Vindas dos Estados Unidos, as webséries têm variedade e muitas adaptações para a TV e até cinema. Aqui no Brasil, tem muita gente realmente investindo nesse novo formato, que começou a ir ao ar em 2009 e tem se tornado cada vez mais popular.
“A diferença é que lá fora os estúdios já perceberam o valor da web e estão investindo alto nisso. Esse é um dos paradoxos que a gente vive no Brasil. Há uma grande aceitabilidade do público, mas o mercado ainda não aceitou isso. Não temos um modelo de investimento que sustente a produção continuada dessas webséries e muitas tem nascido do esforço próprio de seus criadores ou leis de incentivo”, afirma o roteirista e diretor mineiro Guto Aeraphe.
A série ‘Lado Nix’, produzida pela Mambo Jack Filmes, é considerada o primeiro sucesso brasileiro no gênero. Ela conta a história de uma balconista de comic shop apaixonada por games e quadrinhos da década de 1980. Para a produção dos primeiros cinco episódios, o custo foi cerca de R$ 85 mil.
Para Guto, a websérie não é o futuro do mundo audiovisual, mas o presente. “É claro que lá fora é mais difundido. Aqui se prefere investir na TV, baseada nas gordas publicidades. Na internet ainda não se paga por isso. Mas o mercado precisa levar em consideração que a audiência da web é mais qualificada. Na internet você consegue mensurar o número de público e o perfil deste. Além disso, o investimento tem custo menor”.
Uma produção de qualidade, segundo Guto, tem custo entre 30 e 50 mil reais. “Pode variar absurdamente. No nosso portal, é alto o custo de produção, porque, quando pensamos em internet, também levamos em consideração que diversos aparelhos podem ser conectados a ela. Produzimos com uma qualidade que posso exibir na tela de cinema e até no celular”, explica.
Trabalho reconhecido nos EUA
Responsável pelo site Webseriados, Guto Aeraphe já ganhou seis prêmios do LA Web Series Festival, dos Estados Unidos, com as webséries ‘Heróis’ e ‘ApocalipZe’. Um reconhecimento que ele considera muito gratificante e capaz de abrir portas para os novos trabalhos dentro do mercado de cultura e entretenimento brasileiro.
Entre os trabalhos que gostou de encontrar na web, Guto aponta ‘A solteirona’, do roteirista e diretor paraense Saulo Sisnando. “Achei muito bacana a iniciativa. E prova uma das coisas que gosto na websérie - o desprendidmento do eixo Rio-São Paulo”. E dá seu ‘pitaco’ em relação ao que viu. “Eu acho que a maior parte das produções atuais ainda peca na parte técnica, talvez porque estão com muita vontade de realizar. É preciso se profissionalizar mais”.
Saulo Sisnando já havia trabalhado como ator na websérie ‘Nós’, de Joaquim Araújo. Com ‘A Solteirona’, escreve e dirige pela primeira vez uma websérie. “O que me atraiu é que a arte voltada pra internet diminui o número de intermediadores. É o público que diz se presta ou não”. Após o trabalho com a websérie, Saulo ainda lançou mais dois vídeos e tem dado aulas de roteiro para a internet. “Para os jovens que estão fora desse eixo, ela (internet) se torna uma vitrine”. O custo de produção de ‘A Solteirona, ele conta, foi cerca de 15 mil reais. “Foi um produto que todo mundo comprou a ideia. Os atores toparam um cachê baixo só para colaborar, contou com o trabalho de amigos na parte técnica”, e isso é que tem colocado muita gente nova na web, ele considera.
Novidades
O trabalho mais recente de Guto é o suspense policial chamado ‘Nascido Morto’, com roteiro do paulista Alex Molleta e que já vem tendo um bom número de acessos. E o diretor ainda prevê mais dois trabalhos: o primeiro é sobre a participação do exército brasileiro no processo de pacificação no Haiti; e o segundo, intitulado ‘Supremo’, terá como tema os bastidores do Mensalão.
“O primeiro foi aprovado essa semana por lei de incentivo, a Lei Rouanet, e daqui a três semanas lançaremos um teaser, para ajudar tanto na divulgação quanto na captação de patrocínio”, conta. A expectativa é que até outubro ocorra o lançamento. Já o último projeto, ‘Supremo’, está em processo de roteirização. “Até o meio do ano, pós-Copa do Mundo, acredito que consigamos aprovar em lei de incentivo”.
O site de Guto Aeraphe também irá promover a ‘Batalha de Webséries’, uma competição em que as pessoas vão enviar seus trabalhos para competir diretamente com outro. “Vamos catalogar por gênero e colocar duas para batalhar e decidir o que vai ser disponibilizado no portal. Quem decide tudo é o internauta”. O link para inscrições já está no portal. Uma oportunidade pra quem não sabe por onde começar.
ASSISTA
Para você não ficar por fora, listamos cinco webséries que você vai gostar de conhecer:
1. The Walking Dead
Nada de pausa para os comerciais. A série de zumbis mais amada da TV também possui pequenos episódios produzidos especialmente para a internet - em webséries - lançados tradicionalmente entre uma temporada e outra, independentes da história apresentada na TV.
2. Web Therapy
A terapeuta Fiona Wallice experimenta um novo método de terapia online: são apenas três minutos em uma consulta online, porque se for mais do que isso, já será muito tempo gasto para falar bobagens. A websérie já recebeu participações especiais de diversos artistas americanos e foi adaptada para a TV pelo canal Showtime, onde já está em sua terceira temporada.
3. Nerd of the Dead
A história de dois nerds que se preparam há muito tempo para o apocalipse zumbi. Quando ele de fato acontece, eles partem na aventura de suas vidas. A série é menos voltada para o drama da sobrevivência, e mais para a liberdade de viver em um mundo sem leis. Onde encontrar: www.webseriados.com
4. Heróis
Na premiada obra de Guto Aeraphe, três pracinhas mineiros ficam frente a frente com uma companhia alemã inteira e recebem ordens para se render, mas continuaram em combate “até o último cartucho”. Metralhados em 14 de abril de 1945, receberam, em vez da vala comum, as honras especiais do exército alemão, admirados com a coragem e resistência dos mineiros. Onde encontrar: www.webseriados.com
5. A Solteirona
Uma mocinha abandonada no dia em que seria pedida em casamento. Um amigo gay tresloucado com soluções para todos os problemas. Uma amiga perua. Uma arqui-inimiga de sotaque. Uma macumbeira louca. Um delegado bonitão. Um galã bundão. Esses são os personagens de uma história divertida e que aborda as grandes perguntas do tipo: ‘Por que não eu?’. Onde encontrar: www.asolteirona.com.br
(Diário do Pará)
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