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Facebook faz aniversário e comemora

A rede social mais famosa do mundo completa hoje dez anos de existência. Nascida da ousadia de um jovem universitário, o Facebook toma o mundo e lança novidades a todo instante. Apesar de algumas teorias de que a rede criada por Mark Zuckerberg é uma f

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A rede social mais famosa do mundo completa hoje dez anos de existência. Nascida da ousadia de um jovem universitário, o Facebook toma o mundo e lança novidades a todo instante. Apesar de algumas teorias de que a rede criada por Mark Zuckerberg é uma febre que logo irá passar – como correu com o Orkut e o já extinto MSN –, o ‘Face’ continua tendo um papel muito significativo na vida das pessoas, mesmo daquelas que nunca criaram um perfil.
A intenção de Zuckerberg, segundo ele próprio já afirmou, era criar um website universal que pudesse conectar pessoas de toda a Universidade de Harvard, onde estudava. A proporção tomada por essa ideia já é outra história. Milton Fernandes, assessor de marketing da Universidade da Amazônia, possui tese voltada para as redes sociais e afirma que o Facebook foi um divisor de águas.
A rede social trouxe a tona ferramentas de mobilização voltadas para questões tolas como um milhão de curtidas para um compilado dos “melhores momentos com gatinhos”, até questões político-partidárias e sociais. “Principalmente nos últimos meses, desde as grandes manifestações que tomaram conta do Brasil, as pessoas começaram a entender o poder das redes. O próprio governo começou a tentar entender como funcionam e a acompanhar o que se passa nelas” – que o digam os movimentos contra o aumento das passagens de ônibus e os rolezinhos.

Pormenores não afastam os usuários

“Ele mudou muito do comportamento das pessoas e facilitou em muitos aspectos. As pessoas pesquisam mais, buscam por indicações, opiniões, dentro de seu circulo de amizades, isso teria configurado também uma nova forma de consumo, baseada na busca constante por novidades” – pelo que está em evidência, explica Milton. Mesmo algumas irritações como os convites para joguinhos, propagandas e intrigas não afastam os usuários.
Leonidas Dias, 21 anos, do blog paraense ‘Os Apocalípticos’ afirma que utiliza a ferramenta mais para fins profissionais. “Tanto que sou mais ativo em grupos que participo do que no meu perfil”. Em relação às atividades mais populares como os selfies, as curtições e os check-ins, ele acredita que muito disso é desnecessário: “Principalmente os check-ins. Eu vejo que muitas pessoas, de fato, utilizam o Face como uma rede social para mostrar aos outros uma pequena parte de sua vida. Mas, todo dia postar foto de sushi ou check-in no shopping?”, questiona.
O professor Milton Fernandes explica que a internet é “uma grande janela em que cada um pode escolher a paisagem que deseja ver”, por isso, reclamar por que ela está cheia de porcarias seria injustificado em certos casos. “O Facebook disponibiliza configurações para que você bloqueie uma série de coisas”, afirma. Oque cada um curte e acompanha é escolha pessoal. É preciso saber lidar com essa rede gigantesca.

Ferramenta de interação útil e perigosa

“Bem... o Face é super útil, no sentido de eu estar sempre em contato com a minha família que não mora em Belém e saber como eles estão, o que está se passando”, considera Livia Meireles, pedagoga de 43 anos. “Também sempre troco de fotos, acho que é uma maneira de você mostrar para as pessoas que está bem. Compartilhar com as pessoas os momentos de felicidade”. Mas há quem prefira um perfil mais profissional.

“No trabalho ajuda na troca de informações, e hoje como vivemos com pressa e com pouco tempo disponível, ele acaba ajudando a manter o relacionamento com as pessoas que estão mais distantes, trocar informações rápidas com elas. Mas também atrapalha, por exemplo, se fizermos vontade, acabamos nos distraindo muito olhando o Face, e acaba sendo meio que um ritual, um vício, ou seja, abrir o computador e ir direto pro Face já se tornou uma rotina”, considera a publicitária Carolina Souza, de 28 anos.

E os problemas podem se estender, alguns se pode evitar, outros nem tanto. Francisco Cantidio é contador, tem 48 anos de idade e menos de um ano de acesso à rede social. Ele diz usar o Facebook como ferramenta de trabalho e para falar com pessoas mais distantes. Nunca postou nada. Ainda assim, tem problemas sérios em casa por causa disso: “A minha esposa me expõe, não gosto disso. Às vezes deixo meu Face ligado, ela vasculha tudo, minhas amizades, meus relacionamentos profissionais”, reclama.

Os efeitos colaterais da exposição

Outro problema bem comum é o “pega na mentira” que acontece vez ou outra e muita gente perde amizade, perde emprego, perde de tudo. Livia Meireles, é uma dessas pessoas, postou um status em que falou mais do que devia. “Eu não quis mais participar da festa de formatura da sala, e era essa menina que estava organizando, quando eu a dispensei, eu dei a desculpa que não tinha dinheiro, aí depois postei no Face: ‘férias merecidas em Salinas’. Ela colocou um monte de besteira, me xingou”, revela.

Após a situação, as duas conversaram pessoalmente, entraram em uma trégua, mas a amizade acabou. E a própria Livia surpreende-se com a atitude da colega: “Eu nunca tinha passado por isso, mesmo porque ela é até avó, parece coisa de adolescente”, comenta. No entanto, a falta de tato de Lívia e a colega entre o real e o virtual, é algo que já tem gente tirando de letra.

Segundo o assessor de marketing Milton Fernandes, “hoje existe o que os especialistas chamam de pessoas ‘always on’ (sempre conectadas). São pessoas que já nascem com essa facilidade para a linguagem da internet, estão sempre conectadas a computadores, tablets ou celulares, e sabem lidar espontaneamente com essa vida pública”, no entanto há também aquelas que aprendem com o convívio. “São aquelas que aos poucos vão amadurecendo nas redes, vão adquirindo esse entendimento de como lidar com a exposição da vida intima, da vida profissional, com os conflitos”.

(Diário do Pará)

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