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Maurício de Sousa fala do sucesso de sua carreira

Ele é ‘só’ o criador da Turma da Mônica. Mauricio de Sousa, 78, tem mais de um bilhão de revistas publicadas. É o pai das HQs no Brasil. Carreira iniciada a partir da série em quadrinhos de Bidu e Franjinha, publicadas na Folha da Manhã, onde trabalhou es

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Ele é ‘só’ o criador da Turma da Mônica. Mauricio de Sousa, 78, tem mais de um bilhão de revistas publicadas. É o pai das HQs no Brasil. Carreira iniciada a partir da série em quadrinhos de Bidu e Franjinha, publicadas na Folha da Manhã, onde trabalhou escrevendo reportagens policiais.

Na década de 1970, o nascimento que iria entrar para a história dos quadrinhos brasileiros, a revista Mônica. Com a personagem dentuça de vestido vermelho, pela Editora Abril, a tiragem chegou a 200 mil exemplares. O brasileiro ainda trabalhou com o selo da Editora Globo por 20 anos. Para internacionalizar ainda mais os personagens, migrou para a italiana Panini.

É praticamente impossível encontrar uma criança brasileira que nunca tenha tido em mãos uma revistinha da Turma da Mônica. Mauricio de Sousa é responsável por 86% das vendas de quadrinhos brasileiros. Assim como os leitores, os personagens cresceram. Turma da Mônica Jovem foi lançada em 2008, com personagens cujos laços adolescentes lembram o mangá.

O sucesso superou as publicações brasileiras das últimas três décadas. Um marco editorial do mercado de quadrinhos no país. Os primeiros quatro números da revista venderam juntos mais de um milhão e meio de exemplares. Nas Graphic Novels (romances gráficos em tradução literal) MPS 50 Anos, MSP + 50 e MSP 50 Novos, quadrinhistas brasileiros independentes homenagearam as cinco décadas de carreira de Mauricio. Agora a aposta (bem sucedida) são as GNs.

Confira abaixo a entrevista exclusiva que Mauricio de Sousa concedeu ao DIÁRIO, via e-mail.

DIÁRIO: Como você vê o cenário das HQs que estão crescendo, se popularizando na internet e depois ganhando os impressos?

Mauricio de Sousa: Muitos desenhistas estão se projetando na internet. É uma vitrine para mostrar o trabalho e pescar leitores. Quem souber usar bem essa ferramenta de comunicação, terá sucesso.

P: Como foi perceber o seu trabalho no olhar dos artistas convidados nas Graphic MSP?

MS: Para mim foi uma honra ser homenageado por essas feras da HQ nacional. Sem dúvida essa nova linha de publicações com versões autorais dos meus personagens tem tudo para alavancar o mercado de Graphic Novels nacionais, um espaço antes somente ocupado por obras estrangeiras.

P: A Turma da Mônica fez gerações e os leitores cresceram com ela, uns ainda a reproduzem para os filhos e o ciclo vai se formando. Como mantê-la atualizada?

MS: É gratificante saber que, além das crianças, temos pais e avós que já leram ou ainda leem as aventuras da Turma da Mônica. E para que esse interesse se mantenha, procuramos nos manter antenados com assuntos, gostos e hábitos dos nossos leitores. Entre outras coisas, usamos a linguagem do dia e da hora. E ainda nos mantemos ligados às redes sociais num contato on-line. Que pai não aprecia que um filho siga seus hábitos de leitura e seu gosto por algum tipo de comunicação? É gratificante saber que, além das crianças, temos pais e avós que já leram ou ainda leem as aventuras da Turma da Mônica.

P: O TumbIr “Porra, Maurício!” faz críticas sociais às tirinhas de duplo sentido. O uso de drogas, o sexo e o preconceito racial são algumas das acusações que recaem sobre determinadas tirinhas da Turma da Mônica. Depois dessa observação dos internautas, o cuidado aumentou no processo de criação?

