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Orquestra Jovem se apresenta com maestro alemão

A Fundação Amazônica de Música promove hoje o encontro entre sua Orquestra Jovem e o maestro alemão Walter-Michael Vollhardt. Nascido em Heidelberg, ele já se apresentou como regente convidado na Suíça, França, Itália, América do Sul e Índia. Esta noite,

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A Fundação Amazônica de Música promove hoje o encontro entre sua Orquestra Jovem e o maestro alemão Walter-Michael Vollhardt. Nascido em Heidelberg, ele já se apresentou como regente convidado na Suíça, França, Itália, América do Sul e Índia. Esta noite, a partir das 18h, irá conduzir a apresentação dessa nova safra de brilhantes musicistas paraenses por diversas peças musicais, em evento gratuito na Sala Augusto Meira Filho.

É a terceira vez que Vollhardt vem a Belém. “Ele já é um parceiro nosso. Adora quando o convidamos, acha nosso trabalho superinteressante por promover o desenvolvimento e troca de informações entre músicos. Ele próprio já tem um trabalho bem voltado para a música aqui na América Latina”, afirma Izabel Boulhosa, coordenadora administrativa da fundação.

O músico alemão, que também é violoncelista, chegou sexta-feira passada na capital. Durante o concerto de hoje, fará também uma participação especial como solista na peça Kol Nidrei, de M. Bruch. O maestro Ronaldo Sarmanho, professor da Fundação Amazônica, será o responsável pela regência desta peça em especial.

“Já conheço ele (Walter-Michael) há uns três anos. É um excelente músico, faz um trabalho difícil, porque tem pouco tempo para passar todas as ideias musicais que tem para a orquestra. Mas faz isso com muito entusiasmo”, declara o maestro Ronaldo Sarmanho. Há 15 anos como violinista e dois anos como regente formado, ele ainda declara ter boas expectativas para esta noite como regente do convidado alemão.

“Eu acho que vai ser muito bom, porque favorece, nessa peça especialmente (na qual o maestro estará tocando), de a gente poder conhecer também esse lado: do regente como instrumentista. Quem é maestro, começou um dia como musicista. Diante da apresentação, passamos a ver ele como músico também. Quando ele está lá na frente, só vemos o movimento de seus braços a reger, quando estiver tocando poderemos ouvir o som que vem de dentro dele também”, diz.

MÚSICA ERUDITA

Formado em violino e regência, Ronaldo comenta a necessidade de promover mais contato entre o povo e a música erudita. “Quando o público vai ao teatro, o músico tem que conversar com esse público. Porque ele assiste ao concerto e fica com as sensações dele, mas não sabe com o que está lidando. Não é como a música popular onde a linguagem é direta e o conteúdo é pobre, muito mais fácil de consumir”. Um diálogo maior iria favorecer ambas as partes, afirma.

Mesmo sem trabalhar diretamente com a orquestra que se apresenta esta noite, Sarmanho tem contato com muitos dos alunos que fazem parte dela, principalmente os de violino. “Lido com eles quase que diariamente e, o que posso dizer, é que é uma orquestra cheia de vigor quando toca. Apesar de jovem no título, já está amadurecendo, principalmente em técnica. E é uma orquestra que está gerando frutos para a cultura paraense, fornecendo mão-de-obra para o país e para o mundo”.

Iniciada em 2010, a Orquestra Jovem é formada por musicistas entre 14 e 22 anos – alunos da Fundação Amazônica de Música. Ela é uma orquestra sinfônica completa, regida principalmente pelo maestro Miguel Campos Neto e hoje, excepcionalmente, pelo convidado Walter-Michael Vollhardt. O encontro foi promovido através de uma parceria entre a Fundação e Instituto Goethe, da Alemanha, voltado para a promoção da cultura.

PAIXÃO DE INFÂNCIA

A carreira de regente de Walter-Michael Vollhardt foi iniciada com a fundação da Orquestra do Conservatório de Hamburgo, onde ele era docente no início dos anos 1980. Há vários anos Vollhardt é convidado regularmente para apresentar-se no Brasil, tendo, inclusive, aberto em 2009 o ‘Internationall Cello Festival’, no Rio de Janeiro, onde regeu Mozart com músicos da Orquestra Sinfônica Brasileira. Sobre seu apoio ao ensino da música, ele fala aos leitores do caderno Você.

Você - Como a música entrou na sua vida?
Walter-Michael - Através de meus pais. Meu pai era um pastor protestante, assim, música de igreja sempre estava próxima a mim desde a infância.

V - Como foi que perceberam que você tinha talento?
WM - Quando eu tinha 10 anos o diretor do Conservatório de Hildelberg (Alemanha) me convidou para integrar um grupo de jovens músicos para participar de uma orquestra jovem em Cambridge (Inglaterra), onde eu tive a chance de tocar o repertório de orquestra dos grandes intérpretes de música erudita dos períodos clássico e romântico.

V - E como é para você encontrar um jovem com talento?
WM - Sempre fico entusiasmado de encontrar jovens talentos; sempre querendo ofertar a ele o máximo da minha experiência em música, não importando o instrumento que ele toca. Eu amo o entusiasmo de jovens músicos em explorar a profundidade e o excitamento da música erudita.

V - Qual a importância da transmissão de conhecimento?
WM - É essencial para o desenvolvimento dos jovens músicos e, quanto mais cedo ele tiver bons professores e regentes, melhor ele irá refinar e implementar suas habilidades musicais.

V - Mesmo quem aprende um instrumento musical e não segue tocando, pode ganhar novas perspectivas a partir do contato com a música?
WM - Sim. Acredito que a intensidade do contato com a musica clássica traz frutos para a vida futura do jovem, mesmo que ele decida por outra profissão. A experiência com a música o fará desenvolver a sensibilidade, a disciplina e também as suas habilidades sociais.

V - Qual o sentimento de reger uma orquestra jovem?
WM - Meu sentimento é que jovens músicos são mais abertos a novas experiências e ideias trazidas pelo regente; são mais entusiasmados com elas, ao contrário dos músicos de uma orquestra profissional que formam um grupo com diferentes gerações e períodos de vida.

V - Como avalia a música erudita no Pará?
WM - Infelizmente eu ainda não tenho conhecimento do trabalho desenvolvido especificamente no Pará, mas terei um primeiro contato hoje (ontem) à noite, já que irei assistir ao concerto da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz.

V - O que diria aos jovens que querem aprender e seguir carreira na música clássica?
WM - Sugiro que trabalhem com muita disciplina e que sejam abertos para muitos estilos musicais; devem também usar toda a oportunidade possível para apresentações (mesmo que não sejam pagas!) e controlem muito seriamente as suas expectativas sobre a profissão, uma vez que nem sempre se tem controle sobre aonde se pode chegar. Enquanto isto, e sempre, devem continuar estudando cada vez mais, ingressar em um grupo profissional (para sempre estar estudando) e seguir os resultados sem perder o estímulo causado pelas dificuldades e pela rotina.

NÃO PERCA!

Concerto da Orquestra Jovem da Fundação Amazônia de Música
Regente convidado: Walter-Michael Vollhardt
Hoje, às 18 horas.
Sala Augusto Meira Filho – Arte Doce Hall (Avenida Magalhães Barata, 1022 - Nazaré).
Entrada franca
Informações: (91) 3347-0505

(Diário do Pará)

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