As comemorações do aniversário de Belém trouxeram à tona o trabalho de diversos artistas antes banalizados no cenário local – nossos grafiteiros, verdadeiros artistas plásticos das ruas. No último dia 12 eles deram início ao longo projeto de grafitar as obras do BRT com o tema ‘Belém rumo aos 400 anos’ valorizando o espaço público através de representações da cultura local. O coordenador do projeto, o grafiteiro Metal, afirma que escolheu a dedo cada artista que está participando dessa homenagem à cidade.
“Minha equipe é mesmo de especialistas em grafitagem, artes plásticas. Fazer arte em Belém não é fácil e a gente sempre tem que ter todo o cuidado. Também procurei dar vez para quem quer mostrar sua arte, tem um trabalho bacana, mas ainda não teve chance”, declara.
O sonho de tornar a cidade mais colorida, cheia de vida e com representações artísticas substituindo o cinza urbano é um projeto pessoal de Metal. “É um trabalho que começou no aniversário de Belém e ainda não terminou. Está no meu projeto a grafitagem de toda obra [BRT] e outros como o elevado da Júlio César – espaços que estão cheios de pichações, cartazes e que já poderiam estar sendo usados como espaço de divulgação da arte produzida aqui”, afirma.
Metal é dono da empresa Metal Art Studio, especializada em artes plásticas e grafitagem. A empresa funciona como uma Galeria de Arte, com artistas associados e gerenciados, produzindo e recebendo encomendas, desenvolvendo projetos artísticos em Belém e outros Estados brasileiros. “Tenho mais reconhecimento lá fora do que aqui. Tenho trabalhos em São Paulo, assim como muitos outros aqui em Belém. A minha luta é para melhorar esse cenário”, resume o grafiteiro.
Grupo de artistas
Os grafites que estão sendo feitos no Entroncamento incluem, até o momento, o trabalho de 15 artistas. Entre eles, destacam-se mulheres como Elis e Cely.
Com trabalhos em outros estados, Cely é responsável por grafites de bonecas estilosas com toque paraense. Já Elis é artista e produtora cultural. “Escolhi fazer um personagem de saia azul, uma referência à Marujada (de Bragança). Também incluí, como sempre faço nos meus trabalhos, outras simbologias. Ele não tem braço e o nariz é vermelho, nada ali é aleatório”, diz Cely, sobre seu grafite no elevado.
Cely trabalha com ilustrações, pintura e grafitagem há mais de 10 anos, tem grafites em Brasília, Recife e está com obras expostas em uma coletiva no Centro de Artes Visuais (Cav), no Rio de Janeiro, até fevereiro.
Sobre as participações de artistas como ela no projeto ‘Belém rumo aos 400 anos’, Metal comenta. “Nós, o Pará, não somos só ricos em minério. Temos muita gente incrível e que não está encontrando espaço. Por isso, ficamos muito felizes quando surgiu essa oportunidade”.
E o público aprova.
Quem passa pelo Entroncamento acredita que essa é uma boa iniciativa. “Se fechar tudo, preencher toda a obra com esses grafites, vai ser ótimo! É muito bonito e uma forma de acabar com essas pichações. Acho um trabalho interessante”, afirma Caroline Pinto, 24 anos, moradora do bairro da Marambaia, vizinha das obras. Entre suas obras favoritas está a grafitagem feita por ‘Gaspar’ e ‘Gaiato’, um retrato de um ribeirinho em sua canoa.
Os trabalhos ainda não têm previsão de serem concluídos.
(Diário do Pará)
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