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‘Solo de Marajó’ inicia nova temporada

A Ilha do Marajó como ‘pano de fundo’. Em cena, um ator mergulha em vários personagens. O cenário é inexistente. Pouco figurino e muita simplicidade. Distante da fantasia e mais perto da realidade do homem da Amazônia, o espetáculo ‘Solo de Marajó’ es

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A Ilha do Marajó como ‘pano de fundo’. Em cena, um ator mergulha em vários personagens. O cenário é inexistente. Pouco figurino e muita simplicidade. Distante da fantasia e mais perto da realidade do homem da Amazônia, o espetáculo ‘Solo de Marajó’ está de volta em nova temporada que começa hoje e segue até domingo, sempre às 20h, no Teatro Estação Gasômetro.

Com direção de Alberto Silva Neto e dramaturgia de Carlos Correia Santos, a montagem contemporânea é inspirada na obra ‘Marajó’ do escritor paraense Dalcídio Jurandir, publicada em 1947. O ator Claudio Barros é quem assume a interpretação e narra sozinho oito histórias tiradas do livro. “As histórias foram escolhidas privilegiando suas temáticas e a unidade narrativa delas dentro do romance, ou seja, que elas tivessem começo, meio e fim nelas mesmo. Não temos o compromisso de narrar a fábula do romance, mas percebemos que as histórias escolhidas, juntas, formam um mosaico que representa bem essa obra”, explica Alberto sobre a seleção das narrativas.

Juntas, as histórias constroem um panorama da vida marajoara e abordam de forma poética temas como infância, paixão e saudade, com dramas amazônicos tais como exploração de crianças, violência contra a mulher, adultério e morte. “O público pode esperar um teatro comprometido com as questões essenciais da natureza humana e do homem de vida rústica que habita essa vasta e tão abandonada Amazônia. É um teatro que não é feito para agradar, apenas, mas para provocar, questionar, instigar a todos que não se omitam dos debates, mas, ao contrário, que reflitam sobre seu papel político e social neste processo”, destaca o diretor.


Ator faz mais de 20 personagens em cena


No palco vazio, corpo e voz são os maiores recursos utilizados em cena. Durante o processo criativo, o ator Claudio Barros utilizou como base suas experiências e referências de vida. As minhas histórias pessoais encenadas servem como matéria prima para construir a cena do Dalcídio. Não é um processo fácil, é lento. Fizemos também um trabalho de observação indo a Ponta de Pedras. Observei o corpo do pescador, da tapioqueira, dos carregadores do porto”, diz Claudio. “Meu avô lia Dalcídio pra mim, enquanto me embalava na rede. Estou vivendo fisicamente a minha história de vida e aqueles corpos observados por mim. Isso aproxima o espectador de uma emoção mais verdadeira do que representar um personagem que Dalcídio escreveu”, completa.


Esse é o primeiro trabalho solo de Claudio desde ‘Dama de Noite’, de Caio Fernando Abreu, em 1990. “Quis voltar para a cena sozinho, experimentar. É um espetáculo bem intimista, com público reduzido e bastante viável. Posso ir com ele para qualquer lugar. Quero fazer ‘Solo de Marajó’ enquanto eu estiver vivo”, garante o ator.


“Falar sobre o povo, as pessoas que vivem esquecidas, antes de qualquer coisa, é cumprir a função social de ser ator. Quando faço o espetáculo estou cumprindo essa função que Dalcídio tentou na década de 1940. Ele não queria revelar o exotismo de viver na Amazônia, mas como vive esse homem ferido na floresta, a realidade dele, a relação com o poder público, as consequências de estar ilhado”, comenta o ator, que faz mais de 20 personagens em cena.


A responsabilidade no espetáculo é grande, mas só quem assistir a montagem vai poder dizer se Barros dá conta do recado. “O Claudio é um ator experiente e de muitos recursos. Mas isto, no final das contas, não garante nada. Cada criação é um novo desafio para qualquer um. Então, dirigir o Claudio é, antes de tudo, testemunhar ele diante de seus desafios de hoje. É lindo e me ensina muito”, diz Alberto.

Espetáculo ‘Solo de Marajó’
Data: De 25 a 27 de abril (sexta a domingo)
Local: Teatro Estação Gasômetro (Parque da Residência)
Endereço: Travessa 3 de Maio, entre Avenida Magalhães Barata e Avenida Gentil Bittencourt
Hora: 20h
Entrada gratuita.


(Diário do Pará)

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