Para elas, a vida com arte faz mais sentido. O microfone, o violão, a música. Mais sentido ainda faz aquilo que não se vê nos palcos: a maternidade. Por trás de toda leveza na voz que ecoa em cada canção, a força e a audácia para conciliar a paixão pela música com um amor jamais experimentado: o amor de mãe.
A cantora Juliana Sinimbú, 28 anos, vivia um bom momento na carreira quando foi surpreendida com a chegada de Flora, 1 ano. A agenda de shows e gravações desacelerou, mas os projetos artísticos não cessaram. “Flora entrou como um pé de coelho na minha vida. No ano em que fiquei grávida, consegui o patrocínio pra gravar o disco. Ela nasceu, renovamos para a turnê e assim seguimos com boas notícias. O contra é a saudade, mas a vida ocupada, vale mais a pena”, acredita Juliana.
Flora escuta “música ao vivo” desde a barriga da mãe. “Aos 8 meses de gestação eu estava no Theatro da Paz cantando com a Amazônia Jazz Band, então ela é acostumada com música brasileira. Tem as músicas infantis que ela ama, tem as músicas do meu disco que ela sabe de cór, tem a Gal e o Gilberto Gil que ela adora. Outro dia acordei com ela dançando o ‘Tango do Covil’, de Chico Buarque, com o pai”, lembra aos risos.
A primogênita de Juliana já ganhou canções de compositores de Macapá e até do Rio Grande do Sul. Mas a cantora ainda não escreveu nenhuma música em sua homenagem. “Vai chegar a hora. Acho que já dou tanto amor que compensa. Ser mãe para mim, que nunca esperei ser, foi a melhor coisa que me aconteceu. Cansa? Cansa! Mas você conhece de fato o que é amor, o que é cuidar, olhar para o lado, reconsidera a sua mãe e a sua vida inteira”, diz a cantora.
Juliana agora enfrenta o desafio de conciliar a carreira com a maternidade. Em março, ela lançou o seu disco “UNA” e neste domingo viaja para o Rio de Janeiro para se preparar para um show que acontece no dia 15.
Primeiro mãe, depois cantora
Para a cantora Liège Agrassar, 25 anos, o sonho da carreira artística veio depois da realização de um desejo muito grande: ser mãe. “Eu sempre digo que eu tenho certeza de poucas coisas nessa vida, e uma delas é a certeza de que eu nasci para ser mãe. Eu sonhei com isso desde cedo e quando a Lis (4 anos) chegou pra mim, foi como se eu tivesse descansado, recebido respostas definitivas a tantos processos pessoais de vida”, conta.
Liège acredita que toda gravidez, seja ela precoce ou não, traz uma mudança brusca nos projetos de vida e com ela não foi diferente. “Minha história com a música vem de berço e cresci cantando e escrevendo canções, nutrindo o desejo de fazer da música algo perene na minha vida. Daí a Lis chegou e deu uma pausa nesse sonho, trazendo outros mais urgentes para serem sonhados. Há um marco na minha trajetória de vida antes da Lis e depois da Lis. Eu tive que adormecer alguns projetos e fazer nascerem outros. Assim foi com a carreira musical”, completa a cantora formada em Direito e funcionária pública.
Quando a Lis completou 3 anos, Liège percebeu que havia uma lacuna muito importante a ser preenchida. “Era a musica fazendo falta. Inflei o peito de coragem, tomei muitos goles de realidade e desde novembro de 2013, tento, dentro das possibilidades que a vida me impõe, viver com a minha arte, cantando, compondo e tocando em frente projetos musicais novos e antigos”, diz.
Um dos trabalhos realizados pela artista e divulgado no final do ano passado no Youtube foi o clipe “Toute la vie” com participação especial da filha. O vídeo tem direção, arranjo e produção de Dan Bordallo. “A Lis foi crescendo embalada pelo meu canto e pela presença marcante dos meus amigos em casa, com as rodinhas de violão. Nesse processo gravidez-nascimento-crescimento da Lis, eu continuei timidamente compondo e nasceu ‘Toute la vie’, a canção em francês que compus dedicada a ela”, explica Liège.
Os planos para a carreira musical se entremeiam com os da vida pessoal. Liège segue buscando a estabilidade financeira, estudando e, paralelo a isso, compondo, gravando e cantando. “Não sou uma cantora com um cronograma comum. Fiz escolhas e essas escolhas tiveram seus pesos na minha trajetória, então meu processo é mais gradual que o normal, mas assim eu sigo feliz. Hoje estou trabalhando na minha carreira autoral e correndo atrás de patrocínio pra concluir meu primeiro EP”, pontua.
(Diário do Pará)
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