“Respeitável público!”. Esse é o jargão comumente usado nos circos. No picadeiro, espetáculos que reúnem a milenar arte circense como os palhaços, os acrobatas, equilibristas, os mágicos, a mulher barbuda, o globo da morte, entre outras manifestações artísticas. No entanto, o universo do circo por trás das cortinas apresenta uma realidade que vai além do espetáculo. De passagem por Belém na última terça-feira (4), o ator Marcos Frota, que também é artista circense há 25 anos, conhece bem essa realidade, e ministrou na cidade uma palestra motivadora sobre teatro, arte de atuação e circo aos artistas locais.
Marcos Frota coordena o projeto Universidade Livre do Circo no Brasil (Unicirco), que tem como objetivo incentivar a prática circense, uma arte que nunca vai morrer, nem mesmo com os problemas que enfrenta, segundo o artista.
Frota se refere às dificuldades financeiras enfrentadas pelos circos no Brasil, que não recebem nenhum incentivo governamental. O artista citou como exemplo as grandes redes de circo estrangeiro, como o “Cirque du Soleil”, que se tornou referência mundial através do apoio do governo francês. No entanto, ele se mantém otimista com o universo circense no país. “As pessoas gostam de circo. Mas, para enfrentar as dificuldades, vai ser necessário se reinventar”, declarou o ator.
Outras formas de entretenimento como shoppings, cinemas, internet atraem cada vez mais público, o que os tornam fortes concorrentes dos circos. Em relação a isso, Marcos Frota afirmou que o mundo da lona e do picadeiro consegue resistir. “O circo é diferente, é uma realidade vivida e vista no local. É interpretação teatral, efeitos visuais e outros fascínios que só o circo apresenta ali, tudo perto de quem vai assistir a um espetáculo. Mas, o circo tem que ter qualidade nesse espetáculo, para garantir público”, diz Frota.
Para quem quer viver dessa arte, Marcos Frota incentiva a manter o foco e lembra que a carreira circense pode abrir muitas portas no mundo das artes. “O circo é muito importante na formação de grandes artistas. Já revelou muita gente para as telas do cinema e da televisão, como Renato Aragão, Dedé Santana e Oscarito. O segredo é ter foco e seguir firme”, aconselha.
“Muito legal a palestra dele. Ele incentivou a gente a ter foco numa carreira que enfrenta muitas dificuldades, mas com amor pela arte a gente consegue permanecer nesse universo. Ele, sem dúvida é um grande exemplo”, disse Clediciano Cardoso, 34 anos, acrobata e presidente da companhia circense “Nós Tantos”.
Exemplo que fica bem claro nas palavras do eterno Tonho da Lua. “Quem nunca se encantou com um espetáculo apresentado nos circos, como os mistérios dos mágicos, a atuação dos palhaços, globo da morte e outras atrações? O circo nunca vai morrer. O espetáculo não pode parar”.
(Diário do Pará)
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