O antigo Teatro São Cristóvão, prédio art décor erguido em 1913 e inaugurado pela União dos Chauffeurs, em 1958, finalmente deverá ser restaurado. Vizinho da sede da Secretaria de Cultura do Estado (Secult), o prédio sofre com o descaso. Apenas a fachada restou da edificação original e o mato alto encobre o terreno abandonado. Um acordo assinado pelo Governo do Estado e Ministério da Cultura pretende mudar essa situação. Desde o ano passado, a reforma do teatro é divulgada pela secretaria.
O espaço era referência na apresentação de grupos de pássaros folclóricos nas décadas de 1950 a 70, e também usado pelo movimento estudantil e artistas que lutavam contra a Ditadura Militar. Além disso, serviu de palco para shows de importantes nomes da música brasileira, como Roberto Carlos e Vinícius de Moraes.
O prédio, atualmente em ruínas, fica localizado na avenida Magalhães Barata, entre as ruas 3 de Maio e 14 de Abril, nos fundos da Associação dos Chauffeurs. “Ele voltará a ser o que foi”, garante o secretário de Estado de Cultura, Paulo Chaves, que chegou a frequentar o local.
O projeto pretende corrigir alguns detalhes importantes na estrutura do teatro. “Ele possuía uma plateia plana e um palco alto, além de um fosso, entre o palco e a plateia, que servia de bar, não tinha ar-condicionado e nem uma acústica adequada. Através do projeto, o espaço será tratado acusticamente, mantendo suas características tradicionais e receberá climatização. Além disso, vamos dar a inclinação correta atual e moderna à plateia, que possui 200 lugares e receberá o escalonamento necessário. E o fosso voltará a ser fosso. Ele será transformado em um teatro qualificado não só para os Cordões de Pássaros, como também para a cultura popular em geral”, detalha o secretário.
A partir da reconstrução, o espaço voltará a ser palco oficial da cultura popular. “Queremos trazer o espírito de utilização desse teatro de volta. A casa será restaurada com dois memoriais: um com a história dos motoristas, da Associação, do padroeiro, e outro memorial instalado será o dos próprios Pássaros Juninos, para o qual estamos coletando informações e fotos”, explica. Só em Belém existem 22 grupos de pássaros juninos.
Além disso, o teatro também será utilizado pelos músicos da Amazônia Jazz Band (AJB). “Em um espaço teremos uma videoteca e, ainda, a sede da AJB, que terá os horários diurnos e não utilizados para fazer seus ensaios, já que atualmente ela está sem espaço. Durante as obras, o Gasômetro será utilizado pelos músicos em horário não comercial. É possível transformar esses ensaios em tradição, sendo inclusive aberto ao público. Queremos colocar a Amazônia Jazz Band para tocar junto com os Pássaros, será uma união inédita”, ressalta o secretário.
PROJETO
O titular da Secult explica que uma das principais preocupações do projeto é manter características originais da construção. “O prédio tem sua entrada remetendo aos anos 40, que pretendo preservar, porque é uma das poucas coisas que restou. A ideia é corrigir o teatro cenicamente, dando as condições ideais de visibilidade acústica e climatização, com um mobiliário moderno e mantendo sempre as características pretéritas”, explica.
Folclorista e radialista, Iracema Oliveira é guardiã do Tucano, coordenadora das Pastorinhas Filhas de Sion e do grupo Parafolclórico Frutos do Pará, e participa de encenações de Pássaros Juninos desde os 7 anos de idade. Para ela, a retomada do Teatro São Cristóvão é a realização de um sonho. “Os nossos pássaros estavam sem espaço para voar, foi a melhor notícia que poderíamos receber nesse início de ano, eu tinha fé que um dia essa reforma ia se concretizar”, diz.
O protocolo de compromisso de desapropriação e restauro da antiga sede da Associação dos Chauffeurs e reconstrução do Teatro São Cristóvão ocorreu durante a vinda da ministra da Cultura, Marta Suplicy, a Belém, neste mês de janeiro, para participar da inauguração da primeira Rede Incubadoras Brasil Criativo, na sede do Instituto de Artes do Pará – IAP.
Atualmente, os proprietários estão sendo indenizados e o teatro passará por uma operação de emergência para que não caiam as paredes externas. “O projeto deve estar pronto no mês de março, para que em maio ou junho, possa ser licitado pelo Ministério da Cultura”, informa o secretário.
(DOL com informações da Agência Pará)
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