Recanto de uns, olhado de canto por outros. Assim é Outeiro, o lugar que sempre cabe mais um, que alimenta quem vier. O riso alto é característica dos que escolhem passar o dia na ilha. O distrito de Belém pode não ser a primeira opção de quem pensa em viajar, conhecer novos locais e pessoas, mas é sinônimo de diversão. Rubiota, Jojoca, Pierierieca e Chorona queriam ir para Salinas, Marajó, Alter do Chão. Só faltava o dinheiro. A opção foi ir a Outeiro.
Lá os palhaços descobrem mais sobre si mesmos, em uma aventura que começa no ponto de ônibus de São Brás. O espetáculo “Passeando no Outeiro” é uma grande contação de histórias teatralizadas e será apresentado neste domingo, às 11h, no Centro Cultural Sesc Boulevard. Voltada ao público infantil, a peça também é crítica social cujo enredo é amarrado por pequenos relatos.
O ônibus lotado, o passageiro que ouve música sem fone de ouvido, a falta de educação das pessoas e a sujeira das praias são retratados ao longo da apresentação. Majoritariamente infantil, o espetáculo tem linguagem acessível e contempla qualquer idade.
Tudo começa quando Pierierieca dá a ideia de passearem em Outeiro. A sugestão cabe no bolso dos amigos, que logo providenciam o isopor, como exímios farofeiros. Ao chegar à ilha, depois de tudo o que passaram juntos no ônibus lotado, os quatro se separam.
Cada um vai para um lugar da praia e vivem uma situação inusitada. Na hora do almoço, eles se juntam e compartilham a comida trazida de casa. Na volta é possível perceber a crítica contida no espetáculo, que já chega ao segundo ano de apresentação.
“O palhaço reconhece o próprio erro e se corrige”, antecipa o responsável pela peça, Joecio Lima. No espetáculo, a análise do contexto social é feita em forma de riso. “A crítica ocorre de forma gigantesca, didática e reflexiva”, avalia.
(Diário do Pará)
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