O carnaval chegou e não tem mais jeito, a folia tomou conta dos quatro cantos do país. A maior festa popular do Brasil é capaz de mexer com a estrutura até das pequenas cidades, como no caso de Vigia de Nazaré, no nordeste do Pará, que com a população aproximada de 50 mil pessoas, na época carnavalesca se transforma no maior carnaval de rua do Estado, capaz de reunir cerca de 200 mil foliões oriundo de outros municípios do Pará e até de outras cidades do país, que saem em cortejo atrás dos blocos pelas estreitas ruas do município.
A folia em Vigia começou desde a última sexta (28) e vai até amanhã, serão cinco dias de folia intensa com vasta programação de blocos carnavalescos que se apresentam até o sol raiar. Entretanto, o grande dia está marcado para hoje com a apresentação dos três arrastões mais tradicionais do município “As Virgienses”, com homens que se vestem de homens, “Os Cabrassurdos”, que apesar do artigo masculino são formadas por mulheres trajadas de homens, e “A Gaiola das Loucas”, formada por homossexuais, que vão sair pela cidade a partir das 16 horas sem hora para acabar.
Se todo homem tem seu lado feminino o local e o momento ideal de demonstrar isso é no carnaval de Vigia no bloco “As Virgienses”. Com a tradição de 35 anos, o grupo da folia é formado por homens fantasiados de mulheres, que esbanjam show de irreverência em nome da alegria. “Se vestir de mulher durante o carnaval é uma fantasia normal no carnaval, mas o nosso bloco foi criado para oficializar essa fantasia para o homem que tem vontade de se vestir de mulher na folia”, disse João Gomes, presidente do bloco.
Para não ficar para trás na concorrência dos homens na folia, o bloco “Os Cabrassurdos” é formado por mulheres trajadas com vestimenta de homens, que iniciam o cortejo logo após as Virgienses. “Se homem pode se vestir de mulher por causa da folia no carnaval, nós também temos o direito de se vestir como eles também. O direito tem que ser igual para todos, sem distinção”, brinca Cláudia Barbosa.
Para quem está fora do rumo da indecisão ou da opção sexual o bloco “A Gaiola das Loucas”, que é formado por homossexuais, é a opção. Livres do preconceito, eles começam a folia por Vigia com muito glamour e brilho. “Se tiver preconceito, não temos tempo para discutir isso no nosso bloco, porque carnaval é só alegria e diversão”, disse Bianca Loren, travesti.
Cachaça é servida no rabo do tatu Apesar da relevância dos blocos que se apresentam hoje, a folia em Vigia acontece até amanhã e com blocos que a cada carnaval ganham mais destaque. É o caso do Tatu e Cia, que convida todos os brincantes a “tomar no rabo” a cachaça que é servida dentro de uma réplica gigante do animal, em que os foliões bebem pela calda da alegoria. Além dos blocos, a diversão continua no espaço cultural de Vigia, que fica localizado em frente a igreja do Bom Jesus, mais conhecida como igreja de pedra, que é o ponto final dos blocos, onde os foliões de todos os arrastões se encontram e dão continuidade à folia até o amanhecer. “Vou me vestir de mulher, vou apoiar as mulheres vestidas de homens, vou tomar no rabo. Tudo vale a pena no carnaval de Vigia”, disse Augusto Pitauan, professor. |
(Diário do Pará)
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