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Filme que ganhou Oscar será distribuído em escolas

O filme ‘12 anos de escravidão’, ganhador de três categorias do Oscar 2014, incluindo Melhor Filme, será distribuído em escolas públicas dos Estados Unidos a partir de setembro, assim como o livro escrito pelo protagonista da história, Solomon Northup,

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O filme ‘12 anos de escravidão’, ganhador de três categorias do Oscar 2014, incluindo Melhor Filme, será distribuído em escolas públicas dos Estados Unidos a partir de setembro, assim como o livro escrito pelo protagonista da história, Solomon Northup, no qual baseia-se o longa-metragem. A intenção é usá-los como recurso didático nas salas de aula americanas.

O projeto é uma parceria entre os produtores do filme, a editora do livro e a Nacional School Boards Association, que por meio das duas obras desejam conscientizar estudantes das escolas públicas para os males da escravidão. A ação faz pensar quantos outros trabalhos literários e cinematográficos aqui no Brasil também poderiam ajudar a entender nossa própria experiência com esse mal.

Segundo o professor Augusto Leal, da Universidade Federal do Pará, um livro que faria frente a ‘12 Anos de escravidão’ e que seria importantíssimo ao ensino no Brasil é ‘Rebelião Escrava no Brasil’, do escritor baiano João José Reis. “É um livro que se baseia em uma pesquisa consistente. O autor consegue mostrar a religião, o vestuário e as formas de organização dos malês. Mostra como era complexa essa organização, revela as estruturas sociais, a escravidão urbana, e como eles foram capazes de realmente fazer frente a tudo isso por estarem bem organizados”, explica.

O livro foi publicado originalmente em 1986 pela editora Brasiliense, e hoje é possível encontrá-lo pela Companhia das Letras. Em relação ao Pará, Augusto Leal afirma existe o livro e o documentário “O Negro do Pará”, de Vicente Salles, falando da escravidão na Amazônia. “Acredito que este é um livro que deveria ter distribuição geral em escolas e universidades”, afirma.

O professor de ensino médio Michel Pinho, afirma que obras e debates fundamentais já são feitos nas programações das TVs públicas no Brasil. “Seria importante esses debates também chegassem às emissoras comerciais”. Entre suas indicações para as salas de aula está o filme ‘Desmundo’ de Alain Fresnot. “Ele seria um belo começo para falarmos sobre o processo de colonização. Possui um roteiro interessante, fidelidade histórica e personagens cativantes”, considera.

Michel Pinho faz ainda outra sugestão: “Queria propor não uma obra literária, mas uma imagem. A tela ‘A Fundação da Cidade de Belém’, de Theodoro Braga. Essa obra de arte é tão interessante pela sua visualidade, por narrar o encontro de culturas indígenas e europeias; pela sua construção histórica e conflitos durante a Belém do final do século XIX e início XX”.

Ele acredita que a escola tem que ser o lugar do diálogo “não só entre os diversos saberes, como o diálogo entre o indivíduo e sua cidadania”. E que sempre que for possível atrair estudantes por meio de obras como ‘12 anos de escravidão’, isso deve ser feito e aproveitado para dar início ao pensamento mais crítico sobre a história, “que não é feita apenas de fatos e datas, mas da história de vida de muitas pessoas”, como a do personagem Solomon Northup.

(Diário do Pará)

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