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Cantora resgata a beleza das valsas em álbum

Este é o álbum de estreia da cantora carioca Lúcia Helena, mas não parece assim. Ao lado de convidados, teceu um primoroso trabalho, o que é essencial para alguém que escolhe iniciar uma carreira musical gravando um estilo que, hoje, parece fadado às

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Este é o álbum de estreia da cantora carioca Lúcia Helena, mas não parece assim. Ao lado de convidados, teceu um primoroso trabalho, o que é essencial para alguém que escolhe iniciar uma carreira musical gravando um estilo que, hoje, parece fadado às festas de 15 anos – a valsa. Se o seu gosto musical passa longe da valsa, pelo de Pixinguinha, Chico Buarque, Luiz Gonzaga, passou bem perto.

No Brasil, não há nenhum grande compositor popular que não tenha criado algumas pérolas do gênero ternário.

“Me apaixonei pelas valsas ouvindo o senhor Álvaro Carrilho, que é um grande flautista, coordenando as rodas de choro, na Escola Portátil. E o senhor Álvaro, em todas as rodas, mostrava pra gente valsas de todos os tempos e muita valsa contemporânea, feita por instrumentistas que estão em plena atividade”, conta Lúcia Helena.

A artista destaca ainda o fato dessas valsas contemporâneas não encontrarem espaço nos CDs, shows, ou qualquer lugar onde houvesse execução de música contemporânea brasileira. E buscando aproximar esses compositores atuais do público, Lúcia começou sua pesquisa por valsas com letras – belíssimas – para compor seu projeto.

Intitulado ‘Ternárias’, o CD está dividido em três tempos, cada um apresenta certa gama de sentimentos em letras delicadas e preciosas, como a segunda faixa ‘Modinha pra uma flor’, que diz: “Ai, minha amada/ Se eu pudesse um dia/Despir a poesia/ Que há nos olhos teus/ Nem vil mortal/Nem deus grego eu seria/ Mas reiventaria/ Todo encanto que na terra se perdeu...”.

Valsas inéditas compõem o disco, como Amorosa (Maurício Carrilho e Vidal Assis), Ana (Pedro Franco e Caio Martinez), Dias sem fim (Wladimir Pinheiro), Lembrança viva (Julião Pinheiro e Paulo César Pinheiro), Valsa de outono (Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro) e Valsa vesperal (Luiz Flávio Alcofra e Mauro Aguiar).

E reúne ainda a nata dos melhores instrumentistas e arranjadores do cenário carioca, como Marcelo Caldi, Alexandre Caldi, Luis Barcelos e Domingos Teixeira. ‘Ternária’, com suas 18 valsas, foi feito para surpreender os mais céticos, lançando uma nova cantora e, ao mesmo tempo, toda uma geração de novos cantores e compositores de talento inestimável.

(Diário do Pará)

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