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Museus oferecem visitas online a seus acervos

No conforto de casa, a possibilidade de visitar com calma e aproveitar todas as informações fornecidas pela exposição – nada de ler plaquinhas pequenas, querer saber mais de uma obra e ter apenas uma ou outra referência. Cada vez mais, espaços culturais i

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No conforto de casa, a possibilidade de visitar com calma e aproveitar todas as informações fornecidas pela exposição – nada de ler plaquinhas pequenas, querer saber mais de uma obra e ter apenas uma ou outra referência. Cada vez mais, espaços culturais investem na versão web para suas visitas e mostras; e na qualidade desta, através de um design simples e facilmente acessível para meios portáteis como celulares e tablets.

Na esfera internacional, o número de museus reconhecidos mundialmente, os quais já adotaram a possibilidade de visitação virtual, é cada vez maior. Entre os mais ‘cobiçados’ estão: Museu do Louvre, na França; Museu de Londres, na Inglaterra; Museu State Hermitage, na Rússia; Museu Van Gogh, na Holanda; e o Museu Britânico, no Reino Unido.

A publicitária Karina Lima, 23 anos, já teve a oportunidade de conhecer o Museu do Louvre pessoalmente, mas comenta que ainda há outros que não teve condições financeiras para viajar e visitar; por isso, poder contar com a internet para ela é uma das maravilhas da modernidade.
“Pela internet, o que mais gostei de conhecer foi o Museu Van Gogh. Gosto da obra do artista desde que li um livro com sua biografia e, depois, pesquisei mais sobre as pinturas dele. Tive contato com uma obra ou outra em exposições aqui no Brasil, mas foi realmente emocionante ter acesso ao acervo permanente do museu dedicado a ele na Holanda – ainda que virtualmente”, comenta.

O site do museu, assim como dos outros, facilita o acesso às obras, realizando uma organização por temas ou períodos de produção. O Louvre, por exemplo, permite um tour virtual pelas coleções: Antiguidades Egípcias, Galeria Apollo, Louvre Medieval, entre outras.

Segundo Priscila Lourenção, que participa da programação de exposições em São Paulo, o maior desafio em levar a arte que está em ambiente físico para o virtual é justamente apresentar o conteúdo da exposição montada fisicamente, de maneira que haja um entendimento deste conteúdo. “Sem entregar as respostas prontas a quem os acessa, causar a mesma sensação instigante que há diante da obra em um museu. Além disso, desperta o imaginário de seu visitante para uma aventura que fisicamente não seria viável sem o suporte e o recurso da web”.

RIQUEZA DE DETALHES E INFORMAÇÕES IMPRESSIONAM

Alguns museus não representam apenas a oportunidade de visitar uma exposição, mas também de conhecer um local com enorme valor cultural, como o Museu Casa de Portinari, na cidade de Brodowski (SP). Através de seu site, é possível conhecer a casa por dentro, utilizando o mesmo sistema do Google Earth – com visualização em 360º. Ao visitar o acervo, é possível encontrar obras reconhecidas da arte brasileira, entre elas: ‘São Jorge e o Dragão’ e ‘São Francisco de Assis Pregando aos Pássaros’.

A dica para a visitação ao espaço veio da estudante de arquitetura Paloma da Silva, 22 anos, e que chegou a utilizar esta ferramenta para a realização de trabalho acadêmico. “Eu estive na exposição que ocorreu em fevereiro, em Belém, sobre as obras do ‘Portinari no acervo Castro Maya’ e, a partir disso, escolhi fazer um trabalho sobre ele. Encontrei o endereço virtual da Casa de Portinari e fiz o trabalho como se realmente tivesse estado lá. Pude olhar tudo em detalhes enquanto visitava pela internet”, conta.

Existem sites dedicados a fazer uma reunião de todos esses museus, com links para eles e notícias, novidades. Para quem estiver interessado em começar pelos museus brasileiros, Paloma recomenda ainda o site ‘Era Virtual’, que reúne o endereço web da ‘Casa de Cora Coralina’ (GO), do ‘Museu Casa Guimarães Rosa’ (MG) e do ‘Museu Imperial’ (RJ), entre outros.