MS: Vejo essas manifestações na internet como normais para uma plataforma aberta a todo o tipo de observações ou críticas. No caso desse tumblr, exibem-se ali desenhos e trechos de histórias fora do seu contexto original. Quem lê ou acompanha essas exposições naturalmente deve saber que o que é mostrado não é nem representa nossa proposta ou filosofia. Continuamos com nosso trabalho cuidadoso e carinhoso para com o leitor, como sempre.

P: Por falar em criação, como são baseados os roteiros? Você estipula algum ‘deadline’ ou meta semanal?

MS: Temos reuniões e diálogo direto com nossos roteiristas que estão espalhados pelo Brasil. Assim acertamos as próximas histórias e discutimos os rumos de cada personagem. Tenho uma ótima equipe que hoje chega a uns 25 roteiristas. São cerca de 1.200 páginas só de quadrinhos por mês. Tudo bem coordenado para que consigamos sempre estar de 3 a 4 meses de antecedência do lançamento das revistas em banca.

P: Quais quadrinhos você lê?

MS: Atualmente estou com pouco tempo para ler tantas novas publicações. Mas sempre gostei do Spirit de Will Eisner, os personagens do Angelí, Laerte e Fernando Gonsales. E leio novos autores como os irmãos Cafaggi, Shiko, Gustavo Duarte e Danilo Beyruth, que desenharam nossas Graphic Novels. Formam uma nova geração de primeira linha que está surgindo no mercado.

P: Na sua opinião qual a importância dos quadrinhos na formação das crianças e adolescentes hoje?

MS: Sem dúvida os quadrinhos estimulam a leitura. Comigo foi assim. Meus pais traziam revistas em quadrinhos que eu lia rapidamente. Depois de um tempo já não bastavam os quadrinhos e fui para os livros. Li muito. Durantes anos fui leitor compulsivo. E com isso acabei me tornando um escritor de histórias que também desenha. E na minha carreira, desde o início, tive cuidados para passar ao leitor histórias alegres, divertidas, com algumas mensagens de comportamento e cidadania. São sementes férteis que juntamos à inteligência dos que nos leem. Sem dúvida os quadrinhos estimulam a leitura. Comigo foi assim.

P: Nesses 54 anos de carreira, quais foram os momentos que mais o marcaram na trajetória da Turma da Mônica?

MS: A primeira tirinha publicada em 1959 na Folha da Manhã (hoje Folha de São Paulo) com os personagens Bidu e Franjinha foi um momento bem especial para mim. Depois a primeira revista da Mônica publicada pela Editora Abril, em 1970, mais tarde o primeiro desenho animado para cinema, em 1981, a criação do parque da Mônica nos anos 90 e agora o sucesso da Turma da Mônica Jovem que veio coroar esses 54 anos de carreira.

P: Há projeto para a criação de um novo parque temático?

MS: Ideias, projetos e sonhos sempre temos. E um parque temático com nossos personagens é um desses sonhos. Mas há tempo para tudo. E no momento, na situação meio incerta da economia e os obstáculos para a importação de brinquedos adequados a esse tipo de empreendimento, estou empurrando esse sonho mais para adiante. É um tipo de negócio que exige investimentos, parceiros fortes e de preferência estratégicos. Quando eu sentir que a realidade mudou, vamos transformar sonhos em realidade. E todos sairemos ganhando. Inclusive o país.

O que vem por aí

O “Astronauta - Magnetar”, produzido por Danilo Beyruth, “Turma da Mônica Laços”, de Vitor e Lu Caffagi, “Chico Bento - Pavor Espaciar”, por Gustavo Duarte, e “Piteco - Ingá”, de Chico Shiko foram as primeiras da série. O projeto continua este ano. “Papa-Capim”, de Renato Guedes e Marcela Godoy; “Bidu”, de Felipe Garrocho e Eduardo Damasceno; “Turma da Mata”, de Greg Tocchini, Davi Calil, e Artur Fujita; “Penadinho”, de Paulo Grumbim e Cristina Eiko; “Astronauta II”, de Danilo Beyruth e Cris Peter e “Turma da Mônica II”, dos irmãos Vitor e Lu Cafaggi são as promessas de GN para 2014.

(Diário do Pará)

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