As danças de roda ou circulares estiveram presentes em toda história da humanidade, eram realizadas em momentos como nascimento, casamento, colheita e a chegada das chuvas. Até hoje elas refletem a necessidade de celebrar e unir pessoas. A cultura paraense também é cheia delas através de ritmos como o carimbó e o siriá, em que um círculo é formado para que as pessoas dancem todas juntas, compartilhando a música e sua sensação de bem estar e felicidade.
Em Belém, um dos inúmeros grupos que trabalham esta atividade, o Roda de Hera, está completando 10 anos de existência e comemora hoje, dia 19, na Estação das Docas, convidando a todos para participar e ter a oportunidade de praticar a dança circular. “Esse é um movimento que teve início na década de 1960, na Alemanha, e que tem contribuído com a educação, terapia e interação entre as pessoas. Hoje existem cursos de especialização na USP (Universidade de São Paulo), voltados para as danças circulares”, afirma Harvreet Kur, focalizadora do Roda de Hera.
Os focalizadores são as pessoas que ajudam os demais participantes a “manter o foco” na dança, ensinam como dançar. “Ela é uma técnica desenvolvida para trazer transformação e desenvolvimento humano. As pessoas entram na dança e vão conhecendo melhor a si mesmas”, afirma. O grupo reúne-se toda quarta-feira, por volta das 19h30, no espaço Ver-o-Rio, bairro do Telégrafo, em Belém. Mas outros espaços já recebem grupos de dança circular, como o São José Liberto, na Cidade Velha.
A troca simples, porém construtiva, tornou-se técnica voltada para dar às pessoas qualidade de vida – assim como a Ioga. Foi Bernhard Wosien (1908-1986), bailarino clássico e coreógrafo, quem percorreu o mundo pesquisando danças típicas de diferentes povos e que envolviam a formação em circulo. Em 1976 passou a ensinar essas danças e incorporar novas danças ao repertório. “Essa é uma das belezas das danças circulares, através delas você conhece a cultura de outros povos, e incluímos também muitas músicas brasileiras e paraenses”, diz Harvreet.
O grupo Roda de Hera costuma reunir cerca de 20 pessoas a cada encontro, além de contar com participações de pessoas que passam e resolvem entrar na roda para uma dança ou duas. “Todas as pessoas são convidadas, não há limite de idade, o símbolo do círculo é a totalidade, a inclusão de todos”, completa a instrutora.
(Diário do Pará)
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