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Mestres reivindicam reconhecimento do carimbó

O conteúdo do dossiê divulgado em fevereiro de 2014, como parte do processo de registro do carimbó como Patrimônio Cultural Brasileiro, será tema de discussão na reunião marcada para esta quinta-feira (6), às 9h, na sede do Instituto do Patrimônio Históri

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O conteúdo do dossiê divulgado em fevereiro de 2014, como parte do processo de registro do carimbó como Patrimônio Cultural Brasileiro, será tema de discussão na reunião marcada para esta quinta-feira (6), às 9h, na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Natural (Iphan), em Belém.

Cerca de 20 lideranças e mestres de carimbó da mesorregião Nordeste e Região Metropolitana de Belém devem participar. do encontro que também deverá recolher as contribuições das comunidades e grupos a esse documento, fruto de ampla escuta promovida pelo movimento em vários municípios desde janeiro. O documento está em consulta pública na internet até o dia 17 de março.

Para Isaac Loureiro, coordenador da chamada Campanha do Carimbó, movimento que desde 2006 mobiliza os mestres e as comunidades em mais de 20 municípios espalhados pelo estado, esse é o momento de evidenciar a participação popular. “Na divulgação do dossiê, a mídia paraense deu muita ênfase em um carimbó estilizado, usado como produto de promoção turística ou como fruto de uma indústria cultural local. Nós gostaríamos de enfatizar a dimensão comunitária e popular do carimbó”, afirma Loureiro, que também é membro do Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC) do Ministério da Cultura, e foi um dos maiores articuladores do processo de patrimonialização.

Desde 2002 é realizado o Festival do Carimbó do município de Santarém Novo, que deu origem ao movimento pelo registro. Em 2005, o festival promoveu um seminário cujo tema era a importância do carimbó para a identidade cultural do Pará e da Amazônia. O evento levou ao interior representantes do Ministério da Cultura, IPHAN, Instituto de Artes do Pará (IAP) e Funtelpa, entre outras instituições. Aí surgiu a idéia de uma campanha em prol do registro, a partir do diálogo estabelecido com o IPHAN a respeito do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial.

ORIGEM DO CARIMBÓ

Nascido há cerca de 200 anos da mistura de práticas culturais cultivadas por negros e indígenas e acrescidas da influência lusitana, a origem real do carimbó é um mistério. Provavelmente surgiu em vários lugares ao mesmo tempo em diversos locais do Pará, incorporando as práticas nativas e se integrando ao cotidiano das comunidades pesqueiras e rurais tradicionais. Por sintetizar as culturas das três principais etnias formadoras do povo brasileiro na Amazônia, o carimbó é cultuado por artistas, estudiosos e militantes como o maior bem cultural da Amazônia, especialmente do Pará, onde sua cultura se mescla a diversas outras expressões regionais.

O folclorista Bruno de Menezes, na primeira metade do século passado, classificou três tipos de carimbó: o carimbó praieiro (também chamado hoje de “praiano”, praticado na Zona Atlântica do Pará); o carimbó pastoril (de Soure, Marajó); e o carimbó rural (do Baixo Amazonas). Além das localizações geográficas, os tipos mostram variações rítmicas e estilísticas entre si.

No início dos anos 1970, a popularização do carimbó, que era uma prática marginal na sociedade colonialista paraense, transformou-o em gênero musical “pop”. Vários grupos, cantores e compositores se lançaram numa tentativa de se estabelecer em um emergente mercado fonográfico local e nacional. O nome de maior sucesso, sem dúvida, foi o cantor e compositor belenense Pinduca, reconhecido até hoje como o artista que promoveu a eletrificação do carimbó, tornando-o uma atração ao mercado fonográfico brasileiro. A oposição entre o carimbó “de raiz” e o carimbó “pop”, industrializado, por assim disser, tornou-se uma dicotomia muito presente nos debates culturais paraenses.

PARTICIPAÇÃO DE MESTRES

Estão confirmadas as presenças em Belém, na próxima quinta-feira, dos mestres Manoel (do grupo Uirapuru), Mário (do grupo Japiim), Branco (do grupo Flor do Mangue) e Bidica (do grupo Sereias do Mar), todos do município de Marapanim, terra de Mestre Lucindo, um dos compositores de carimbó mais celebrados do Pará. De Curuçá virão os mestres Rildo (do grupo Sabiá) e Sandico (do grupo Canarinho). De Salinas: Mestre Nelson (O Popular), Haroldo (Revelação do Zimba). De Santarém Novo: Mestres Dico Boi e Ticó (Quentes da Madrugada). De Vigia: Mestres Lico e Neco (Beija Flor). De Colares: Mestre Diquinho (Raízes do Cacau). De Santa Bárbara do Pará: Mestres Ílson e Cazuza (Unidos do Paraíso)

Da Região Metropolitana de Belém, estão confirmadas as presenças de Lucas (do grupo Sancari), Nazaré do Ó (do grupo Águia Negra) e Nego Ray (do Coisas de Negro). Também virão mestres Nivaldo (Pindorama), Manoel Alexandre (Amigos do Carimbó) e Luiz Gonzaga (Águas Lindas), todos de Ananindeua. Devem vir mais mestres de municípios como São Caetano, Irituia, Marituba, Maracanã e outros. Acontece que a campanha está em ampla mobilização para que está reunião seja um grande encontro de mestres de todo o estado.

SERVIÇO

Encontro da Campanha do Carimbó para avaliação do dossiê publicado pelo Iphan. No dia 6 de março, às 9h30, na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Natural (Iphan), em Belém.

(DOL com informações do blog Campanha Carimbó)

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