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Carnaval no interior não deixará ninguém parado

O carnaval pelo interior do Estado sempre tem um clima diferente daquele encontrado na capital paraense, e alguns destinos são mais que recomendados. Neles encontramos blocos carnavalescos dos mais criativos, em um clima de folia com os amigos, pés descal

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O carnaval pelo interior do Estado sempre tem um clima diferente daquele encontrado na capital paraense, e alguns destinos são mais que recomendados. Neles encontramos blocos carnavalescos dos mais criativos, em um clima de folia com os amigos, pés descalços e fantasias pra lá de originais.

Entre as cidades mais procuradas, e o Pará tem muitas, estão Vigia, Curuçá e Cametá, muito boas em receber os foliões mais ávidos por festas até o amanhecer. Enquanto muita gente opta pelo descanso e a paz em balneários e praias, outros foliões não trocam a festa nessas três cidades por nada. Do sábado à quarta-feira de Cinzas vale tudo, menos ficar parado.

E a festa corre solta no mangue

O carnaval de Curuçá é movido principalmente por seus blocos de rua. O mais tradicional deles, “Pretinhos do Mangue”, completa neste carnaval 25 anos de existência. Edmilson Campos, presidente do bloco e também coordenador do carnaval no município diz que por lá o carnaval já começa desde cedo. “Nesta segunda (ontem) tem a prévia dos blocos com o Curral do Piça. Aqui a folia é violência zero, vai até meia-noite e é muito divertido, pode vir”, convida ele.

Tem micaretas pela parte da noite, as principais são “Pilantras” e “Tigre”. Os curuçaenses e turistas ainda têm os blocos “Boi Prosa” e “As curuçaenses”, onde os homens se fantasiam de mulheres. Além de, “Pretinhos do Mangue”, conhecido nacionalmente por sua originalidade, ele sairá às ruas nos dias 02 e 04 de março. O bom é que basta encontrar um bom mangue e esfregar a fantasia no corpo para sair desfilando pelas ruas, o bloco depende apenas da maré estar baixa.

Segundo Edimilson, o carnaval começa com o Curral na avenida, levando um monte de gente a cidade, “é uma homenagem ao Piça, um pescador que retirava o lixo dos locais de mangue”. O carnaval oficial começa no próximo sábado, dia 1º, com a abertura do Rei Momo e bandas locais, terminando na quarta feira de cinza com o Bloco dos Ilhados, “são pessoas que brincam e coordenam o carnaval, e também turistas que gastaram todo o seu dinheiro, a gente faz sorteio de passagem de volta para Belém, para Nova Iorque, Europa - tudo à pé -, uma brincadeira é claro”, conta ele.

Em Vigia, um show de irreverência

Para quem procura algo diferente, mas nem tanto, toda segunda-feira de carnaval no município de Vigia de Nazaré uma alegria contagiante passa pelas estreitas ruas da cidade. Homens vestem suas minissaias e vestidos, passam a maquiagem, colocam salto alto e suas perucas. As mulheres ganham uma barba desenhada no rosto, chapéu, um short e uma camiseta. Todos saem para a grande festa, a saída dos blocos de maior sucesso: as Virgienses e os Cabraçurdos.

Nas Virgienses, mulher não entra. No Cabraçurdos, quem é homem fica de fora. Durante todo o percurso, um barril cheio de cachaça acompanha os foliões. São mil litros da bebida, que é distribuída de graça para os brincantes. A própria organização prepara a bebida usando cerca de 80 quilos de limão, 40 quilos de açúcar e outros 60 quilos de gelo dentro do barril. E não adianta querer misturar, cada bloco segue um caminho oposto.

É no final do dia em frente ao Espaço Cultural da cidade que eles se reencontram, apenas para animar ainda mais o carnaval. Segundo o organizador do bloco As Virgirenses e membro da Secretaria Municipal de Cultura, Tiago Palheta, o número de brincantes cresce a cada ano. “O bloco faz 29 anos neste carnaval e de uns 10 anos pra cá, cresceu bastante. A concentração ocorre na Rua de Nazaré, local onde ele foi fundado. Tem uma música própria, que todo mundo canta, mesmo quem vem pela primeira vez parece que já vem sabendo”, orgulha-se em dizer.

