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Bandas covers querem ser como seus ídolos

Eles tocam “música dos outros”, de bandas das quais são fãs. Qual o problema? Agradar gregos e troianos não é o objetivo dos jovens que integram bandas covers. A maioria não vive de música e vê a subida aos palcos como um momento de diversão do público e

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Eles tocam “música dos outros”, de bandas das quais são fãs. Qual o problema? Agradar gregos e troianos não é o objetivo dos jovens que integram bandas covers. A maioria não vive de música e vê a subida aos palcos como um momento de diversão do público e por que não, própria?

Quando recebeu o convite para ser vocalista do System of a Down Cover, Diogo Carvalho, 26, só conhecia umas quatro músicas, “as mais famosas”. “Mas o pouco que conhecia achava bem interessante”. Com a resposta do público no primeiro show com casa cheia, o também baixista do Helloween Cover aceitou o desafio. “Foi a primeira vez que só cantei na vida”, lembra.

Os shows ocorrem uma vez a cada dois ou três meses. O repertório não varia muito. O público prefere as músicas de sucesso e referência da banda. Isso, além da escassez de espaço em Belém, justifica as poucas apresentações. “Tem que deixar o público com saudade”, brinca. O cachê pode chegar a R$ 700, mas dividido entre os integrantes, “paga a cerveja do final de semana ou uma conta de telefone”, como destaca o arquiteto que vê a música como hobby.

Uma forma de homenagear os ídolos

Faz quase dois anos que o estudante de gastronomia Diego Negrão, 21, canta no The Killers Covers. As apresentações e, sobretudo, os ensaios ficam comprometidos pela falta de tempo que os integrantes dividem entre o trabalho e a faculdade. Somente uma vez, em parceria com o irmão, Diego tocou em uma banda autoral. A banda continuou, mas sem a presença dele.

“Eu prefiro cover, mas já tive muita oportunidade de fazer autoral. Admiro quem faz autoral, é preciso ter coragem, só que gosto de fazer cover, principalmente quando é de uma banda que eu gosto”, revela Diego, antes de continuar. “Tem sempre aquele que fala, ‘mas tu tocas música de outra pessoa’. Eu vejo o cover como diversão, não é algo que eu vá viver, tirar o meu sustento. Sempre tem quem critique, só que nenhuma vai conseguir aprovação total, seja cover ou autoral”.

As bandas covers geralmente representam casa cheia, devido à grandiosidade das bandas originais. Nos shows, a presença de fãs não é assim maciça. As pessoas mais simpatizam e sabem as músicas de maior sucesso, mesmo assim, são as que atraem mais público.

Com The Baudelaires, Marcelo Kahwage, 33, faz power pop - estilo de rock baseado no som dos anos 1960, mais distorcido. “A guitarra é mais forte, suja e o refrão é grudento”, define o vocalista. O trabalho autoral desenvolvido há três anos é a preferência do músico que também canta no Muse Cover. Para ele, cover é como fazer uma homenagem à banda que mais gosta.

“Você toca para agradar os fãs da banda e a si mesmo”, sintetiza Marcelo. Por enquanto, os repertórios ainda não se cruzam. “O trabalho cover é uma maneira de se tornar mais profissional como músico, evoluir no instrumento e fazer uma homenagem. Também é muito bom trabalhar de forma autoral, com identidade. Quando o trabalho é elogiado você se sente bem”, destaca o músico que frisa ainda a importância de compor destaca que em 2013 lançou o CD “Charlie”, com canções em inglês.

Fã de System of a Down há pelo menos dez anos – quando começou a tocar – Renato Maia, 24, assistiu ao show da banda em 2011, no Rock in Rio. “É uma banda que vem fazendo gerações há muito tempo. Ao vivo é surpreendente”, conta o ex-baterista de uma banda hardcore que tocava as próprias músicas. A experiência do trabalho de identidade não excluiu a possibilidade de tocar cover. “Tenho vontade de ter uma banda cover, não como o System. Seria algo mais pop rock, como o Pearl Jam. Cover é bacana, eu gosto”, relava.

Vithor Jaffre, 16, fã da banda americana, vê nos covers a chance de vislumbrar algo que remeta à formação genuína. “A gente, aqui em Belém, não é todo o dia que tem oportunidade de ver a banda original. As covers te dão oportunidade de pelo menos se sentir no show, de alguma forma”, compara o estudante que gosta das letras inteligentes do Pearl Jam.

Pra quem gosta!

‘Projeto X’

Quando: sexta- feira (17) e sábado (18), no Studio Pub

Atrações de sexta: Black Mariachs, The Killers Cover, Muse Cover e Nirvana Cover

Atrações de sábado: System of a Down Cover e Pearl Jam Cover,

Ingressos antecipados na bilheteria do Studio Pub, aberta de terça a sábado, a partir de 17h.

Valor do primeiro lote: R$ 10 (por dia)

(Diário do Pará)

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