Rafael.
E mesmo quem já se acha velho demais e acredita que o mangá é uma onda jovem, há desenhos animados que fizeram muito sucesso no Brasil e vieram do estilo japonês de desenhar. Como o personagem Astro Boy, um mangá de Osamu Tezuka, produzido de abril de 1952 a março de 1968, e que chegou por aqui em formato de desenho animado para a televisão.
E há também Kimba, o Leão Branco, outro mangá de Osamu Tezuka, e que para Rafael foi o que deu origem ao filme Rei Leão. “O Tezuka é quem deu origem ao mangá que a gente conhece hoje, do olhão”, diz ele. E há também alguns artistas japoneses que hoje trabalham com influência das HQ’s americanas. Um bom exemplo é Nobuhiro Watsuki, criador da série Samurai X ou Rurouni Kenshin. Ambientada nos primeiros anos da Era Meiji no Japão, conta a história do espadachim Kenshin Himura e tem vários personagens que remetem ao estilo americano.
“Às vezes a pessoa nem conhece o mangá, só o desenho. Encontra um dia em uma banca e já vai conhecendo outros. Acredito que a leitura do mangá também faz a pessoa buscar muita coisa da cultura que ela está lendo”, e Rafael conta que ao ler Samurai X, um de seus favoritos, passou a pesquisar várias coisas. “Queria saber como era o Japão feudal, a questão dos samurais”. E assim, o mangá vai se tornando cada vez mais popular e atrativo.
Existe mangá para todos os públicos Os mangás são vendidos e feitos para vários tipos de público e são conhecidos por diferentes nomes, de acordo com essas variações. Para o público feminino adulto, chama-se “josei”, um estilo mais realista, e com temas de interesse próprio das mulheres como relações amorosas, trabalho, família. Já o mangá erótico é chamado “hentai”, onde as protagonistas femininas exibem seios enormes. Para garotos existe o “shonen”, que inclui grandes doses de ação e aventura. Os personagens costumam ser guerreiros, há competições, mundos fantásticos e invenções mecânicas. Alguns dos mais populares no Brasil são “Naruto” e “Bleach”. Existe também um subgênero para os robôs gigantescos: os “mechas”. Para o público masculino adulto, os magás são “seinen”, com temas mais elaborados. E nem as crianças pequenas ficam de fora, para elas encontramos o “kodomo”, com histórias curtas, texto pequeno e personagens caricaturados. Os traços formam desenhos mais arredondados e meigos. |
(Diário do Pará)
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