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Exposição mostra a guerra em estado bruto

Ser preso em sua liberdade. Assim o fotógrafo paraense Gabriel Chaim define a vida dos refugiados de guerra sírios, retratados por ele durante a visita de três meses àquele país. A infância e a juventude das vítimas da guerra civil, iniciada em 2011, são

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Ser preso em sua liberdade. Assim o fotógrafo paraense Gabriel Chaim define a vida dos refugiados de guerra sírios, retratados por ele durante a visita de três meses àquele país. A infância e a juventude das vítimas da guerra civil, iniciada em 2011, são o foco do fotógrafo. O resultado do trabalho – a exposição “Zaatari- Filhos da Guerra” – pode ser conferido a partir de sexta- feira (10), na Galeria Gotazkaen Estúdio, em Belém.

Devido à falta de lugar nos campos de refugiados de países vizinhos e a consequente fronteira fechada para as vítimas da guerra, há dois tipos de refugiados: os que não conseguiram sair da Síria e migraram para vilarejos próximos da cidade natal e aqueles que conseguiram vaga em um dos campos de refugiados que recebem ajuda humanitária.

O número de refugiados sírios ultrapassa dois milhões, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Calcula-se que metade sejam crianças. “Eles não têm expectativa e costumam dizer que vivem um dia de cada vez”, lamenta Chaim. “Eles querem viver como todo o Ocidente vive: livre”, acredita.

A exposição reúne 26 fotos de refugiados sírios. Chaim visitou vários campos de refugiados na Jordânia, Iran, Iraque, Faixa de Gaza e Turquia. “Eles vivem uma liberdade corrompida, uma liberdade entre grades”, constatou o fotógrafo. A ONU estima que quase 291 mil crianças sírias buscaram abrigo na Jordânia e 77. 120 vivem sob tendas no Iraque. A maior parte delas, 358 mil, está no Líbano.

As fotografias integram o projeto “Kitchen4life.org.”, do qual Chaim participa há dois anos. O programa é realizado em parceria com a “ONG Syrian team for progress and prosperity”, localizada em Aleppo, na Síria. A organização ajuda diariamente 600 crianças com alimentação, remédios e escola.

Dinheiro arrecadado com telas vai ajudar refugiados

Progresso e prosperidade são o que Chaim deseja para as crianças e jovens do Oriente Médio. Uma realidade que ainda parece distante. “O futuro deles é obscuro, não consigo ver um futuro positivo. Essa guerra pode durar muito tempo ainda”. A falta de comida, saneamento e infraestrutura dos campos de refugiados assusta o fotógrafo, que disse ter temido pela vida 24h por dia. “Tentaram me matar várias vezes, estávamos numa guerra. A insegurança é constante”. A situação lastimável dos refugiados de guerra, seja os que conseguiram abrigo em nações amigas ou os que migraram para outras cidades, ainda não aparenta ter um fim.

“Queria que a realidade fosse colorida, como uma paisagem desenhada pelos traços singelos de Monet, mas não! A realidade é cinza, com manchas vermelhas de sangue e cabe a cada um de nós, apreender a respeitar as diferenças para depois disso, podermos dizer com propriedade: Hoje, somos um milhão em um. Visitei diversos campos de refugiados e sinto que meu dever está só no início. Uma caminhada para a eternidade”, destaca o fotógrafo que nasceu em Oriximiná, no Pará.

Chaim pede para que as pessoas deixem o egoísmo de lado. A exposição que estará disponível ao público na próxima sexta- feira (10) também tem como objetivo ajudar os refugiados sírios com donativos. Os frequentadores poderão adquirir algumas das 26 telas que serão convertidas em doações aos refugiados da guerra civil.

(Diário do Pará)

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