A nova geração de leitores pelo Brasil agora conta com as facilidades de tablets, computadores e celulares, ainda assim, tem gente que não dispensa a boa e velha biblioteca. Na verdade, nem tão velha assim. As bibliotecas estão se tornando mais modernas, confortáveis e com várias opções para quem vai em busca de conhecimento, e claro, livros.
O interesse pelas bibliotecas nem é coisa das antigas, no ambiente silencioso é possível encontrar crianças, jovens e idosos. Gente que gosta de ler, seja em qual plataforma for possível. Davi Salomão, de 12 anos, representa o que há de mais novo nesse público. Ele começou a frequentar a biblioteca a convite dos amigos de escola. Isso mesmo, dentro das salas de aula das escolas de Belém ainda se ouve um “borá lá na biblioteca?”.
O Davi aceitou e se apaixonou pela Biblioteca Pública Arthur Vianna, onde aproveita tudo o que há disponível, desde os livros até a brinquedoteca, a sala de gibis e os computadores. “Tem biblioteca na escola também, mas gosto daqui, porque tenho mais acesso, tem outras coisas. Não tenho computador em casa, aqui eu pesquiso os livros que estão pra sair, fico com os meus amigos por aqui, e gosto de ler livros de curiosidades”, conta.E assim as bibliotecas vão driblando as facilidades do Google, com opções para a leitura e se mantendo como um ponto de encontro para os jovens.
Em 2013, a biblioteca do Centur recebeu 130 mil visitantes. “Com o advento da internet e novas formas de acesso ao livro, através de mais bibliotecas escolares, nosso público diminuiu para a leitura de livros, mas isso não quer dizer que as pessoas não estejam mais lendo. Isso apenas não se concentra tanto nas bibliotecas públicas”, afirma Ruth dos Santos, bibliotecária do Centur há 22 anos.
O ambiente da biblioteca ainda é atrativo para quem tem poucos recursos ou procura informações mais confiáveis que as encontradas online. “Tem muita coisa falsa na internet, e no livro você aprofunda mais os seus conhecimentos. Gastamos mais tempo para fazer um trabalho escolar aqui, do que só copiar na internet. Mas quem passa o ano todo só no Ctrl C e Ctrl V [copiar e colar], quando chega em exames como o Enem, não sabe nada”, afirma Gabriela Farias, de 16 anos.
Além disso, a biblioteca não é composta apena por seu acervo geral, ela possui muitas obras específicas, que mesmo para a internet é de difícil acesso. Você entra e encontra muitas opções, de revistas locais até livros raros, em outras línguas. O estudante de logística Ângelo Marcelino, de 49 anos, comenta que o ambiente da biblioteca gera muitas possibilidades para quem gosta de ler.
“Não é apenas a tranquilidade do espaço, aqui temos o acesso a todo material que a gente precisa, livros mais técnicos que só estão em bibliotecas. Temos uma reunião de livros, revistas, informática. Muitas vezes, em casa, a gente não tem acesso a tudo isso nem com essa tranquilidade”, afirma.
Tecnologia para atrair os frequentadores
A bibliotecária Ruth dos Santos diz que um dos caminhos encontrados para que as bibliotecas continuassem a fazer parte da rotina das pessoas foi a melhoria de seus espaços físicos, do acervo e das atividades que compreendem a programação.
“O tempo todo estamos melhorando o espaço, inserindo tecnologia, tendo uma mobília mais confortável, disponibilizando espaços para as pessoas se reunirem e se sentirem a vontade aqui. Tem pessoas que vêm só para brincar, outros para pesquisar e alguns são público fiel para ler livros ou jornais”.
Hoje, a principal biblioteca pública de Belém conta com sessões de audiovisual, brinquedoteca, braile, circulante, gibiteca, fonoteca, infantil, hemeroteca, periódicos, obras do Pará, obras raras, jornais, microfilmagem e o setor de referência, onde fica o acervo geral. São muitas as opções para que todo mundo possa aproveitar um espaço que foi feito para ler e apreciar.
(Diário do Pará)
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