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Movimento propõe 'esquecer' livros em praça

A proposta é esquecer. Para uns, desapegar. A ideia teve origem em São Paulo, com o jornalista Felipe Brandão. Ele convida ao esquecimento de livros em locais públicos. Uma vez deixados, podem ser resgatados e deixados de novo. Em Belém, uma reunião de pa

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A proposta é esquecer. Para uns, desapegar. A ideia teve origem em São Paulo, com o jornalista Felipe Brandão. Ele convida ao esquecimento de livros em locais públicos. Uma vez deixados, podem ser resgatados e deixados de novo. Em Belém, uma reunião de pauta definiu que a capital paraense precisava aderir à provocação de deixar obras já lidas em espaços coletivos. Dedique a alguém e esqueça, hoje.

Regionalizar a pauta é uma das preocupações jornalísticas. Humanizar é outra. Trazer a proposta para a Cidade das Mangueiras seria, então, mais do que um fazer jornalístico. “Ele (Felipe) dizia na entrevista que sonhava em estender esse projeto para o resto do Brasil. Então, pensamos que o projeto era lindo e que alguém deveria tomar a iniciativa e, de repente, decidimos fazer e achamos que dava tempo de realizar ao mesmo tempo, neste sábado”, conta a jornalista Michelle Maia.

Hoje, o idealizador do “Esqueça um livro: o desapego literário” pede que leitores de todo o país participem da concepção projetada no tema do evento na rede social Facebook. “Em São Paulo, vou esquecer 600 títulos de uma vez na Paulista”, escreveu Felipe, encorajando os amantes da leitura. Mais de mil pessoas confirmaram presença na capital paulista.

Nos mesmos moldes do original, os três jornalistas paraenses organizadores da versão Belém – Além de Michelle, Fernanda Brabo e Lourival Borges – criaram a Fanpage no Facebook e adicionaram os amigos. “Estamos tentando juntar o máximo de pessoas interessadas e confirmar mesmo algumas para fazer neste sábado, lá na praça Batista Campos”.

Um jogo de interação inteligente e criativo

A meta dos ‘esquecedores de livros’ é expandir, alargar os horizontes e extrapolar as margens. “Depois desse primeiro evento, a ideia é criar outros e também estimular que as pessoas ‘esqueçam’ livros por aí sempre que tiverem vontade”, antecipa Michelle Maia. A absorção da perspectiva paulista tem um significado universal. “A necessidade aqui em Belém ou em qualquer lugar do Brasil é sempre estimular o hábito da leitura, o prazer do conhecimento e aumentar a bagagem cultural das pessoas”, lista.

Guardados como filhos, lidos com zelo e postos cuidadosamente na estante. Praticar a lei do desapego é tarefa árdua. “É um exercício de desprendimento”, resume Maia. Só emprestar já é uma prova de confiança, um desafio. Esquecer, então, é algo a aprender, como um vocabulário novo em uma página amarelada.

A professora Maíra Carvalho tem duas batalhas épicas: superar o sentimento de posse e escrever no livro. “É difícil desapegar de um livro, pelo menos pra mim. Mas vale o esforço!”, revela. Ela acha que a ideia pode causar estranheza em quem não conhece o projeto, mas admite que a dedicatória vai ajudar. “Eu não escreveria no livro, eu deixaria um bilhetinho dentro. Tenho pena de riscar”, admite. Além de estimular a leitura, Maíra vê outra vantagem no projeto. “Fora que é legal esse ‘jogo’. Você ‘viaja’ imaginando quantas pessoas já leram aquele livro”.

O fascínio de achar um livro esquecido assemelha-se ao de cheirar um livro novo ou ainda, de descobrir um pouco do outro naquela obra empoeirada, cuja dedicatória estava na prateleira do sebo. Quem quiser participar e disseminar a leitura e propagar o saber, basta esquecer o livro com uma dedicatória explicando que depois de ler, ele deve ser novamente deixado. Tire uma foto do livro no local onde deixar e poste uma foto na Fanpage do projeto.

(Diário do Pará)

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