A poética do espaço urbano sintetiza a coleção “Cidades Invisíveis”, do fotógrafo Janduari Simões, em exposição no Museu da UFPA. A obra integra o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, que abriu a exposição na noite de quarta-feira (23) com a presença de estudantes e diversos artistas de Belém.
A coleção apresenta imagens da arquitetura de Belém do passado e do presente, mas esquecidas ou simplesmente não percebidas no cotidiano da cidade. A exposição de Janduari apresenta dois momentos da arquitetura belenense: a primeira de uma Belém remota da década de 1970 e a segunda de uma cidade atual vista a partir de suas periferias. “A primeira ninguém viu e a segunda ninguém percebe e ambas são invisíveis aos olhos e à memória das pessoas”, resume Janduari.
Aberto a todos os artistas brasileiros, o Prêmio selecionou os 30 melhores trabalhos que estão em exposição desde a última terça-feira na Casa das 11 Janelas. O prêmio é uma realização do DIÁRIO e conta com o patrocínio do Shopping Pátio Belém e Vale, além das parcerias da Casa das Onze Janelas e do Museu da UFPA.
O diretor geral da RBA, Camilo Centeno, afirmou que o projeto tem como principal objetivo a valorização da arte fotográfica paraense. Segundo ele, a cada ano o prêmio se renova e atrai mais artistas, inclusive de outros Estados. “O fato de termos mais trabalhos de artistas de fora do Estado mostra a dimensão do prêmio”.
Para o diretor, a exposição tem um papel importante de mostrar a história do Estado e a beleza da cidade. “Os artistas existem para nos proporcionar essa percepção de coisas que o nosso dia a dia não nos deixa ver, mas que estão aí à nossa frente o tempo todo”, afirmou Centeno.
MOSTRA
Além de “Cidades Invisíveis”, a exposição é composta pela mostra “Pequenas cartografias (e duas performances)” de seis novos artistas paraenses. Entre eles, a servidora Marise Maués, autora da obra “Nóstos”, composta por um vídeo produzido na pequena ilha ribeirinha de Maracapucu, em Abaetetuba.
O vídeo mostra todo o processo de criação de um vestido de noiva que cobre uma árvore com forma sinuosa de uma mulher. O repórter fotográfico Marco Santos também participa da exposição com a série “Sinistro”, que reúne fotografias registradas no cotidiano da profissão, entre as quais a de um homem empurrando uma bicicleta em uma rua de Belém completamente alagada.
Segundo a diretora do Museu da UFPA, Jussara Derenji, estão sendo realizadas diversas ações de monitoria para a exposição voltadas ao público visitante. Ela adiantou que o Museu está organizando a formação de uma coleção específica para o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, com obras doadas pelos artistas que têm participado ao longo das cinco edições.
(Diário do Pará)
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