A fim de explorar o olhar sensível e fotográfico de pessoas do mundo inteiro sobre o universo dos jogos e brincadeiras, envolvendo diversas culturas, a Fondation Alliance Française promoveu em dezembro do ano passado o concurso internacional de fotografia “On Joue sur la Terre” (O mundo joga). No Pará, três finalistas foram premiados na etapa local e o primeiro lugar regional foi Adan Bruno Costa da Silva.
O trabalho dele também foi selecionado como um dos 20 melhores na etapa mundial do concurso e vai integrar uma exposição internacional aberta ontem, em Paris e em um catálogo – ambos vão rodar o mundo, a partir de 7 de março. O fotografo comenta que está achando tudo maravilhoso.
“Já tinha passado por outro salão, mas fiquei surpreso com o primeiro lugar daqui. Procurei não criar muita expectativa em relação à seleção mundial, sei que seria diferente e muito mais difícil competir com trabalhos que vêm de paisagens diferentes pelo mundo. A verdade é que ainda nem sei direito qual a sensação. Acho que só vou entender mesmo o que aconteceu quando eu ver a exposição aqui – minha fotografia impressa junto com as outras do mundo todo”.
A satisfação de Adan Costa encontra-se também em levar para os olhares de outros continentes um pouco de suas raízes paraenses. Um cenário bem local está presente no trabalho selecionado – dois garotos a jogar bola em Belém, uma brincadeira animada em uma rua alagada, a simplicidade da diversão e dos sorrisos infantis tem tudo para agradar.
O fotógrafo Miguel Chikaoka fez parte do júri que selecionou Adan Costa na etapa local e afirma que a busca da banca julgadora era por trabalhos de qualidade em todos os níveis. Apenas lamenta que não tenham sido inscritos ainda mais trabalhos. “Acho que tem ainda mais coisas sendo produzidas aqui. Já que é um concurso para amadores, hoje eu vejo em rede social muitas coisas que teriam potencial para participar e vencer. Acho que as próprias pessoas que estão fotografando por aí não tem ideia do potencial das imagens que produzem”, afirma.
Myriam Mugica, diretora executiva da Aliança Francesa de Belém, comenta que os resultados do concurso no Pará já haviam sido muito bons na edição anterior. “E esse ano não foi diferente. Temos muitos fotógrafos bons. Já conhecíamos o potencial dos fotógrafos daqui, não há nenhuma dúvida quanto a isso, e estamos muito felizes com o resultado”, diz.
O importante é o olhar atento e a sensibilidade
O recém-premiado Adan Bruno Costa da Silva, apesar de ainda ser considerado amador, trabalha com registros fotográficos há cerca de quatro anos e atualmente é aluno de artes visuais com ênfase na fotografia – com a qual ele diz sentir-se “mais natural”. Esse desenvolvimento artístico, segundo ele, inclui muita pesquisa. “O trabalho de pesquisa que desenvolvi e que levou até o duo de fotografias selecionado para a exposição, por exemplo, teve inicio com o nascimento do meu sobrinho, hoje com três anos. Buscava retratar a brincadeira, o jeito simples de se divertir das crianças”, explica.
Apesar da pouca idade, Adan ainda tem 25 anos, ele diz que já se sente “velho meio esclerosado”, esquece quase tudo, e a fotografia é sua máquina do tempo. “Fotografando, relembro coisas da minha infância que naturalmente já não lembrava”, e a relação com as maquinas fotográficas vêm mesmo desde cedo. A primeira câmera foi uma da marca Yashica, presente do avô, e com a qual teve logo sua primeira frustração no ramo. “Era uma câmera semiprofissional, fiquei todo feliz, mas quando ia tirar minha primeira foto, deixei ela cair”, e rindo conta: “ela nunca mais funcionou direito”.
Com a oportunidade de expor seu talento mundo afora, o jovem fotógrafo que investir cada vez mais nas imagens. “Sempre usei câmeras simples, agora que comprei uma semiprofissional da Canon. Acredito que você não precisa ter um megaequipamento para conseguir uma imagem maravilhosa”, considera. As duas imagens selecionadas para o concurso internacional foram feitas em uma câmera Olympus compacta.
O duo de fotografias vencedoras foi tirado da janela do 7º andar, onde Adan mora. Ele acredita que deu sorte, estava com a câmera em mãos e o que via lhe parecia compor uma boa imagem, e pra ele, isso sim é essencial. “Acho uma tolice quem deixa de fotografar, porque pensa que precisa de uma câmera cara. As fotos que mais gosto de ter feito foram tiradas com as câmeras mais simples que eu tinha. Claro que um bom equipamento facilita e é necessário para determinados trabalhos profissionais, mas artisticamente, acredito que, o que vale mesmo é a estética, a imagem em si”.
Concurso
A exposição “On Joue sur la Terre”, vai reunir os 45 melhores trabalhos fotográficos do concurso. A abertura oficial acontece em Paris, hoje, e permanece aberta ao público até 6 de março, na Cité Internationale des Arts. Em breve, a exposição com as 45 fotografias vencedoras do concurso também serão expostas no Salão Cultural da Aliança Francesa em Belém. A foto vencedora da seleção mundial do concurso (acima) foi do mexicano Omar Imenez Gonzalez – de Guadalajara, México.
(Diário do Pará)
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