Sem fantasia para brincar o Carnaval que seguia pelas avenidas principais que circulam o bosque, os três garotos se decidiram pela opção mais fácil. Depois de uma rápida passada no mangue, sem muitas vestimentas além da lama escura e na companhia de um cachorro igualmente coberto, os foliões deram início, anos atrás, à tradição que, neste domingo (2), arrastou cerca de 17 mil "pretinhos" pelas ruas de Curuçá, segundo estimativas da própria Polícia Militar.
Completando 25 anos de existência este ano, no bloco que cobre os brincantes com o "abadá" feito do barro dos mangues não há distinção. Apenas com os olhos protegidos do barro, o açougueiro Marivaldo Costa era só alegria. Acostumado a curtir o Carnaval no município de Barcarena, onde mora, a vontade de conhecer o Carnaval do mangue lhe perseguia a cada início de ano. “É ótimo, diferente, deixa o Carnaval com uma cara nova. Tá aprovado”, comemorava ao lado de toda a família.
(Foto: Ney Marcondes)
TRADIÇÃO
O pedreiro Orivaldo Cunha está longe de anunciar um dos responsáveis por iniciar a tradição que hoje atrai foliões de todas as partes do Pará e até de outros Estados. Morador de Curuçá desde o nascimento, ele vê com orgulho os frutos da brincadeira de criança. “Eu, meu cunhado e outro menino pequenino descemos, pegamos a lama e deixamos só o olho aparecendo", lembra horas antes de, mais uma vez, se "vestir" de lama.
(Foto: Ney Marcondes)
PRESERVAÇÃO
Completamente envolvido pelas brincadeiras características do Carnaval, o bloco não perde também a responsabilidade de chamar a atenção para a questão ambiental e a necessidade de preservação do mangue. Além das mudas de árvores de madeira de lei prestes a serem plantadas após o Carnaval, a própria ida ao mangue tende a ser organizada para evitar prejuízos ambientais.
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