O carnaval feito pelos dois grupos parece ter conseguido manter a tradição dos blocos de rua, aos quais as pessoas vão para se divertir em família e com os amigos, “sem brigas e cada um respeitando o espaço do outro”, afirma Tiago. Ao longo do percurso das Virgienses, são cinco trios elétricos movimentando dos mais de 100 mil foliões. No mesmo dia dos blocos, já pela parte da noite, ainda existe a Gaiola das Loucas, com mais de 19 anos de existência, para arrebatar os foliões até a madrugada.

Os carudos saem às ruas

A festa começa com as atrações que envolvem expressões folclóricas regionais: bloco do Fofó dos Carudos, o Bloco da Bicharada e os grêmios recreativos de escolas de samba. O carnaval de Cametá tem os blocos mais tradicionais e ligados a cultura da própria cidade. O evento colabora para o aumento das atividades comerciais como hotelaria, comércio, transporte, restaurantes e feiras em geral. Ainda conta com um dos melhores desfiles de escolas de samba fora da capital paraense.

A coordenação do carnaval cametaense, assim como a dos outros municípios citados, afirmar ter trabalhado para oferecer conforto e segurança aos brincantes, contando também com o apoio de bombeiros, policiais militares e centenas e agentes de segurança particular. Mas ainda tem blocos mais simples onde nem é preciso grande aparato para se divertir com segurança e em família.

No próximo dia 02, conhecido como domingo gordo, o já tradicional Bloco Fofó dos Carudos, com seus 23 anos de folia sai às ruas. A cada ano os brincantes fazem fantasias com um tema diferente inspirados na cultura de um país – já houveram carnavais com gente vestida de chinês, árabe, português, entre tantos outros. Para esse ano de copa do mundo, o tema são os próprios brasileiros.

“Vamos apresentando os personagens de cada estado”, explica Fabiano Veiga, patriarca da família que organiza o bloco. “São meus filhos e esposa, junto comigo, quem fundou e organiza até hoje o bloco. Os nomes dos blocos aqui de Cametá sempre surgem de uma brincadeira, no caso do nosso uma pessoa encarnava na outra, quando encontrava com um carudo na rua, e disse ‘ vamos fazer esse bloco’”, conta.

E eles realmente fizeram. A casa de Fabiano é próximo da Praça das Mercês, de onde uma diversidade de blocos costuma sair. O bloco, que como muitos, começou pequeno – apenas 37 pessoas -, hoje costuma reunir 600 brincantes. “As sedes não são muito grandes, se deixar muito aberto, daria mais de mil pessoas e não daríamos conta, então procuramos segurar um pouco a entrada de gente. E mesmo assim, todo ano o bloco acaba recebendo mais gente”, diz Fabiano.

Cametá é considerado um dos melhores destinos para os amantes do carnaval no Pará.

As localidades do município também podem ser um bom roteiro complementar para a folia, incluindo Santana, Turema, Juába, Pacovatuba, Mutuaca, entre outras. É um carnaval um pouco mais eclético do que os demais, inclui escola de samba, trios elétricos embalando o público com o axé music, e as manifestações culturais locais. São mais de 50 blocos de abadás, mais de 10 blocos culturais e seis escolas de samba. Não tem como não encontrar diversão.

Como chegar:

> Vigia (77 km de Belém)

Acesso via terrestre: BR-316 até Santa Izabel, depois é feito acesso à PA-140. No Terminal Rodoviário de Belém, em São Braz, há viagens diárias, com saída de hora em hora, o percurso é de 1 hora e 30 minutos.

> Curuçá (132 km de Belém)

Acesso terrestre: há saídas programadas do Terminal Rodoviário de Belém, em São Braz, todos os dias. A viagem dura em média 3 horas.

> Cametá (150 km de Belém)

Acesso fluvial: os barcos saem diariamente dos portos da capital, um deles é o Porto Arapari, na Cidade Velha, e o percurso leva em média 12 horas.

Acesso rodo-fluvial: são 5 horas de estrada em ônibus ou vans que saem do Terminal Rodoviário de Belém com destino ao Carapajó, distrito de Cametá, e mais 1 hora de lancha até o destino final.

(Diário do Pará)

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