“É uma forma de homenagear a sonoridade indígena como base da nossa música e tão pouco conhecida”, declara o violonista Salomão Habib sobre seu novo show. Pesquisador da música amazônica, ele apresenta hoje, às 19h, no Centro Cultural Sesc Boulevard, em Belém, o concerto: ‘Rituais Sinfônicos’ – uma coletânea de adaptações da música indígena para o violão solo.
A ideia é levar as músicas indígenas para a linguagem erudita. “Também há peças inspiradas em contos e fábulas dessa cultura”, adianta o músico. Salomão iniciou esta pesquisa em 1989 e, desde então, tem conduzido e participado de diversos projetos sobre o tema, desenvolvendo cada vez mais sua percepção sobre esta sonoridade, e a visão indígena sobre esta.
“O índio não trata a música da forma como nós. Em sua cultura ela é ritualística. Há a música da morte, da vida, para colher. Eles cantam e dançam mais como um ritual, do que como algo cultural. Esse sentimento estético que nós temos, eles não têm. Eles exaltam a natureza em sua música, mas na forma de agradecimento”, explica Salomão.
Os indígenas podem ver aquilo que cantam e tocam como um ‘mantra’, mas Salomão, com sua sensibilidade para a música, viu um universo de sons a serem trabalhados e levados até os ouvidos do mundo. “Essa musicalidade para nós é muito importante e mostra o quanto nós somos ainda muito atrasados na nossa comunicação. Eles [povos indígenas] conseguem se comunicar assim [pela música sem letras]”, diz Habib.
E completa: “As nossas músicas tem autor, a deles não é de ninguém, ela é de todo mundo. Não fala de uma pessoa específica, fala de todo mundo”. Através do projeto ‘Renas’, do Museu Paraense Emílio Goeldi, Salomão teve contato com a língua tupi e as sonoridades indígenas. Ainda em 1989, também recebeu autorização da Fundação Nacional do Índio (Funai) para visitar aldeias Tembés no Alto Rio Gurupi.
“Uma das coisas que pretendo com esse trabalho é também divulgar a região. Nos meus concertos, falar de todos os problemas que encerram essas comunidades”, além disso, afirma Salomão, sua pesquisa é antropológica. “Há milhares de anos, música não tinha escrita, ninguém sabia como era essa música. Agora, você pega um índio e põe ao lado de um vietnamita, e vai ver traços parecidos, porque eles conservam um biótipo. Acredito que eles também conservam uma cultura”, afirma.
E nessa premissa está a importância do trabalho de Salomão. “A música das tribos antigas do mundo inteiro está conservada no biótipo dos indígenas”, conclui. Violonista que nasceu e viveu grande parte de sua infância no bairro do Reduto, Salomão Habib é um dos maiores preservadores da cultura amazônica, e seus shows são sempre uma aula de musicalidade e descobertas.
Carreira
O violonista Salomão Habib possui mais de 180 músicas instrumentais para violão solo e cerca de 150 canções com letra e música de sua autoria, além de 60 composições em parceria com os poetas João de Jesus Paes Loureiro, João Gomes, Antonio Tavernard, Eduardo Neves, Ronaldo Silva e Mei Loureiro Habib. Salomão foi premiado em 2009 pela Fundação Nacional da Arte por desenvolver doze composições baseadas em tradição ritualísticas musicais de doze etnias indígenas do Brasil.
PRESTIGIE
‘Rituais Sinfônicos’ com Salomão Habib
Quando: Hoje, às 19h.
Local: Centro Cultural Sesc Boulevard
Endereço: Avenida Boulevard Castilho França, 522/523 - em frente à Estação das Docas.
Entrada Franca
(Diário do Pará)
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