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Publicação seleciona receitas típicas do Pará

O pontapé inicial para a entrada no universo de sabores amazônicos é a mandioca – sua história, lendas – e como ela é manipulada para transformar-se na farinha nossa de cada dia, entre outros subprodutos como os beijus. Enquanto descobrimos mais e mais fr

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O pontapé inicial para a entrada no universo de sabores amazônicos é a mandioca – sua história, lendas – e como ela é manipulada para transformar-se na farinha nossa de cada dia, entre outros subprodutos como os beijus. Enquanto descobrimos mais e mais frutas, vegetais e receitas, vamos conhecendo mais lendas e aspectos econômicos e culturais paraenses. Cada tema de “Nosso Sabor Pai d’égua” traz detalhes sobre valores nutricionais e diferentes formas de uso.

Através da publicação também é possível saber de onde vem e como são feitos os utensílios da cozinha mais pai d’égua do Brasil. “Você vê como é feita a cuia [usada para tomar o açaí e o tacacá], o peneiro, o que é um jirau e as panelas em estilo marajoara”, revela Walbert Monteiro, editor geral do livro, lançado este mês pela editora Preservar.

Alguns temas fazem brotar a curiosidade do leitor, inclusive dos paraenses, como “A casa de farinha”, “Chibé, nossa marca registrada” e “Turu: você encara essa?”.

O importante é abordar tudo aquilo que envolve os sabores, o que nos leva, inclusive, até as nossas caças – os “sabores proibidos”.

De acordo com Walbert, mesmo proibidos, alguns animais fazem parte de nossa cultura gastronômica por serem considerados “caças”, como as tartarugas, muçuãs, jacarés e até camaleões. “Mostramos que esses também são sabores paraenses, ainda que proibidos, falamos dessa relação cultural cabocla com eles, e alguns pratos que são feitos, como a casquinha de muçuã”.

Os capítulos finais abrangem nossos peixes e frutas – e tem muita gente que vive no Pará e não reconhecerá nem mesmo a metade, mas muitos são extremamente valorizados fora do Estado. “O objetivo era oferecer uma visão geral da nossa cozinha, é uma publicação feita para quem é daqui e quem é de fora”, diz Walbert, que explica o capítulo dedicado apenas ao açaí – usado como capa da publicação:

“O açaí não foi colocado em conjunto com as frutas, pois em relação a ele queríamos chamar atenção para o aspecto dos ‘sabores ameaçados’. Ele, assim como outros sabores, sofre ameaça do desaparecimento com falta de políticas de replantio. O que tem se agravado com o aumento das exportações”, diz. Do ajuru ao cutite e do surubim ao tamuatá, o livro é uma verdadeira ferramenta de descobertas sobre a cultura paraense através de sua culinária.

(Diário do Pará)

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