“Os (museus) nacionais ainda carecem de mais investimento nisso – para enriquecer o acervo virtual. Muitos internacionais contam com todo um acervo extra, onde é contada a história das obras, você encontra a biografia do artista e dá para interagir”, afirma a estudante. Mas é claro, há as exceções. Inclusive há aqueles que deixam para o virtual uma espécie de ‘bonus track’, para ser visto antes ou após a visita física.

EXPOSIÇÃO DOS IRMÃOS GRIM É UMA OPÇÃO

Em termos de interação, uma boa dica é a nova exposição do Sesc São Paulo intitulada ‘Grimm Agreste’. Inspirada nos contos dos Irmãos Grimm, a mostra acontece no espaço físico, mas também no virtual, através de uma página própria, onde é possível conhecer os contos dos irmãos Grimm lendo ou ouvindo.

“Cada história dá uma das opções, naquelas em que você ouve alguém narrando. Alguns dos narradores são artistas reconhecidos”, conta Ana Paula Santos, 21 anos, convidada pela reportagem a conhecer a versão virtual. Entre as personalidades que narram alguns contos, estão o ator Francisco Cuoco, o diretor de teatro Elias Andreato, os cantores e compositores Lirinha e Chico César.

Durante a visita, é possível criar wallpapers – papéis de parede para aparelhos eletrônicos - com as ilustrações do artista pernambucano J. Borges, usadas na exposição física e virtual. “Gostei de poder conhecer a história dos irmãos Grimm, onde nasceram e como escreveram o livro. Antes do tour virtual, também assisti a um ‘teaser’ da exposição, fazendo uma mistura muito bacana entre contos e cordéis”.

A exposição Grimm Agreste, que desbrava o universo dos 156 contos originais dos irmãos alemães, é livremente inspirada no livro ‘Contos maravilhosos infantis e domésticos’, lançado pela Editora Cosac Naify, em 2012, traduzido por Christine Röhrig. Na web e no salão, as histórias são retratadas em um universo lúdico e interativo, com uma cenografia que remete ao universo dos contos.
Interatividade faz a diferença

O diretor regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda, afirma que a intenção da exposição ‘Grimm Agreste’ é “extrapolar o campo literário”, propondo que o público sinta-se dentro dos contos e que estes se misturem ao imaginário popular brasileiro presente nas xilogravuras de J. Borges.

O artista criou 43 ilustrações para o livro ‘Contos maravilhosos infantis e domésticos’ e suas matrizes estão expostas em ‘Grimm Agreste’. Sobre esta encantadora mistura, a tradutora Christine Röhrig afirma que agora, “os Grimm se juntam ao Agreste e a expedição é real, aberta, estimula a fantasia, gera novas possibilidades e aponta para o futuro”.

Já Ana Paula relata que “a exposição online é como estar em uma história encantada, onde você é um personagem a escolher que caminho seguir na floresta”, e explica. “O visitante responde a dez perguntas, através das quais é identificado com que personagem ele se parece e assim percorre o site”.

Priscila Lourenção, que colabora com a programação, informa que, primeiro, se pensou em ampliar a ‘Grimm Agreste’ para o meio virtual justamente para permitir o acesso do público que está mais distante, em outras regiões, e que possivelmente não conseguiria visitar a exposição.

“Democratizar o acesso via web permite que as pessoas possam experimentar um pouco do que foi pensado e construído para quem visitaria a exposição presencialmente. E o site também permite que o seu visitante compreenda a estrutura de um conto previamente, antes da visita física”, afirma Lourenção. E é assim que cada vez os museus recebem mais visitantes. “Eu realmente senti vontade de ir até lá, depois que vi a exposição e as atividades que tinham no site; ouvi diversas das histórias narradas. Acho que isso realmente consegue atrair a gente para os museus, dá intimidade”, considera Ana Paula.

FAÇA UMA VISITA VIRTUAL

Museu do Louvre: www.louvre.fr/en/visites-en-ligne
Museu de Londres: www.museumoflondon.org.uk
Museu State Hermitage: www.hermitagemuseum.org
Museu Van Gogh: www.vangoghmuseum.nl
Museu Britânico: www.britishmuseum.org
Portal Era Virtual: www.eravirtual.org
Exposição Grimm Agreste: www.sescsp.org.br/grimmagreste

(Diário do Pará)

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