Condenado pelas próprias palavras. São Sebastião, o soldado que defendeu o cristianismo durante o império do romano Dioclesiano, foi executado por não ceder à crença pagã. A ele são feitas diversas homenagens culturais, desde pinturas renascentistas às obras literárias. Em Cachoeira do Arari, na ilha do Marajó, o mártir é festejado ao longo de dez dias. A Festividade do Grandioso São Sebastião inicia hoje e segue até o dia 20, com a derrubada de mastros e cortejo pela cidade.
Seis mil pessoas devem participar das programações que iniciam hoje, com alvorada festiva. Das Cuireiras sai a procissão com a imagem de São Sebastião. O encontro dos mastros na Porteira será seguido do desenrolar desta, na Igreja Matriz. Às 17h os mastros serão levantados e o dia finaliza com a santa missa. Na semana que vem, missa sempre às 19h. No domingo (19), batismo e escolha da Garota Marajoara. Para finalizar a festividade na comunidade, a procissão da imagem na segunda- feira (20) e ladainha.
Na cidade, a historicidade das fazendas de jesuítas e Mercedários é forte, mesmo que os casarões que nasceram com ela já não existam. A Festividade do Grandioso São Sebastião é uma tradição cultural do município marajoara que celebra 267 anos de evangelização. A biografia do lugar está entrelaçada à presença da igreja nas terras amazônicas.
Este ano, os cachoeirenses têm um motivo a mais para comemorar. Em outubro de 2013 foi publicado, no Diário Oficial da União, o aviso de registro no Livro das Celebrações, reconhecendo a Festividade do Grandioso São Sebastião no Marajó como Patrimônio Cultural do Brasil. Hoje, às 15h, o Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan) irá oficializar a festa, na “Porteira”.
A Festividade já é tradição cultural e segue diversos rituais, como o corte das árvores Quaruba, na mata da Fazenda Maragujipe. Só 24 dias depois, os mastros chegaram à cidade. Os moradores levaram quase um mês para prepará-los nas casas dos padrinhos e madrinha.
Somente hoje, em cortejo, os mastros chegarão até a porteira na entrada da cidade. No Arraial, serão levantados, depois da saudação à imagem de São Sebastião - o padroeiro dos soldados. “O mastro é como um aviso, um símbolo utilizado para indicar a resistência e presença de São Sebastião. Onde tem o mastro, a gente sabe que ele está também”, explica a coordenadora de religiosidade da Irmandade dos Devotos do Glorioso São Sebastião.
Em nome da fé
A Irmandade foi criada em 2008, a pedido do Iphan, e tem entre as conquistas a aprovação da Lei Estadual nº 7.337 que reconhece a Festividade como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Pará. O objetivo maior é divulgar a fé no mártir católico que foi condenado e preso por ter convencido dois amigos a permaneceram fieis ao cristianismo.
No cárcere, São Sebastião recebeu a vista do imperador. Este tentou convencê-lo a cultuar outros deuses. Em resposta, o soldado afirmou que não poderia renegar Jesus Cristo. Ao proferir as palavras que contradiziam a vontade do imperador, foi julgado como traidor e executado com flechas.
As flechas viraram símbolo do santo. São Sebastião, cujo nome derivado do grego significa divino, foi dado como morto. Irene, a senhora que o levava para ser enterrado, cuidou dos ferimentos. São, o soldado voltou a se apresentar ao imperador e foi novamente martirizado e morto, sendo sepultado nas catacumbas.
(Diário do Pará)
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